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    “Se Luanda fosse um Livro”

    Abro a janela dos meus Pensamentos e vejo entre Acácias Rubras e ruas diversas da cidade de Luanda , a fé e a esperança, a tristeza e a alegria, a resiliência e a resistência e transformações diversas. Percorro o Tempo passado e anterior a mim, o Tempo vivido e antecipo o Tempo futuro da cidade em que nasci e que me habita no meu Tempo existencial.

    Luanda é um livro aberto de obrigatória Leitura permanente no domínio histórico,arquitectónico, das suas Tradições, da sua Cultura, da sua génese, no plano literário e científico , do modus vivendi do seu Povo e dos diversos Povos que habitaram a cidade capital de Angola e habitam a cidade que foi chamada de Loanda e derivou para Luanda.Esse Tempo histórico de Loanda está retratado em vários documentos e em diversa bibliografia.

    E nos mesmos é verificável o que se fez, o que não se fez, o que poderia ter sido feito e isto são razões e factos que constituem o traço histórico da evolução que Loanda e Luanda sofreram ao longo da sua existência até ao Século XXI. Neste aniversário que a cidade de Luanda celebra constatamos diversas transformações percorridas entre 11 de Novembro de 1975 e 25 de Janeiro de 2024. O fenômeno migratório do Campo para a Cidade foi um imperativo da infeliz Guerra Civil com todas as consequências que isso comportou e comporta até agora.

    Os dias em Luanda começam muito cedo e tudo que acontece insere-se neste Livro que a cidade capital de Angola é nos seus variados capítulos a ler. E o Tempo não volta para tráz. Apenas o valor importantíssimo da Memória faz-nos recuar a exercícios de reflexão quem em meu entender devem ser entendidos como exercícios de Liberdade de Pensamento e de Cidadania sobre a cidade. Quem percorre a Avenida Marginal (actual Avenida 4 de Fevereiro) vê de modo claro o slogan “I Love Luanda”. A palavra Love que significa Amor traduz essa emergente necessidade Amar profundamente Luanda . Não é uma questão ideológica. É um Olhar que é necessário todos os Dias na Reconstrução Urbana de Luanda.Mas também de Angola no seu todo.Num texto de opinião não cabe tudo o que pensamos e sentimos . Mas se “Luanda fosse um Livro” com intitulei esta viagem pessoal e de pertença à Cidade, nos múltiplos capítulos que integrariam este livro, as palavras Humanizar, Dignificar, Respeitar, Sentir, Pensar , Preservar, Dialogar, Cidadania e Liberdade seriam e são parte desta Obra que é Luanda. A nível populacional o crescimento demográfico é muito acima da resposta urbana comparativamente a outras Cidades africanas e do mundo. E neste plano e apesar da construção das designadas novas centralidades, Luanda tem que ser genuinamente Amada para ser repensada e estudada e sobretudo planeada de acordo com inteligentes e sustentadas Políticas Públicas .

    As Políticas Públicas para Luanda na minha opinião e vale o que vale implicam por exemplo no domínio dos Transportes Públicos mais e melhores Transportes Públicos. Criação de várias faixas bus para maior e melhor circulação rodoviária. Urge fazer porque no plano de acesso a uma unidade hospitalar ou outra de Emergência não há uma alternativa na cidade para contornar o excesso de trânsito que a cidade tem. No plano ambiental e felizmente em algumas artérias de Luanda existem árvores e as lindíssimas Acácias Rubras que dão cor e cheiro a Luanda.

    Mas são necessários mais Espaços Verdes A construção imóvel devia obedecer a um Plano Público e multissetorial que incluísse variados membros da Sociedade Civil para quê de forma aberta e dialogante se definisse o Presente e o Futuro da cidade. O que se fez e tem feito na histórica Ilha de Luanda não é aceitável. Não se conhece em que Plano Director Provincial assenta a construção de imóveis que ultrapassam três andares. O que se fez na Chicala e à entrada da Ilha e na parte circundante à conhecidíssima Praia do Bispo não é o caminho. Em vários artigos de opinião publicados pude referir e expressar o meu Olhar e perspectiva sobre a sustentabilidade da capital Luandense e como seria muito importante a construção do Museu da Ilha de Luanda, a construção de um Museu ou Centro Contemporâneo de Arte e Cultura em Luanda. São ideias e sugestões num saudável exercício de Cidadania. E nesse sentido, reforço e reitero e já o disse várias vezes que Humanizar Luanda é um desígnio nacional. Este desígnio e aposta nacional é extensiva também a todo o território angolano, numa logica de Agir Local, Pensar Global.Humanizar a vida em Luanda é também um meio e uma forma de combater a Pobreza e reduzir significativamente esta triste condição humana. De modo particularmente digno, a Mulher Quintadeira devia merecer outro tratamento e as crianças de rua seriam parte integrante desta minha sonhada Humanização para Luanda e para o Mundo.

