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    Guiné Bissau: cidadãos criam “Frente Popular” para “salvar a democracia”

    Um grupo de cidadãos guineenses lançou este sábado em Bissau a Frente Popular (FP) para “salvação da democracia” que dizem estar ameaçada no país, como afirma um dos promotores, o jornalista e analista político Armando Lona.

    A Frente Popular junta activistas sociais, sindicalistas, ativistas pelos Direitos Humanos e muitos jovens sobretudo, com o propósito “salvar os valores da democracia” que, na opinião do grupo, estão a ser cercados pelo actual regime de Bissau.

    O jornalista e analista político, Armando Lona é um dos mentores da iniciativa de cidadãos que se dizem cansados de ver as liberdades coartadas na Guiné-Bissau e se propõe agir.

    A FP, pretende, entre outros, “resgatar o Estado” guineense através de um processo de consciencialização do povo de que “não basta apenas votar”, como assinala o coordenador da FP, o jornalista e analista político Armando Lona.

    “A Guiné Bissau tem vivido, nos últimos quatro anos, episódios típicos de um Estado capturado por um regime autoritário, absolutista e dictatorial. Essa ditadura assumida tem-se traduzido na flagrante confiscação da vontade popular, na usurpação dos poderes como forma de dominação. Este regime, comandado por Umaro Sissoco Embaló, nunca poupou esforços em confiscar as liberdades fundamentais dos cidadãos, asseguradas pela constituição, nomeadamente as de reunião, manifestação, imprensa, bem como a de livre escolha dos representantes do povo, igualmente na implementação do plano de desmantelamento da democracia e do Estado de direito.

    O povo guineense, reduzido a um simples sujeito consumidor de propaganda do regime absolutista, encabeçado por Umaro Sissoco Embalo, está ameaçado, material e espiritualmente, tendo sido submetido à miséria extrema e confinadas as suas liberdades essenciais.

    Nós, cidadãos guineenses de diferentes segmentos sociais e profissionais, convergimos em torno de uma agenda cívica popular para o resgate e defesa da República e assumimos protagonizar em todo o território nacional e nas diásporas guineenses, uma resistência popular para o resgate da República, através da reposição plena do funcionamento das instituições democráticas.”

    A FP, que tem como símbolo três punhos negros fechados erguidos, prometeu, para os próximos dias, acções de rua para “dizer basta” às situações que “impedem o povo guineense de viver na democracia”.

    A recente medida de reabertura do parlamento por parte das autoridades é vista pela Frente Popular como uma encenação. Para a Frente Popular não se pode falar na reabertura do parlamento, mas sim na reposição do Governo eleito em Junho de 2023 e a retoma plena do parlamento.

    Um dos grandes propósitos da Frente Popular é levar as instituições da República a organizar as eleições presidenciais ainda este ano e não as legislativas como têm sido apontadas pelo Presidente e o Governo.

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    FonteRFI

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