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    Uma vida de devoção eterna à Mamã Muxima

    Josefa Nogueira Pedro

    Corria o ano de 1992, quando Josefa Nogueira Pedro ficou viúva. Sem emprego e com sete filhos para criar, recorreu à Nossa Senhora da Muxima, acreditando que esta a podia ajudar a ultrapassar as dificuldades.
    Dezanove anos depois, Josefa Nogueira Pedro olha para trás e diz que acreditar no poder da Mamã Muxima foi uma “aposta ganha”, pois, com a ajuda da padroeira, conseguiu criar, educar, dar instrução, saúde, felicidade e paz aos filhos. A reportagem do Jornal de Angola encontrou-a no Santuário da Nossa Senhora da Muxima, onde decorreu, de 3 a 4 de Setembro, a tradicional peregrinação realizado anualmente, cujo lema foi “Família levanta-te e caminha”.
    “É preciso ter muita paciência e coragem para que os nossos pedidos sejam atendidos pela Mamã Muxima”, explica Josefa Nogueira Pedro, crente da paróquia de São Francisco de Assis, em Viana.
    No domingo, último dia da peregrinação, Josefa Nogueira Pedro estava alegre, em companhia de outras senhoras, a varrer o recinto onde decorreu a peregrinação.
    “Vim agradecer por todos os benefícios que a Mamã Muxima já me concedeu e fazer novos pedidos”, disse, acrescentando que “tenho sete filhos, sendo cinco meninas e dois rapazes. Os meus filhos estão todos a trabalhar, duas das minhas filhas e um filho são casados com pessoas que lhes fazem muito felizes”.
    Josefa Nogueira Pedro diz-se seduzida pela alegria e pela serenidade que a Mamã Muxima “derramou” no seu coração.
    “Quando estou aqui vejo pessoalmente a Nossa Senhora”, disse antes de acrescentar que a Santa está presente não só na Igreja, mas também nas estradas, nas casas, nas tendas para dormir e nas barracas de comes e bebes.

     “A Mãe está sempre junto de nós e consola-nos, alegra-se connosco e, quando estamos tristes, chora connosco e dá-nos toda a força e confiança para seguirmos adiante”, afirmou. “Mamã Muxima, gosto de ti, entrego tudo nas tuas mãos”, assegurou.  A devota diz que já perdeu a conta de vezes em que foi ao Santuário da Nossa Senhora da Muxima pedir ajuda e agradecer pela realização da sua vida e dos filhos, aos quais aconselhou a irem também ao Santuário agradecer por tudo de bom que tem acontecido. “Estou aqui desde quarta-feira. A peregrinação terminou hoje, domingo, mas, se me aperceber que alguma coisa em casa está mal, posso continuar durante 14 dias. Não me aborreço. Mesmos naqueles dias em que as coisas não estão a correr bem na família, venho à Mama Muxima pedir ajuda, paz, saúde, felicidade e sossego”, explicou. Josefa Nogueira Pedro confidenciou que, certa noite, teve um sonho que a deixou extremamente assustada. Na sua visão aparecia uma cobra gigante que começou a chupar o sangue e a morder a filha. “Vendo” aquilo, acrescentou, pegou na cobra e começou a esfregá-la em todo o seu corpo e o réptil ficou esquelético.

    Disseminação da alegria

    “No dia seguinte, fui ter com a minha filha a quem pedi emprestado o dinheiro da viagem para o Santuário da Muxima, onde orei muito e pedi à Mamã Muxima que expulsasse os espíritos maus que rondavam a minha família.  Graças a Deus, desde aquele dia nunca mais tive um sonho idêntico”, explicou a devota Josefa Pedro.
    “Pai protege a minha vida, protege-a, pai, tenho, tenho medo de cair, ó pai, não deixa não, protege a minha vida”. Assim começa um dos cânticos entoado por Josefa Nogueira Pedro e as amigas. E o cântico continua: “Pai, protege a caminhada, protege, pai, tenho medo de cair, ó pai, não deixa não, protege a caminhada.”
    Em certa passagem do cântico, as peregrinas pedem: “Pai segura o meu marido, segura, pai, ó pai, segura os meus filhos, segura, pai, pai, segura a minha casa, segura, pai, tenho, tenho medo de cair, ó pai, não deixe cair a minha família”. Enquanto cantam, as quatro peregrinas olham atentamente para a imagem da Mamã Muxima colocada no altar. “A ela podemos levar tudo, porque isto significa as nossas alegrias e as nossas esperanças, os nossos projectos, as nossas doenças e angústias e também os nossos momentos mais tristes, donde, às vezes, pensamos não poder nunca mais sair”, diz Josefa Nogueira Pedro.
    Para Marcela José dos Santos, amiga de Josefa Nogueira Pedro e peregrina da paróquia da Nossa Senhora de Sant´Ana, no Bairro Popular, em Luanda, a Mamã Muxima é importante na vida dos fiéis da Igreja Católica.
    “Ela diz-nos que nos ama muito e nós sabemos disso, por isso choramos de alegria”, explicou Marcela José dos Santos, acrescentando que, deste modo, “entrega tudo” à Mamã Muxima, em quem confia cegamente. A peregrinação à vila da Muxima é realizada desde o século XIX e junta, anualmente, milhares de fiéis católicos.

     

    Domingos dos Santos

    Fonte: Jornal de Angola

    Fotografia: Santos Pedro

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