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    Rússia alerta Ocidente contra ataque ao Irão

    O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou quarta-feira que um ataque militar do Ocidente contra o Irão seria uma “catástrofe” e criticou a imposição de novas sanções a Teerão.

    Segundo o chanceler, uma ação desse tipo provocaria uma fuga de massas de refugiados do Irão, além de ampliar a tensão sectária na região.

    “(Um ataque desses) pode inflamar o confronto entre sunitas e xiitas que já está latente”, disse Lavrov.

    As declarações de Lavrov foram feitas após o ministro de Defesa de Israel, Ehud Barak, dizer que qualquer decisão sobre um ataque ao Irão estava “muito distante”. O país é a única potência nuclear da região.

    Tensões entre Ocidente e o Irão foram ampliadas nas últimas semanas, após os monitores nucleares da ONU confirmarem que Teerão está produzindo urânio enriquecido a 20% em uma usina perto de Qom.

    Em resposta, Estados Unidos e União Europeia anunciaram novas sanções contra o país – o que fez o Irão ameaçar fechar o estreito de Ormuz, uma rota essencial para o escoamento do petróleo da região.

    A situação agravou-se ainda mais na semana passada, quando o Irão acusou Israel e os Estados Unidos pela morte de um cientista nuclear em Teerão.

    Washington e seus aliados suspeitam que o Irão está tentando desenvolver, sob sigilo, armas nucleares. Já o Irão insiste que seu programa tem fins pacíficos.

    Negociações

    Ainda nesta quarta-feira, o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, disse que negociações sobre o programa nuclear devem acontecer em Istambul em breve.

    No entanto, a chancelaria britânica afirmou que ainda não há datas e nem planos concretos para as discussões e que o encontro não será realizado enquanto Teerão não “demonstrar claramente sua disposição em negociar sem pré-condições.”

    “Até que isso aconteça, a comunidade internacional vai somente ampliar a pressão sob o Irão, por meio de sanções pacíficas e legítimas”, afirmou a chancelaria em um comunicado.

    No ano passado, Brasil e a Turquia tentaram mediar um acordo – fracassado – para a troca de combustível nuclear do Irão com outro país (que devolveria a Teerão urânio altamente enriquecido, em troca de material bruto).

    Impacto na economia

    Para o especialista em diplomacia da BBC, Jonathan Marcus, as discussões sobre o assunto focam a probabilidade de um ataque aéreo israelita e americano às instalações nucleares do país e um confronto marítimo no Golfo, no qual os Estados Unidos tentariam garantir o livre acesso ao estreito de Ormuz.

    Segundo Marcus, outro fator que inflama a tensão é o fato de a economia iraniana começar a sofrer seriamente com as sanções.

    Comparada aos governos anteriores, a administração de Barack Obama é a que mais está de um confronto aberto com Teerão.

    Marcus afirma que, no momento, as hostilidades podem ser evitadas. Mas, segundo ele, muitos especialistas acreditam que há uma sensação de pessimismo crescente – uma crença de que Estados Unidos e Irão vão entrar em confronto em algum momento.

    E essa é, segundo o correspondente, uma situação muito perigosa, já que tais expectativas têm impacto direto no desenrolar dos eventos.

    Fonte: BBC

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