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    Annan anuncia acordo para a Síria que mantém o regime no poder

    As potências mundiais pouco ou nada avançaram nas negociações do Grupo de Acção para a Síria, em Genebra, encontrando acordo apenas em instar ambas as partes do conflito naquele país a reassumirem os compromissos do plano de pacificação mediado pelo enviado das Nações Unidas e Liga Árabe e aceitando que uma transição política inclua membros do actual regime do Presidente Bashar al-Assad.

    A reunião saldou-se com um consenso “nas etapas e medidas a cumprir pelas partes para garantir a aplicação total do plano de seis pontos e das resoluções 2042 e 2043 do Conselho de Segurança” das Nações Unidas, frisou Kofi Annan, na leitura do comunicado final do encontro de Genebra, em referência ao plano de pacificação por si mediado e aceite em Abril pelas autoridades de Damasco e pelos rebeldes, que incluía um cessar-fogo jamais cumprido no terreno.

    Mas nem o alerta de “crise mundial” impendente nem o mea culpa feitos por Annan, na abertura da conferência, conseguiram aproximar as capitais ocidentais e a Rússia na proposta de que a transição seja feita sem Assad e as figuras mais contestadas do regime – algo que a oposição ao Presidente sírio sempre exigiu. O consenso alcançado este sábado em Genebra espelha, de resto, como a questão do futuro papel de Assad na Síria permanece insanável no seio da comunidade internacional.

    As discussões tinham aberto, de resto, num espírito de incertezas e pessimismo e nada mudou ao longo de todo o dia: Moscovo recusa qualquer plano para a Síria que seja “imposto de fora” e as capitais ocidentais querem o afastamento de Assad e do seu círculo próximo de familiares e chefias militares para garantir “estabilidade” no país.

    “Os russos apresentaram uma série de objecções. Eles estão muito intransigentes”, revelou um diplomata ocidental, sob anonimato, à agência noticiosa Reuters. “É possível que o texto seja reescrito”, indicou numa pausa da reunião.

    Numa última tentativa para que o consenso fosse alcançado, Annan avisou, no início, que sem uma posição comum as perdas de mais vidas na Síria ficavam também como “uma responsabilidade da comunidade internacional”. Ao fim de 16 meses, desde que eclodiram as primeiras manifestações pacíficas, brutalmente reprimidas pelas forças de segurança, a situação na Síria degenerou numa guerra civil com um balanço estimado de mais de 12 mil mortos.

    “Estamos aqui para chegar a um acordo quanto às linhas mestras e princípios de uma transição política na Síria que vá ao encontro das legítimas aspirações do povo sírio. Estamos à beira de uma crise internacional de enorme gravidade, que ameaça ultrapassar as fronteiras. Ninguém duvide dos perigos gravíssimos que este conflito representa para os sírios, para a região e para o mundo”, frisou Annan aos representantes do Reino Unido, França, China, Rússia e Estados Unidos, todos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, e ainda à União Europeia, à Turquia, ao Iraque, ao Kuwait e ao Qatar.

    Na véspera, Annan ainda se manifestara “optimista” em que seria encontrada “uma solução aceitável” sobre a sua proposta: a formação de um governo de unidade nacional na Síria, com representantes do actual regime, da rebelião e outros sectores, mas pressupondo o afastamento dos líderes sírios que “causam divisões”, o que efectivamente empurraria Assad para a cedência do poder.

    Mas Moscovo, tradicional aliado da Síria, disse logo que o destino do Presidente sírio “só pode ser decidido pelo povo sírio”. “Os nossos parceiros ocidentais querem decidir o resultado do processo político na Síria, apesar de essa ser uma tarefa para os sírios”, reiterou este sábado o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Guennadi Gatilov.

    “Isto torna tudo muito difícil e nem sei se será possível alcançar um acordo significativo”, lamentara o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, William Hague. “Um futuro estável para a Síria implica que Assad abandone o poder. E a verdade é que é inútil assinar qualquer acordo sem valor ou um acordo que não traz nenhum avanço”, sublinhara.

    FONTE: Público

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