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    Taxa de mecanização ainda é muito baixa

    A relação entre agricultura e máquinas em Angola continua a ser quase nula e o recurso às enxadas, catanas e outros pequenos instrumentos impõe-se como alternativa, o que faz com que esta actividade sirva apenas para sobrevivência, já que preparar a terra e fazer grandes lavouras com meios rudimentares requer imensa mão-de-obra e tempo.

    “Hoje, milhões de hectares são preparados manualmente e através da tracção animal, enquanto a mecanização no sector agrícola tarda”, disse ao Jornal de Angola, o presidente do Conselho de administração da Mecanagro, Carlos Alberto Jaime, que adiantou que a mecanização abrange apenas cinco por cento da agricultura feita no país. A Mecanagro pretende desenvolver esforços para ultrapassar a actual situação.

    “Pretendemos atingir os 15 ou 20 por cento este ano ou nos próximos, o que significa que, no mínimo, devíamos ter uma capacidade de mobilização de 600 mil hectares por ano. Isso já representaria cerca de 25 ou 30 por cento da nossa capacidade anual de intervenção a nível da mecanização”, disse.

    Para desenvolver a agricultura em grande escala e com suporte tecnológico, Angola deve atingir essa capacidade de mobilização e de intervenção de meios mecanizados.

    “O que se tem hoje está muito aquém do que se pretende. Esperamos que os próximos anos sejam decisivos para o processo de mecanização, importante para a produção em grande escala”, sublinhou.
    A mecanização da agricultura no país, assegurou Carlos Alberto Jaime, não se vai cingir à introdução de tractores. É necessário dotá-la de meios tecnológicos, desde a preparação das terras até ao processo de colheita.

    “Não se pretende apenas a preparação mecanizada das terras. Queremos introduzir sementeiras, mecanismos de tratamento fitossanitários, além das colheitas mecanizadas, já que existem produtos que, pela sua natureza, devem ser colhidos com a intervenção de equipamentos de colheita apropriados e mecanizados”, notou.

    Por exemplo, referiu, a colheita dos cereais e do algodão exige a utilização de equipamentos preparados para esse fim, pois fazê-lo à mão torna a cultura muito cara, sobretudo do ponto de vista da mobilização de mão-de-obra.

    “Temos de pensar na auto-suficiência alimentar, que depende da produção em grande escala. Isso só é possível com a mecanização da agricultura, isto é, a utilização das colheitadeiras, semeadores de alta precisão, bem como a aposta nos canais e técnicas modernas de irrigação. Com estes equipamentos, os índices de rentabilidade e a produção vão ser maiores”, referiu.

    Uso de aviação

    A Mecanagro tem disponíveis aviões para apoio à actividade agrícola. Com estes meios, pretende-se desenvolver um programa de combate às pragas e doenças a nível das grandes plantações.

    “Já estão disponíveis quatro aeronaves para a actividade. Independentemente do seu uso específico para a agricultura, os aparelhos vão servir também para o combate às grandes endemias na saúde pública e a doença de sono”, realçou.

    “Julgamos que, com a estruturação de uma empresa de aviação área específica, estaremos em condições de iniciar um combate às grandes doenças nas plantações e contribuir para a eliminação dos grandes vectores transmissores de paludismo”, acrescentou.

    Montagem de tractores

    Face à perspectiva de reanimação do sector agrícola, está em estudo a instalação no país de uma linha de montagem de tractores. Este projecto público-privado, referiu Carlos Alberto Jaime, está a ser desenvolvido e deve ser aprovado nos próximos meses.“O tractor é um meio indispensável para desenvolver a agricultura. É um meio caro, mas caso a fabricação e a mão-de-obra sejam locais, o seu preço pode ser baixo. Por isso, pretende-se desenvolver, tão logo o Executivo aprove, uma linha de montagem de tractores”, afirmou.

    Para a efectivação do projecto, já existe um financiamento externo, através da Campotec, representante de equipamentos para agricultura, na qual a Mecanagro detém 33 por cento.

    O Ministério da Agricultura quer instalar, de forma paulatina, brigadas especiais em campos agrícolas de grande dimensão, num esforço suplementar, além dos 40 milhões de dólares que se destinam à reabilitação das infra-estruturas e aquisição de alguns equipamentos para aumentar o parque de máquinas da empresa. “O nosso programa não está dissociado do programa de produção em grande escala do Ministério da Agricultura”, sustentou.

    Mecanagro em todo país

    Carlos Alberto Jaime disse que a empresa vai criar condições para preparar e apetrechar os parques das estações de desenvolvimento agrário com vista a uma intervenção eficaz e à altura das exigências no meio rural.

    A intervenção da Mecanagro deve estar dimensionada para o desenvolvimento da produção em grande escala, ficando as intervenções de menor dimensão reservadas às pequenas empresas. “Dessa forma, abriríamos uma janela para a criação de empresários em menor escala para acudir a essas necessidades. A intervenção da Mecanagro deve ser feita a um nível de grande escala, quer na reabilitação das infra-estruturas hidroagrícolas, valas de irrigação e drenagem, quer na necessidade de aumentar o cultivo e fazer lavouras de grande escala, com tractores acima dos 150 cavalos”, argumentou.

    O PCA da Mecanagro defendeu também a melhoria do crédito agrícola, assim como a diminuição das assimetrias. “Temos um mapa da carta dos solos de Angola, que permite, com especificidade, identificar as regiões mais aptas para determinadas culturas. Se, por exemplo, quisermos desenvolver a produção de arroz, sabemos que temos de ir ao Sanza Pombo e à região do Songo, a Malanje e às Lundas e Moxico”, explicou.

    A produção de milho tem como zonas privilegiadas o Huambo, Norte da Huíla e o Kwanza-Sul, no Mussende, enquanto a produção de carne aponta para a Camabatela e a de leite, o Waku Kungo e a Huíla.

    Perspectivas

    Cerca de 50 especialistas vão trabalhar na operação e manutenção de equipamentos, numa altura em que a Empresa de Mecanização Agrícola pensa abrir concursos para os grandes concessionários das marcas de equipamentos agrícolas. O sector da agricultura é ainda pouco atractivo no que toca à captação de mão-de-obra, mercê da parca remuneração, além do problema da capacitação, disse Carlos Alberto Jaime.

    O responsável lamentou o facto de muitos representantes venderem e não assistirem as máquinas. “Quem vende, deve fazer assistência pós-venda, mas notamos que essa componente não é tida em conta. As grandes marcas devem criar condições, oficinais para manutenção e assistência dos equipamentos a uma escala nacional”, realçou.

    A Mecanagro pretende mecanizar este ano 100 mil hectares, obrigando a mobilização anual de mil tractores de 80 a 150 cavalos de potência. Este indicador exige a criação de Brigadas Especiais de Engenharia Rural, que devem aumentar a disponibilidade de terras aráveis nos projectos de produção em grande escala seleccionados nas distintas províncias, sobretudo nas operações de derrube, ripagem e parcelamento de terrenos, com equipamento pesado.

    A empresa pretende ainda organizar os parques de máquinas nas Estações de Desenvolvimento Agrário com tractores de rodas de 80 a 90 cavalos.

    Fonte: Jornal de Angola

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