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    Oposição venezuelana bloqueou Caracas e outras cidades em protesto contra repressão e assassinatos

    Milhares de pessoas bloquearam esta sexta-feira as ruas de Caracas e de outras cidades, em protesto contra a repressão e o assassinato de manifestantes pelas forças de segurança.

    Milhares de pessoas bloquearam esta sexta-feira as ruas de Caracas e de outras cidades, em protesto contra a repressão e o assassinato de manifestantes pelas forças de segurança.

    Sob o lema “nem mais um morto”, o protesto, apelidado de “Tranca da indignação”, segundo a aliança opositora Mesa de Unidade Democrática “foi um sucesso em todos os (23) Estados” do país. “A disciplina e organização são a chave. Hoje conseguimos demonstrar com sucesso ambos elementos”, disse o deputado opositor Juan Requesens, sublinhando que os venezuelanos têm que preparar-se para mais ações.

    Se os ditadores continuarem a reprimir a população, haverá que bloquear durante dias e não por horas”, frisou.

    Em Caracas, a população bloqueou as ruas de 30 zonas da cidade, incluindo o centro da capital e outras localidades tradicionalmente afetas ao chavismo, como El Valle, Caricuao, La Pastora e El Cementério, entre outras.

    Perante o olhar indiferente das forças de segurança, na Avenida Urdaneta, centro de Caracas, alegados simpatizantes do regime atiraram três engenhos explosivos contra os manifestantes, ocasionando que pelo menos uma pessoa ficasse ferida, uma jovem que fraturou um pé. Os manifestantes tentaram, sem sucesso, apanhar os atacantes, que provocaram ainda danos nas porta de um banco local.

    Em Chacaíto, no leste de Caracas, funcionários da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) atacaram os manifestantes com granadas de gás lacrimogéneos. Um deputado opositor, Richard Blanco, denunciou à imprensa que foi ameaçado de morte por um comissário da PNB. Por outro lado, no centro de Caracas, “coletivos” (motociclistas armados afetos ao regime) tentaram entrar à força no edifício administrativo do parlamento.

    Ainda em Caracas, em La Carlota, funcionários da Base Aérea Francisco de Miranda, lançaram gás lacrimogéneo contra os manifestantes que, na auto-estrada Francisco Fajardo, protestam contra o assassinato, à queima-roupa, quinta-feira, de um jovem de 17 anos, pelas forças de segurança.

    Os manifestantes montaram resistência e usaram três camiões para bloquear a auto-estrada. Incendiaram as viaturas, atiraram cocktails molotov (explosivos caseiros) e derrubaram a grade que circunda toda a base aérea.

    Venezuela enfrenta “mãe de todas as manifestações”

    Maduro está disposto a resistir até ao fim e pôs militares e milícias nas ruas. A oposição, por sua vez, promete a maior manifestação de sempre contra o regime. O desfecho é uma incógnita.

    Na Venezuela, as manifestações a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde 1 de abril último, depois de o Supremo Tribunal de Justiça divulgar duas sentenças que limitavam a imunidade parlamentar e em que aquele organismo assumia as funções do parlamento.

    Entre queixas sobre o aumento da repressão, os opositores manifestam-se ainda contra a convocatória a uma Assembleia Constituinte, feita a 01 de maio último pelo Presidente Nicolás Maduro. O número oficial de mortos é de 76. (Observador)

    por Lusa

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