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    Sem fundos para eleições: “É necessário tomar diligências”

    Declarações do porta-voz do PR sobre falta de fundos para realização de eleições na Guiné-Bissau estão a ser criticadas pela sociedade. Analista diz que o país está a sentir as consequências do "desrespeito às leis".

    A Guiné-Bissau está a atualizar os cadernos eleitorais e a inscrever novos eleitores, mas não se sabe para que eleições. Não se sabe se é para as legislativas antecipadas, depois da dissolução do Parlamento, que vários partidos não aceitam, ou se é para eleições presidenciais este ano, exigidas pelas principais forças políticas, mas refutadas pelo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.

    Na semana passada, o porta-voz do chefe de Estado disse que o país não vai já às urnas por falta de dinheiro. António Óscar Barbosa referiu ainda que as autoridades estão em contacto com os parceiros para financiarem o processo, mais de cinco meses após a decisão de Umaro Sissoco Embaló de dissolver a Assembleia Nacional Popular (ANP).

    Cidadãos ouvidos em Bissau pela DW África repudiam as declarações do porta-voz.

    “Antes de tomar qualquer decisão de derrubar o Parlamento ou o Governo, tem de se analisar a questão”, sublinha um residente.

    “O país está parado, não vai receber a ajuda de nenhuma organização, porque não tem Governo, nem Parlamento”, lamenta outro cidadão.

    E o imposto da democracia?

    “Há um imposto da democracia que serviria para a realização das nossas eleições, porque o Presidente [da República] dizia que não podemos estar todo tempo à espera da comunidade internacional”.

    Em 2020, o Governo guineense introduziu o imposto da democracia, cujo objetivo, entre outros, era financiar a realização de atos eleitorais no país, quase sempre pagos pelos parceiros internacionais.

    No entanto, em declarações aos jornalistas em Lisboa, o porta-voz do Presidente guineense sublinhou que “o país nunca conseguiu organizar eleições com os recursos próprios”.

    Isabel Almeida, coordenadora da organização das mulheres guineenses MIGUILAN considera que esta é uma questão bastante mais abrangente:

    “Esta questão inscreve-se no quadro desta grande confusão em que nós vivemos. De rejeição do Estado de Direito e das dificuldades e do desprezo pelas leis do país”.

    Para o presidente da Rede Nacional das Associações Juvenis (RENAJ), Abulai Djaura, a saída para a situação continua nas mãos do Governo guineense.

    “Não é também estar a dizer que não há dinheiro e ficar com braços cruzados. É necessário tomar diligências necessárias no sentido de encontrar parceiros que possam dar o apoio para a realização das eleições”.

    A DW África contactou as principais forças políticas guineenses para reagir às declarações do porta-voz do Presidente da República, mas não foi possível obter um comentário.

    Por Iancuba Dansó (Bissau)

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    FonteDW

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