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    Médico manifestou o desejo de colaborar com autoridades

    Director-geral da Organização Não Governamental italiana Dante Carrorro (ao centro) Fotografia: Felipe Botelho

    O director-geral da Organização Não-governamental Italiana CUAMM (Médicos com  África), Dante Carrorro, reafirmou ontem, ao Jornal de Angola, a sua intenção de continuar a colaborar com as autoridades sanitárias do país no reforço das medidas de prevenção e combate às doenças relacionadas com a saúde materno-infantil.
    O responsável disse que, desde 1997, o CUAMM presta serviços de suporte ao hospital geral do Uíge e aos dos municípios de Negage, Songo, Damba e Maquela do Zombo e contribui para a formação de novos técnicos no Instituto Médio de Saúde.
    Carrorro defendeu a instalação, com urgência, de um centro de referência para o tratamento da fístula obstétrica no município da Damba, devido aos resultados até agora obtidos na cura desta doença.

    Um médico herói

    Paulo Parimbelli é um médico de nacionalidade italiana especializado em clínica geral, ginecologia, obstetrícia e cirurgia, que chegou ao Uíge em 1997 e se instalou no município da Damba ao serviço da CUAMM.É tido como venerando “médico das mulheres e das crianças”. Na Damba, onde é muito acarinhado, já tratou, desde 2006, cerca 230 mulheres que padeciam de fístula obstétrica.

    O médico revelou que todas as semanas realiza, pelo menos, 20 intervenções cirúrgicas a mulheres com problemas de fístulas, provenientes de várias regiões do país, como Malange, Bengo e Luanda. Desde o ano passado, cerca de 124 mulheres que sofriam desta doença foram submetidas a operações cirúrgicas, 97 das quais já estão curadas.
    A única forma de curar a fístula obstétrica é a intervenção cirúrgica e, por isso, defendeu a construção de uma unidade especializada na Damba para aumentar a capacidade de internamento e melhorar as condições de trabalho.
    “Opero no hospital apenas com condições básicas e muitas das pacientes que trato enchem as salas de internamento da cirurgia do hospital, criando sérios constrangimentos ao internamento de outros doentes”, disse o obstetra/cirurgião italiano.
    Recentemente, a província do Uíge realizou uma conferência sobre fístula obstétrica, tendo os cerca de 200 participantes considerado a doença como um verdadeiro problema de Saúde Pública.
    Por isso, deve merecer a atenção do Executivo e governos provinciais, dada a sua abrangência em termos culturais, psicológicos, religiosos e sociais que, em muitos casos, estão relacionados com a pobreza.
    A conferência defendeu, também, a criação de uma unidade sanitária pública que deve contribuir para a redução dos custos no tratamento da enfermidade.

     

    Fonte: JA

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