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    Gaza: comunidade internacional exige investigação a mortes de civis

    Uma distribuição alimentar na Faixa de Gaza terminou com a morte de 110 palestinianos, segundo o ministério da saúde do Hamas. A maioria dos feridos foi transferida para o hospital Al-Shifa com ferimentos por bala, segundo informações de médicos no local. A comunidade internacional volta a sublinhar a urgência de um cessar-fogo e exige uma investigação independente.

    Cartões de ajuda humanitária manchados de sangue e feridos transportados em carrinhas de madeira puxadas por cavalos, devido à falta de combustível: este é o cenário em que resultou uma distribuição de ajuda humanitária controlada pelo exército israelita na Faixa de Gaza, como revelam imagens do canal de televisão Al-Jazeera, um dos poucos meios de comunicação com jornalistas no terreno.

    Esta quinta-feira 29 de Fevereiro, em Rafah, 110 palestinianos morreram ao tentar recuperar sacos de provisões durante uma distribuição alimentar, de acordo com dados do ministério da saúde do Hamas. Vídeos amadores, divulgados pela Al-Jazeera e relatados pelo jornal Le Monde, mostram um movimento de recuo da multidão no momento em que se ouvem disparos.

    Soldados israelitas posicionados ao longo da estrada para “assegurar um corredor humanitário”, sentiram-se “ameaçados” por um grupo de palestianos, segundo o exército israelita que assume ter disparado, mas nega tê-lo feito na direcção da distribuição alimentar.

    Segundo as Forças de Defesa de Israel, as mortes devem-se a movimentos de pânico da população e ao facto de alguns condutores dos camiões terem forçado a passagem, atropelando civis. Um testemunho relata à agência France-Presse que alguns “camiões de ajuda aproximaram-se demasiado perto dos tanques do exército israelita presentes no local e a multidão precipitou-se para junto da ajuda alimentar. Os soldados dispararam contra a multidão porque as pessoas aproximavam-se demasiado dos tanques.”

    A comunidade internacional voltou a sublinhar, no dia seguinte, 1 de Março, a urgência de um cessar-fogo. O Conselho de Segurança da ONU reuniu-se de urgência e à porta fechada, depois do secretário geral da organização, António Guterres, ter apelado a uma “investigação independente eficaz”.

    Joe Biden, Presidente dos Estados-Unidos, país aliado de Israel, reconheceu que este drama complicará as negociações sobre um eventual cessar-fogo e exigiu “respostas” ao governo de Benjamin Netanyahu.

    A Itália e a Espanha condenaram este drama em Gaza, insistindo também na “urgência” de um cessar-fogo, assim como a Alemanha que pede a Tel-Aviv uma “investigação completa”. A França denunciou os tiros contra civis “tidos como alvos por soldados israelitas” e exigiu “uma investigação independente”.

    Esta sexta-feira de manhã, o chefe da diplomacia francesa, Stéphane Séjourné, pediu na rádio pública France Inter uma investigação ao ocorrido.

    “Desde há várias semanas que a situação humanitária é catastrófica e o que está a ocorrer é impossível de se defender ou justificar. Israel deve ouvi-lo e isto deve acabar”, exclamou o ministro francês dos Negócios Estrangeiros.

    A China, por sua vez, apelou Israel a garantir a entrada em Gaza da ajuda humanitária, dependente da autorização do Governo israelita.

    Pelo contrário, o Estado hebreu tem acumulado os obstáculos às agências das Nações Unidas encarregadas da distribuição humanitária no enclave palestiniano, que acusa de serem infiltradas pelo Hamas.

    Em Fevereiro, o volume de ajuda diminui de 50%, segundo Philippe Lazzarini, dirigente da UNRWA, agência das Nações Unidas em Apoio aos refugiados Palestinianos.

    A última coluna de ajuda humanitária da UNRWA autorizada a aceder à Faixa de Gaza entrou no enclave a 21 de Janeiro.

    Segundo o Programa Alimentar Mundial (PAM), um quarto da população no território está à beira da fome e 15% das crianças de menos de dois anos sofrem de “desnutrição aguda”, “o pior nível de desnutrição infantil no mundo”, alertou no Conselho de segurança da ONU Carl Skau, director executivo adjunto da organização, a 27 de Fevereiro.

    “Se nada mudar, o risco de fome tornar-se-à realidade”, advertiu Lazzarini, avançando ainda que as soluções são conhecidas e que “dependem apenas de uma decisão política”.

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    FonteRFI

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