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    Intoxicações chegam às escolas do Uíge

    Mais de 200 alunos de várias escolas do segundo ciclo do ensino secundário e institutos médios, no município do Uíge, desfaleceram na terça-feira, por inalação de substância tóxica desconhecida, uma situação que gerou pânico na cidade.
    Os pais e encarregados de educação dos alunos que estudam da parte da manhã, corriam em direcção às escolas onde se encontravam os seus filhos, para tentarem saber o que se passava na realidade.
    A escola do segundo ciclo do ensino secundário “11 de Novembro” registou o maior número de ocorrências. Outros casos registaram-se na escola 323 e no Instituto Médio de Administração e Gestão.
    No hospital central do Uíge, onde as vítimas, maioritariamente raparigas com idades entre os 15 e os 22 anos, recebem assistência médica, milhares de pessoas, entre familiares, colegas e amigos das vítimas, concentraram-se no átrio. Ao longo da vedação do hospital, um outro grupo aguardava notícias sobre o estado clínico das vítimas internadas.
    O director clínico do hospital disse que nenhuma das crianças e jovens que deram entrada naquela unidade sanitária corria perigo de vida. Carlos Diamantino Soares justificou que, apesar disso, “é necessário que os doentes permaneçam algum tempo no hospital, para serem melhor observadas, tendo em conta que as substancias tóxicas inaladas pelos pacientes ainda são desconhecidas.
    Falando aos familiares, que se encontravam desesperadamente concentrados no átrio do hospital, o médico pediu que se mantivessem serenos e atentos aos demais membros da família que apresentarem sintomas idênticos.
    Na segunda-feira, sete jovens (cinco meninas e dois rapazes) também perderam a consciência, no município do Negage, por intoxicação, tendo sido encaminhadas para o hospital local. O episódio aconteceu em três das 10 salas que a escola possui.Viriato Afonso Kimanga, subdirector pedagógico da Escola do segundo ciclo de ensino “São Francisco de Sales” afecta a Igreja Católica, local da ocorrência, informou que os alunos se sentiram mal e de repente começaram a desmaiar.

    “Depois de os ver desmaiados, pedi aos alunos para que saíssem todos da sala. Senti, no momento, um cheiro esquisito, parecia um cabo eléctrico a queimar. Fiquei preocupado com a situação e mandei chamar um electricista para analisar a sala, mas enquanto esperava por ele, alguns alunos da turma ao lado também começaram a desmaiar e tivemos de levá-los com urgência para o hospital”, narrou.
    Maiamba Astrides, 21 anos, uma das vítimas internadas no hospital municipal do Negage, disse que sentiu a garganta a doer e um cheiro esquisito que não conseguiu identificar. “Não passaram dois minutos, senti-me intoxicada, já não conseguia respirar e cai”, disse a estudante da 10ª classe.
    José Carlos da Costa sentia picadas no peito. “Quando entrei na turma, alguns colegas já sentiam alguns sintomas estranhos e, de repente, alguns começaram a perder a consciência e outros sentiam tonturas”, disse.
    “Eu não sentia nada”, continuou, “foi por isso que me dei ao luxo de ir acompanhá-los ao hospital, onde, logo à entrada, também passei mal, senti muita tontura, batimentos cardíacos acelerados e muita irritação na garganta. Depois desmaiei”, acentuou.
    O estudante, de 20 anos de idade, disse que não sentiu cheiro nenhum, mas explica que a sala estava abafada, por isso não conseguia respirar. “Agora já me sinto bem, mas com algumas picadas no peito”, concluiu.
    O director geral do hospital do Negage disse que os estudantes chegaram à referida unidade em estado crítico, com muitas vertigens. “Agora todos eles recuperam positivamente e estão fora de perigo”, disse. Luzaiadio José referiu que o hospital está bem servido de medicamentos.

    Ndalatando em alerta

    A direcção provincial da Educação e a administração municipal de Cazengo, província do Kwanza-Norte, traçaram medidas para prevenir a onda de intoxicações que se alastra um pouco por todo o país. Segundo uma nota de imprensa distribuída ontem, em Ndalatando, as medidas de prevenção passam pelo reforço das medidas de segurança nas escolas.
    O documento, distribuído no final de um encontro entre a direcção provincial da Educação e directores de 40 escolas de Ndalatando, refere que para prevenir tais situações, as direcções escolares, o corpo docente e administrativo devem reforçar a vigilância nas suas áreas de jurisdição, identificando e denunciando todos os indivíduos suspeitos.
    Para o efeito, refere a nota, foram dadas ordens no sentido de todos os alunos pendurarem na bata os cartões de identificação.
    O documento da direcção provincial da Educação que temos vindo a fazer referência  informa que o governo local tem acompanhado com profunda preocupação a onda de intoxicações que ocorrem nas escolas de algumas províncias do país, com realce para Luanda, onde o fenómeno está a atingir proporções alarmantes.

    Fonte: Jornal de Angola

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