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    Corte da nota de risco da Espanha

    A agência norte-americana de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) baixou o “rating” da Espanha de A para BBB+, um corte de dois níveis que é justificado pelos receios com a trajectória das contas públicas, bem como da evolução da economia.
    “A trajectória orçamental de Espanha deverá deteriorar-se, numa altura de contracção da economia”, escreve a S&P num relatório divulgado a respeito.
    A agência mostra preocupação com a situação da banca do país, estimando que o governo de Mariano Rajoy terá que providenciar “mais ajuda ao sistema financeiro”. Deste modo, “existem riscos consideráveis que o défice orçamental de Espanha suba ainda mais”, alerta a S&P.
    A Espanha terminou 2011 com um défice de 8,5 por cento e negociou com Bruxelas, sede da União Europeia (UE) uma descida este ano para um valor menos pesado (5,3 por cento) do que estava previsto (4,4). Contudo, previsões recentes do FMI apontam para um défice de seis por cento este ano e 5,7 por cento em 2013, quando o compromisso de Espanha passa por descer o défice para três por cento nesse ano.
    Isto acontece numa altura em que a economia espanhola está já em recessão (queda de 0,4 por cento no primeiro trimestre). As previsões reveladas hoje pela S&P apontam para que a economia espanhola contraia 1,5 por cento este ano e 0,3 em 2013, quando antes indicava um crescimento positivo. Apesar de cortar o “rating” em dois níveis, a S&P ameaça rever ainda mais em baixa a classificação da dívida espanhola, já que a perspectiva continua negativa.
    “Podemos considerar um novo corte se enfraquecer o apoio político à actual agenda de reformas”, alerta a S&P, avisando também que o “rating” poderá cair ainda mais se “a posição externa de Espanha piorar, ou se a competitividade da economia não continuar a aproximar-se dos seus parceiros comerciais, o factor chave para a Espanha regressar a um caminho de crescimento sustentável da economia e criação de emprego”.

    Cortes sucessivos

    Este corte  ameaça colocar a Espanha ainda mais no centro da crise europeia, já que têm crescido as incertezas nas últimas semanas sobre a capacidade do país se financiar nos mercados. Estes receios têm-se reflectido na subida dos juros da dívida pública espanhola. Nos últimos dias, a tensão até tem decrescido (juros a 10 anos desceram dos seis por cento), mas o corte de “rating” pela S&P promete ter um impacto negativo nos mercados. O corte de “rating”, que de alguma forma já era aguardado pelos analistas, foi anunciado depois do fecho dos mercados norte-americanos.
    Antes da eclosão da crise da dívida soberana na Europa, a Espanha tinha a classificação máxima de todas as agências. O “rating” actual da S&P já se encontra sete níveis abaixo de AAA e fica apenas a três níveis de BB+, uma notação financeira já considerada de especulativa, ou “lixo”.
    O primeiro corte à Espanha foi efectuado pela S&P em Janeiro de 2009, com a notação a baixar de AAA para AA+. Em 2010 ocorreu mais um corte, também em um nível, para AA, enquanto em 2011 ocorreu outro, para AA-. O anterior corte de “rating” da S&P aconteceu já este ano, a 13 de Janeiro, quando a notação caiu dois níveis para A, num dia em que a agência reviu a notação de diversos países da Zona Euro.

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