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    Segundo o BFA, escassez de divisas em Angola pode agravar-se em 2024, o que terá consequências sobre a situação macroeconómica e fiscal

    No seu mais recente relatório de conjuntura, o Banco de Fomento Angola (BFA) traça um quadro de desafios para economia em 2024 fortemente dependente da disponibilidade em moeda externa.

    Em 2024, o problema maior da economia angolana vai assim continuar a ser a escassez de divisas, pois nada para já aponta que esta oferta venha a melhorar significativamente.

    Irá deste modo manter-se a trajectória verificada em 2023 com uma tendência para o seu agravamento.

    No editorial que enquadra o “Relatório de Conjuntura IT 2024” elaborado pelo Gabinete de Estudos Económicos do BFA é dito logo nas primeiras considerações dos seus economistas, que 2024 “será novamente um ano em que a economia estará dependente do equilíbrio no mercado cambial”.

    Não sendo já uma novidade esta dependência, para este ano os analistas do BFA estão convencidos que a incerteza sobre o valor do kwaza será ainda maior do que tem sido nos anos anteriores.

    “Por um lado, os dados que vamos tendo sobre a demora no atendimento a pedidos de divisas e da novamente crescente relevância do mercado paralelo apontam para uma pressão para depreciação. Por outro, as importações de bens e serviços estão em quebra e o actual valor do câmbio já terá contribuído para tal.”

    A possibilidade do kwanza manter o seu valor é posta de lado, estando os economistas do BFA mais inclinados em admitir um cenário de depreciação da moeda angolana que vai, certamente, complicar ainda mais a vida das empresas e das famílias com o aumento da inflacção com todas as suas consequências sociais negativas que são fáceis de adivinhar.

    Alguma expectativa está, entretanto, dependente, segundo se pode ler nesta avaliação técnica do Gabinete de de Estudos Económicos do BFA em como é que o Executivo se irá financiar tendo em vista os avultados montantes necessários para implementar as despesas previstas no corrente OGE.

    “O Executivo espera, no seu Plano Anual de Endividamento, obter montantes bastante elevados em financiamento à Tesouraria, em moeda externa.

    Será difícil concretizar essas intenções – mas é de notar que também esperamos um nível de receitas fiscais maiores do que o esperado pelo Estado.”

    Sem esse financiamento, pode ler-se na análise, “o cenário que nos espera este ano é exactamente o que descrevemos, ou seja, um condicionalismo à pressão cambial que observamos agora, sem margem para que a venda de divisas do Tesouro ao mercado possa trazer alguma normalidade.”

    Como nota de esperança, o editorial, aposta na possibilidade do plano de endividamento vir a conhecer dias mais auspiciosos “o que traria, por um lado, mais divisas para o mercado, permitindo um Kwanza mais suportado e com mais previsibilidade, e por outro, maior disponibilidade fiscal para o Estado, e margem para fazer a reforma da subsidiação dos combustíveis de forma gradual.”

    A terminar estas considerações que fazem parte da nota introdutória do primeiro Relatório de Conjuntura para este ano produzido pelo BFA são identificadas três fontes que alimentam a réstia esperança atrás referida.

    São elas as seguintes:

    “i) Uma melhoria do ambiente de taxas de juro mais rápida, que permitisse maior disponibilidade para financiamento por bancos comerciais (com títulos ou de forma directa); ii) uma subida do preço do petróleo Brent para níveis mais perto dos USD 90-100; iii) maior financiamento à Tesouraria de instituições multilaterais, como o FMI e Banco Mundial.”

    É improvável um aumento do preço do petróleo para níveis entre 90-100 USD, uma vez que a oferta de petróleo de países não pertencentes à OPEP, nomeadamente os Estados Unidos, a Guiana, o Brasil e o Canadá, continua a aumentar.

    Por outro lado, o gabinete de estudos económicos do Banco Fomento Angola (BFA) calcula que a inflação em Angola continue acima dos 20% e chegue aos 24% no final de 2024, não baixando para menos de dois dígitos até 2025.

    Com a expectativa de que a economia cresça 2,9% (PIB) em 2024, um nível inferior à média africana de 3,8%, de acordo com as previsões do Banco Africano de Desenvolvimento, é muito provável que o equilíbrio macroeconómico e a sustentabilidade fiscal sejam difíceis de gerir em 2024.

    Por Editor Económico com RS em Luanda
    Portal de Angola

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