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    Rússia: Cantora das Pussy Riot libertada acusa Putin de “operação de marketing”

    “O mais difícil na prisão é ver como destroem as pessoas", disse Alyokhina (NATALIA KOLESNIKOVA/AFP-ARQUIVO)
    “O mais difícil na prisão é ver como destroem as pessoas”, disse Alyokhina (NATALIA KOLESNIKOVA/AFP-ARQUIVO)

    Espera-se agora a libertação de Nadezhda Tolokonnikova, a última das mulheres do grupo que ainda está presa.

    Uma das integrantes do grupo musical Pussy Riot, Maria Alyokhina, foi libertada nesta segunda-feira. A cantora disse que a amnistia que permitiu sua libertação é uma “operação de marketing” que se pudesse a teria rejeitado.

    “Maria Alyokhina recuperou a liberdade”, declarou o seu advogado, Pyotr Zaikin, à agência noticiosa RIA Novosti, acrescentando que “todos os documentos foram preenchidos e assinados”. A informação foi confirmada pelos serviços prisionais.

    Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova, condenadas a dois anos de prisãoem 2012, pelas acusações de vandalismo e incitamento ao ódio religioso, foram amnistiadas na semana passada. As jovens do grupo foram detidas em Março de 2012, por terem cantado uma “oração punk” contra o Presidente, Vladimir Putin, na catedral de Moscovo.

    A libertação de Alyokhina da prisão da cidade Nizhny Novgorod deverá ser seguida pela de Tolokonnikova, detida na Sibéria, segundo os advogados.

    A lei de amnistia que levou à libertação foi aprovada na última quarta-feira, por 446 de um total de 450 deputados da Duma, a câmara baixa russa.

    O Supremo Tribunal tinha ordenado que as condenações das duas integrantes do grupo fossem reexaminadas, por considerar que os motivos do crime não tinham sido provados. O Supremo entendeu que o tribunal de primeira instância não forneceu provas de que as duas jovens tinham agido por “ódio contra um grupo social” e o caso foi enviado para um tribunal de Moscovo.

    “Não creio que esta amnistia seja um gesto de humanismo, mas uma operação de marketing”, disse Alyokhina, 25 anos, ao canal de televisão Dojd. “Se tivesse tido possibilidade, tê-lo-ia rejeitado”, acrescentou a música, que denunciou uma lei que permite a libertação de poucos presos, nem sequer 10%.

    “O mais difícil na prisão é ver como destroem as pessoas”, declarou Alyokhina, ao comentar as suas condições de detenção.

    A terceira Pussy Riot, Yekaterina Samutsevich, foi libertada em 2012, poucos meses depois da condenação. A Justiça russa considerou que tinha sido interceptada pelos guardas da catedral antes da actuação na catedral e que, por isso, não participara.

    A libertação ocorre três dias após a de Mikhaïl Khodorkovski, antigo magnata do petróleo e crítico de Putin. A decisão foi interpretada como um gesto destinado a melhorar a imagem da Rússia, quando estão próximos os Jogos Olímpicos de Inverno, que decorrerão em Fevereiro em Sotchi, no Mar Negro. (publico.pt/afp)

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