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    Volta a euforia nos diamantes

    O sector dos diamantes em Angola está a atravessar uma fase de relançamento, depois da crise financeira mundial ter obrigado projectos e empresas diamantíferas, antes rentáveis, a fechar, perante os preços baixos e a ausência de investimentos. Este ano, as perspectivas revelam-se promissoras e as empresas paralisadas regressam à   produção.
    “Conseguimos controlar a crise e relançar a actividade de muitas empresas que estavam paralisadas e retomar a prospecção, uma vez que, com preços baixos, não podíamos convidar os investidores”, notou o presidente do Conselho de Administração da Empresa de Diamantes de Angola (ENDIAMA), Carlos Sumbula. Neste momento, a atenção está voltada para a necessidade de fazer novas descobertas de jazidas de diamantes e reforçar a área social das empresas do sector.
    Sinal de que o sector ganha um novo fôlego é o facto de as receitas do sector estarem a crescer significativamente. “Em termos de receitas, andamos à volta dos mil milhões de dólares, isto a contar com todas as associadas e incluindo os custos operacionais”, sublinhou.
    O director adjunto para as operações de Chitotolo, Pedro Galiano, lembrou que, depois da crise de 2008, houve uma contracção do mercado devido à pouca liquidez para a compra de diamantes. Por isso, grande número de projectos fechou e a quantidade de diamantes no mercado internacional diminuiu.
    “Se, ontem, a situação foi de contracção no sector, hoje o cenário é de verdadeiro relançamento”, referiu Pedro Galiano ao Jornal de Angola.
    Apesar disso, o sector não está livre de constragimentos, assinalou Ganga Júnior, director-geral do Projecto Catoca. A prová-lo está a ausência de um plano geológico nacional, que decorre da falta de informação mineira pormenorizada, devido à inexistência de um levantamento geológico nacional. Além disso, a carta carece de actualização, o que faz com que os próprios investidores sejam obrigados a realizar um conjunto de trabalhos de base que, na perspectiva de Ganga Júnior, deviam ser da responsabilidade do Estado.
    “Se existissem cartas bem actualizadas, o Estado ganhava dinheiro, porque ia vendê-las a quem quisesse investir e ia fazê-lo de acordo com os seus próprios interesses estratégicos”, argumentou, afirmando que o banco de dados com todas as informações geológico-mineiras necessita de ser actualizado.

    As minas anti-pessoais deixadas pela guerra são outra contrariedade com que o sector se debate.

    Desafios do sector

    Os desafios são grandes. A estrutura do kimberlito Catoca é complexo e tem vários tipos de minérios, com características e teores diferentes, o que exige técnicas de trabalho diferentes e aperfeiçoadas.
    A prospecção em horizontes até, pelo menos, 800 metros, deve ser realizada, até porque neste horizonte se tem como superfície das chaminés cerca de 10 a 12 hectares, o que pressupõe que por baixo existe a possibilidade de ampliar a vida da mina. Relativamente ao projecto Catoca, existe a necessidade de ampliar as reservas não só no kimberlito de Catoca mas também da própria concessão, que é cerca de 64 quilómetros, e do levantamento geofísico realizado em toda a área da concessão.
    As anomalias encontradas ao longo da concessão foram convertidas em minas, numa altura em que estas se encontram em fase de averiguação, o que torna possível a ampliação das reservas, mesmo com a utilização das infra-estruturas actualmente disponíveis.
    Ganga Júnior anunciou que a empresa já começou a trabalhar em mais setes concessões novas, na Lunda-Sul, Lunda-Norte e Kwanza-Sul e nas imediações de Malange.

    Exploração diamantífera

    O projecto tem um programa que se estende até 2034, que pretende extrair 150 milhões de metros cúbicos de estéril, remover e tratar 207 milhões de toneladas de minério, o que corresponde a cerca de 140 milhões de quilates.
    A desmonta e transporte de estéril em 2012 deve situar-se nos 90 milhões de toneladas de quilómetros e, entre 2015 e 2016, a quantidade deve atingir os 61 milhões de toneladas de quilómetros de estéril a ser transportado.
    Mas aquele que é provavelmente o maior desafio consiste em garantir a rentabilidade da empresa, estabilizando o custo de produção e fazendo com que o quilate não se eleve demasiado e os custos globais não aumentem. A optimização do transporte do minério para as centrais de tratamento é outro dos desafios do projecto.
    Com um programa a longo prazo de 20 anos, o projecto pretende fazê-lo assentar na melhoria operacional, aumento das reservas e diversificação das operações, e verticalização das próprias operações no Catoca.
    O projecto Tchiuzo, uma nova mina com reservas comprovadas e cerca de 20 milhões de quilates até à profundidade de 250 metros, vai passar para o projecto específico e ver se as actividades começam a ser realizadas no campo.

    Projecto Chitotolo

    No projecto Chitotolo, as operações têm estado a correr a bom ritmo e está a ser rentável, uma vez que todos os investimentos aplicados têm sido lucrativos. “Todas as nossas estratégias têm sido bem sucedidas”, disse ao Jornal de Angola o director adjunto do projecto, Pedro Galiano. Numa altura em que se verifica o aumento de estéril e cascalho, houve a necessidade, por parte do projecto, de combinar esse aumento com a aquisição de máquinas com maior capacidade de produção, de modo a facilitar o processo de remoção de cascalho e estéril a baixo custo. No total, o projecto do Chitotolo fez um investimento de 17 milhões de dólares. “Com este investimento, pretendemos aumentar em cerca de 30 a 40 por cento a nossa capacidade de produção, o que também significa um aumento em termos de retorno”, notou Pedro Galiano.
    O projecto prevê tratar este ano cerca de um milhão de metros cúbicos de cascalhos com um teor avaliado em 0,95.
    Relativamente ao emergente segmento da joalharia no país, disse ser importante para os passos que o sector pretende dar nos próximos anos e apontou as zonas de Lucapa e Chitotolo como sendo férteis na produção de diamantes para esse fim. Cerca de 95 por cento das pedras usadas em joalharia provém dessas áreas e de outras kimberlíticas como as de Kamonzanza.

    Associação de Produtores

    O presidente da Associação de Países Africanos Produtores de Diamantes (ADPA), Edgar de Carvalho, disse que o momento por que o sector diamantífero passa é tranquilizador, esperando que a actual situação de crise orçamental que a Europa atravessa seja solucionada.
    “As perspectivas são boas, mas esperamos que esta crise que afecta a Europa seja rapidamente ultrapassada, pois o mercado dos nossos diamantes é o europeu, embora tenhamos o mercado da emergente Índia e China, que são excelentes compradores”, assinalou.
    “A actual situação por que o sector diamantífero está a passar é tranquilizadora. O preço do diamante é estável. Isso permite que os projectos arranquem e tenham uma vida sustentada”, sublinhou.
    Relativamente à velha história dos diamantes de sangue, parece que o problema está a ser ultrapassado com o processo de certificação dos diamantes brutos, através do processo Kimberley, o que faz com que 99 por cento dos diamantes comercializados em todo mundo sejam certificados.
    “Já são poucos os diamantes comercializados oriundos de zonas em conflito.
    Temos ainda alguma actividade fora do recomendável, mas já não há diamantes vendidos para alimentar guerras. Isso acabou”, assegurou o presidente da ADPA.

     

    Fonte: Jornal de Angola

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