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    Há mais crianças em situação de risco nas lixeiras de Angola

    No Dia da Criança Africana, as autoridades mostraram-se preocupadas com a situação na província angolana do Bengo. Está a aumentar o número de crianças que trocam as brincadeiras pelas lixeiras, onde procuram comida.

    Há cada vez mais crianças a passar o dia nas lixeiras à procura de comida, na província do Bengo. Faltam às aulas para virem para aqui, devido à pobreza extrema das famílias.

    A DW África constatou a situação num dos amontoados de lixo, em Caxito. O que comeram desde que se levantarm? “Nós não comemos”, respondem as crianças.

    Uma vendedora ambulante, que pediu o anonimato, vê todos os dias as crianças na lixeira e lamenta a situação. “É muito triste, as crianças têm pai, têm mãe e ficam na rua.”

    Desnutrição afeta 1,9 milhões de crianças
    Em maio, um relatório das Rede Global Contra as Crises Alimentares estimava que 1,9 milhões de crianças angolanas, menores de 5 anos, sofrem de múltiplas formas de desnutrição. Isso provoca bastantes problemas de saúde à medida que crescem.

    O director do Instituto Nacional da Criança no Bengo, Luciano Chila, pede um trabalho conjunto com os pais para tirar as crianças das lixeiras e levá-las para as escolas.

    “Todo o cidadão desta província, em qualquer lugar, quando vê um filho de outra pessoa a ir à lixeira recolher este tipo de produto, logo, deve recorrer aos pais e informar o ato que o seu filho está a praticar”, apela.

    Proteger as crianças é responsabilidade do Estado
    Mas o jornalista Manuel Godinho diz que isso não chega. O profissional lembra que proteger as crianças é ultimamente uma responsabilidade do Estado. Segundo Manuel Godinho, o trabalho do Governo deve incidir na erradicação da pobreza nas famílias – só assim as crianças deixarão de ir para a lixeira.

    O dinheiro recuperado no combate à corrupção pode ser usado para ajudar estas famílias, sugere o jornalista. “As pessoas não suportam a fome, vão sempre procurar um escape para enganar a própria fome, quer se alimentem bem ou mal. E agora mesmo que estamos a falar que recuperamos alguns milhões de dólares, devíamos começar a pensar em criar bolsas de pobreza para ver como dar algum conforto a estas famílias.”

    A diretora do Gabinete da Ação Social, Família e Igualdade do Género, Felisberta da Costa, garante que o Governo, sempre que pode, apoia as famílias carenciadas. “O governo quando tem as possibilidades de apoiar, nós apoiamos. Hoje também os nossos orçamentos emagreceram e não tem sido fácil nós darmos sempre”, justifica.

    Na província, “temos apoiado as cooperativas onde são enquadradas as mulheres, porque, se nos agruparmos em cooperativas e recebermos os apoios, podemos melhorar o autossustento das famílias”, conclui.

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    FonteDW

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