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    Tancos. Ex-PGR confirma alerta quatro meses antes do furto

    A denúncia anónima que alertava para eventuais “ações” na “zona centro do país”, eventualmente em instalações militares, foi “arquivada” pelo juiz Ivo Rosa.

    A ex-procuradora-geral da República (PGR) confirmou esta terça-feira a denúncia anónima, quatro meses antes do furto de Tancos, que alertava para eventuais “ações” na “zona centro do país”, eventualmente em instalações militares, e que foi “arquivada” pelo juiz Ivo Rosa.

    Na audição na comissão parlamentar de inquérito ao furto de Tancos, ocorrido em junho de 2017, Joana Marques Vidal afirmou que essa denúncia passou por três juízes, no Porto e Leiria, que se declararam “incompetentes” para decidir, e no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).

    No TCIC, segundo relatou a antiga procuradora-geral, o juiz Ivo Rosa considerou que se tratava de indícios “demasiado vagos” para se avançar numa investigação que passariam por ações intrusivas, como escutas, por exemplo.

    Questionada por Telmo Correia, CDS-PP, e Ricardo Bexiga, do PS, sobre se o curso dos acontecimentos não teria sido diferente se tivesse sido investigada esta denúncia, Joana Marques Vidal admitiu essa probabilidade, embora também tenha dito que hoje, depois de ser saber o que se passou em Tancos, é “mais fácil” ter uma opinião, formar juízos.

    E recordou, por duas vezes, que a denúncia mencionava uma “ação em zonas do centro do país, relacionada com material que podia estar armazenado em instalações militares”, com “elementos demasiadamente superficiais” e “pouco credíveis”.

    O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos, foi noticiado em 29 de junho de 2017 e parte do equipamento foi recuperado quatro meses depois.

    O caso ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do crime.

    Este processo levou à demissão, ainda em 2018, do ministro da Defesa Nacional, José Azeredo Lopes, e do chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte.

    A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos, pedida pelo CDS-PP, vai decorrer até junho de 2019, depois de o parlamento prolongar os trabalhos por mais 90 dias.

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