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    O universo vibrante do artista plástico angolano Guilherme Mampuya

    Nesta edição de Vozes de Angola, destacamos o percurso do artista Angolano Guilherme Mampuya.

    Começou por ser advogado, mas a arte falou mais alto. Guilherme Mampuya deu asas à sua vocação profunda e tornou-se num dos artistas plásticos africanos mais em voga.

    “Em 2002, comecei a trabalhar num emprego convencional como assessor jurídico de uma empresa, mas, infelizmente, aquele ambiente de gravatas… Não é por mal, mas vi outros artistas a promover exposições, esse mundo colorido. Senti que esse mundo existe em mim”, contou à euronews Guilherme Mampuya.

    Uma obra eclética, entre Picasso e a cultura africana
    Da cultura africana aos grandes mestres da pintura moderna, a obra do artista angolano cruza várias fontes de inspiração.

    “Eu bebi as coisas boas do Ocidente, o Picasso, o Dalí, mas também o que é dos nossos antepassados, das nossas culturas e vivências. Cruzei e bebi essas coisas. Também coloquei nas minhas artes o que aprendi na faculdade de direito, a auto-censura, a pesquisa, a lógica. Criei essa mistura de arte, lógica, comércio, tudo ao mesmo tempo”, explicou o artista angolano.

    A obra de Guilherme Mampuya não passou despercebida aos olhos dos investidores privados. A companhia de seguros Fidelidade Angola investiu dezenas de milhares de euros para adquirir obras de Mampuya.

    “Já investimos mais de 20 milhões de kwanzas com o Guilherme Mampuya. Foi algo que ele ainda nunca tinha pensado. Com o seu entusiasmo de artista, ele ficou fascinado com o projeto: pintar as sete maravilhas naturais de Angola. E de facto, temos essa coleção no acervo da empresa. As obras ficaram fantásticas”, considerou Paulo Edra, conselheiro institucional da Fidelidade Angola.

    As sete maravilhas de Angola
    Entre as sete maravilhas de Angola estão as quedas de Calandula, um mergulho de cem metros no rio Lucala, e as lendárias Pedras Negras, onde os combatentes angolanos resistiram ao domínio colonial português.

    O crítico de arte Carlos Baptista é um grande admirador da obra de Mampuya. “Falar de Guilherme Mampuya, em síntese, é falar de ecletismo artístico, acompanhado de alta honestidade intelectual. É também falar de humanismo. O mundo adora-o: a Coreia do Sul, Paris, o Brasil, Portugal…”, sublinhou Carlos Baptista.

    Uma obra que reflete a história do país
    Além da dimensão estética, a obra do artista angolano conta-nos a história de Angola.

    “A história da colonização, da escravatura, do comércio triangular. Aqui, nesta zona estávamos expostos. Claro que, quando somos expostos, recebemos todas as influências, tanto negativas como positivas. Tento exprimir alegria, paz, esperança, fé, luta, fé no amanhã”, sublinhou o artista.

    O artista angolano está de olhos postos no futuro e quer construir um museu com as obras de artistas africanos. “Vai ser um panteão com todas as grandes figuras de África. Estamos a falar de quatro hectares. Já temos um espaço. Está tudo em marcha”, disse à euronews Guilherme Mampuya.

    O artista quer deixar uma marca singular no novo aeroporto de Luanda. Uma forma de celebrar uma arte virada para o mundo. “Quero pintar esta torre. É o meu sonho. Pintar aquela torre, Receber os turistas que chegam, com aquele olhar bem-vindo a Angola com aquela luz, com a nossa força”, conclui o artista angolano.

    EURONEWS

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