    Estou convicto que todos temos a ganhar com a Humanização de Luanda e claro que existem exemplos dessa premente Humanização a nível individual e colectivo .Mas é preciso muito mais.

    As diferenças ideológicas ou outras opções governamentais ou da Oposição política com assento parlamentar não pode descurar a Emergente Humanização da Sociedade Luandense e Angolana. Não pode sob pena de acentuar vários riscos já muito evidentes na Cidade e no País como a criminalidade e outras assimetrias sociais e económicas.

    No quadro da diversa Toponímia Luandense poderia construir-se Avenida da Humanização e a Avenida do Pensamento. Porque não?

    Contudo e porque o acesso ao Conhecimento local e universal ser uma etapa fundamental da formação das novas Gerações e não só, é de extrema importância que incentivos públicos e privados apostassem e pudessem financiar a construção de Livrarias..

    Os livros são fontes de conhecimento em qualquer lugar do Mundo. Ainda me recordo da icónica Livraria Lello por frequência pessoal , mas pela mão dos meus queridos pais. A Lello fechou. A Lello , presumo, classificada como Património Cultural da cidade, está inserida no Palácio da Pena. Basta olhar o topo do edifício para verificar esse ponta de caneta simbolizando a Escrita, o Saber e o Pensamento como que um namoro indispensável à narrativa da Cidade de Luanda.

    Modernizar não significa destruir Património pré existente. E destrui-se Património imóvel construído no tempo Colonial. Esse mesmo Património poderia ter sido preservado até pela interpretação histórica e cultural das novas Gerações.

    Nunca é demais contextualizar o Conhecimento num quadro global da nova Sociedade de Informação Mundial. Porque a juventude acede ao que se passa no Mundo através das Redes Sociais. A cidade de Loanda e de Luanda cruza um Tempo analógico e digital.

    Mas o equilíbrio do planeamento de Luanda no seu todo como a iluminação pública, os transportes públicos, as infraestruturas como o legítimo direito à àgua e a luz, o exercício de cidadania contribuem para a Democratização do Pensar e Reflectir o Espaço Público que desejamos. Porque a Igualdade é um pilar muito importante para Harmonizar o Diálogo Social. A actual Luanda e não me cansarei de dizer , precisa de ser exemplarmente Amada, sentida, compreendida como forma de Diálogo plural com os seus habitantes. Estou certo que se esta necessária interiorização no domínio da Humanização de Luanda e a Dignificação do Existir de Habitar Luanda trará mais Paz e Harmonia.

    A Paz é condição indispensável na dinâmica da cidade observando Direitos e Deveres previstos na Constituição da Republica de Angola e em demais legislação internacional diversa ratificada pelo Estado Angolano para o Ordenamento Jurídico Interno do país. Se recuarmos a um Tempo trágico para toda a Humanidade a trágica Pandemia Mundial que marcou o compasso dos nossos dias e das Cidades trouxe ao nosso imaginário e à nossa Memoria individual e coletiva múltiplas questões, mas igualmente muitas e diversas respostas não conclusivas face ao nosso quotidiano. O COVID 19 deixou a cada um de nós e a nível planetário esta infeliz narrativa. Como referiu o Escritor e Etnógrafo angolano Óscar Bento Ribas e cito. “Luanda é a Luz dos meus Olhos que a minha cegueira não retirou”. É belíssima esta reflexão de um ícone das Artes e da Literatura Luandense e Angolana. Porque evidencia o Sentir. O Sentir de Pensar a Cidade e das marcas que ficam no nosso Imaginário .

    Também como escreveu o Compositor e Escritor brasileiro Chico Buarque e transcrevo ” eu faço samba e amor até tarde…/e tenho muito mais que fazer…/E sinto a correria da cidade…/que alarde fará que é tão difícil amanhecer?…/. Sendo belo amanhecer ,cada amanhecer em Luanda é um exercício de constante Sonho, de Esperança,mas de muitas interrogações e interrupões no plano do Desenvolvimento Humano. “Se Luanda fosse um Livro “, nele reflectiria o que anteriormente enunciei, mas seria certamente um Livro de constante leitura. Humanizar e Amar Luanda deve ser um ponto de partida para a concretização de Sonhos adiados. Juntos e sem egos podemos acreditar no Sonho de uma cidade de Luanda humanizada e florida.Sei que um grande sonho, mas não é impossível. Cada rua ou avenida Luandense deveria ter múltiplos outodoors com Pensamentos e Citações dos diversos Criadores no domínio literário,musical, artístico ,poético em Língua Portuguesa e nas Línguas Nacionais para fixar Sentimentos da Identidade Cultural Nacional e Universal e a palavra Humanizar. Um Abraço Afectivo Luanda.

    Gabriel Baguet Jr (Jornalista/Escritor/Investigador)

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