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    Residências transformadas em escolas no Cazenga

    No Cazenga, um dos mais populosos municípios do país, nem todas as escolas foram constituídas cumprindo estritamente os requisitos estabelecidos pelo Ministério da Educação para a abertura de uma instituição escolar.

    Algumas delas foram abertas em antigas residências, onde três ou quatro quartos deram lugar a igual número de salas de aulas.

    Bambo dos Santos é director e proprietário da escola comparticipada Florinda Bambo. Optou em transformar a sua própria residência numa escola com cinco salas de aulas, devido a falta de uma escola nas redondezas que contrastava com o elevado número de pessoas que aí vivem, que poderia gerar algum lucro.

    As escolas comparticipadas cobram um preço máximo de 20 dólares americanos, um valor que segundo proprietários contactados por este jornal não dá para suprir as necessidades básicas da instituição.

    Proprietários de algumas escolas reuniram-se e pediram assistência ao Ministério da Educação, que por sua vez exigiu-lhes que tratassem alvarás para que pudessem receber os esperados apoios.

    De acordo com Bambo dos Santos, depois de terem o referido documento as escolas passam a pagar uma quota de 200 dólares trimestralmente.

    Por seu lado, Etelvino Ernesto de Almeida, director da escola comparticipada 148, contou que a ideia inicial era a construção de um colégio.

    Mas uma pesquisa que fez demoveuo e achou conveniente fazer comparticipação com o Ministério da Educação, devido ao fraco poder aquisitivo dos seus potenciais clientes.

    “O índice de pobreza é acentuado e não seria compatível com as exigências de um colégio”, disse Etelvino de Almeida, acrescentando que apelaram ao Ministério da Educação para que “fizesse uma fiscalização porque muitos transformaram as suas residências em escolas com fins lucrativos, sem pensar na qualidade de ensino a ser transmitido nesta instituição”.

    O responsável da escola comparticipada 148, também conhecida como colégio O Pensador, localizada no bairro Matembo, na 7ª avenida, no Cazenga, disse que solicitaram uma comparticipação mais activa, mas o material didáctico que têm recebido nem sempre é suficiente.

    A escola acima mencionada existe há dois anos e conta com seis salas de aulas, uma secretaria, sala dos professores, uma sala de informática, duas casas de banho, uma cantina e um pátio que serve para educação física. Mas não tema sala de trabalho para o director nem o director pedagógico. A instituição lecciona da iniciação até 9ª classe, com 14 professores e todos eles foram submetidos a um estágio de um mês.

    Segundo apurámos, as propinas dos alunos variam em função do nível académico de cada um. Ao passo que a remuneração dos professores dos valores arrecadado pela instituição dos estudantes. As escolas comparticipadas Florinda Bamba e 148, a primeira adaptada a partir de uma casa e a segunda construída de raiz, são os dois típicos exemplos das instituições de ensino existentes no município do Cazenga.

    Apesar das condições físicas, todas as escolas são comparticipadas, tendo em conta que recebem o apoio directo do Estado no pagamento dos salários dos professores. As instituições leccionam até à nona, mas as três últimas classes, nomeadamente sétima, oitava e nona, estão sob a responsabilidade exclusiva das referidas escolas. Estudante de psicologia na Faculdade de Ciências Sociais, Ramiro Samba, é um dos professores das disciplinas de Inglês e Educação Cívica na escola 148. O jovem sugere que as escolas comparticipadas criem um fundo para cobrir as despesas do corpo docente e não depender 100% das propinas dos alunos.

    O pagamento tardio das propinas dos alunos tem afectado directamente o pagamento do salário dos professores. Este constrangimento influencia o sistema e a motivação no acto de transmissão da matéria. Ainda assim, o nível de aproveitamento dos alunos é de 80 por cento, segundo o balanço feito pelos próprios professores.

    “A escassez de escolas permite que muitos mercantilizem o ensino”

    O sociólogo Francisco Cruz considera que devido o crescimento demográfico do município é normal o crescimento das escolas num mundo globalizado. Mas defende que é necessário que as mesmas apresentem condições dignas.

    Segundo o sociólogo, os critérios para construção de residências é diferente dos critérios para erguer uma escola, a partir da dimensão à pintura. “A escassez de escolas permite que muitos mercantilizam o ensino e surge a competitividade entre elas.

    Esta abertura do Governo pode ser para dividir as tarefas com a sociedade civil ou então permitir com que a sociedade civil participe naquilo que o Governo já vem a fazer”, opinou. Francisco Cruz defende que a repartição municipal de Educação do Cazenga reforce o controlo “mais a fundo” para que haja um ensino com qualidade que não dependa simplesmente de salas de aulas, mas sim das estruturas aprovadas. Acredita que é necessária uma estrutura com qualidade e ensino de qualidade para obtermos homens formados com qualidade e capazes de responder os desafios da sociedade.

     

    Cazenga com 169 comparticipadas

    A repartição municipal da Educação do Cazenga controla 169 escolas comparticipadas, com mais de 53. 904 alunos. Cinquenta por cento das escolas recebem do Ministério da tutela professores apenas para o ensino primário, mobiliários e material didáctico.

    A directora municipal da Educação do Cazenga, Isabel Leitão, explicou que os 50 por cento de escolas referem-se somente àquelas com que trabalharam no ano passado. Segundo a responsável, em 2012 pretendem trabalhar também com outras instituições de ensino.

    Muitas das escolas surgiram de iniciativas individuais de pessoas que habitam no município para atenuar o défice de estabelecimentos até então existentes.

    Isabel Leitão reconheceu que “o surgimento destas escolas ajuda a reduzir o défice que existe nas escolas públicas e na diminuição da alfabetização, levando em consideração o objectivo do Ministério da Educação que é enquadrar todas crianças no ensino escolar. Pois, é obrigatório o ensino primário”.

    Os requisitos mínimos exigidos pela repartição de Educação para que uma escola receba a comparticipação do Governo são: ter seis salas de aulas com um bom arejamento, uma cantina, casas de banho e um pátio de recreio para as crianças.

    A maioria das condições exigidas não são cumpridas pelos proprietários das escolas, embora exista um grupo direccionado para fiscalizar as mesmas instituições.

    “Algumas escolas têm as condições mínimas, outras mais ou menos, mas já dá para acudir a situação que estamos a atravessar.

    A repartição está a obrigar os proprietários dessas escolas a tratarem um alvará. Em parceria com o Ministério criou-se uma comissão para verificar as actuais condições das escolas. Não temos o direito de fechar uma escola, quando detectamos que as condições não satisfazem encaminhamos o processo à Direcção Provincial, que por sua vez faz a fiscalização e autoriza o encerramento da mesma. Infelizmente já tivemos dois casos”, disse a directora da repartição municipal de Educação do Cazenga.

     

    Fonte: O País

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    1 COMENTÁRIO

    1. Amigos, gostaria de um apoio de vocês. Meu nome é Fábio Fonseca, eu sou brasileiro. Durante alguns anos realizei um trabalho social na Ação Comunitária do Brasil, onde conheci e me tornei amigo do Francisco Cruz. Acontece que perdemos o contato e eu gostaria muito de poder voltar a me comunicar com ele. Vocês poderiam me ajudar a contactá-lo? Meu e-mail é fabiocoltrane@yahoo.com.br
      Desde já, muito obrigado por sua atenção.

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