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    Moçambique: “Paz não depende só dos lideres”

    (rm.co.mz)
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    O Reverendo Dinis Matsolo, do Conselho Cristão de Moçambique, disse que falar dos vinte e um anos de paz significa que Moçambique provou ser capaz de a preservar, depois de conquista-la graças a grandes sacrifícios. “Vinte e um anos têm um significado de crescimento também”, sublinhou o prelado.

    “Eu costumo dizer que há países que têm uma tradição de quando uma filha completa vinte e um anos é atribuída uma chave, para indicar que já cresceu. Então, a nossa paz também tem que demonstrar esse crescimento. Daí que é importante olharmos para a forma como podemos fazer com que esta nossa paz cresça e transborde no nosso seio mas, acima de tudo, seja uma paz efectiva, uma paz que realmente espelha justiça, reconciliação e boa convivência entre as pessoas”, acrescentou o reverendo Matsolo, falando hoje no Jornal da Manhã da Rádio Moçambique.

    Da entrevista, feita por ocasião da passagem de mais um aniversário da assinatura do Acordo Geral de Paz em 1992, transcrevemos algumas respostas de Dinis Matsolo.

    Que mensagem gostaria de transmitir aos moçambicanos, neste grande dia em que celebramos vinte e um ano da Paz?
    A mensagem que gostaria de deixar, neste dia especial tem a ver com relacionamento entre as pessoas, entre os moçambicanos. Eu penso que acima de tudo não podemos falar de paz sem falar do relacionamento entre as pessoas. E o relacionamento é um processo de encontro entre as pessoas, significa que as pessoas devem se aproximar cada vez mais, e é um processo que vai crescendo gradualmente. Isto trás também esta componente de reconciliação. Depois de um conflito, as pessoas devem se reconciliar e eu acredito que temos muito que fazer ainda em Moçambique, sobre a questão da reconciliação, porque a reconciliação só é efectiva quando as pessoas começam a relacionar-se de uma forma aberta, como irmãos, como cidadãos do mesmo país, sem discriminação e sem preconceitos, um com o outro.
    Neste momento, a minha experiências mostra que nós nos olhamos de várias formas, dependendo de onde a pessoa se inclina ou de que camisola política pertence. E, penso que isto é espelho de que a questão reconciliação e a questão relacionamento entre as pessoas ainda tem que se cultivar.

    á esteve em contacto com o Presidente da República e com o líder da Renamo, na perspectiva de aproximar estas duas figuras para trazer a Paz. Como é que estamos nesse caminho?
    Bom… Eu penso que estamos a andar, é um processo que, como disse, requere um esforço muito desdobrado, é preciso que as pessoas estejam totalmente abertas, mas costumo enfatizar que quando nós efectuamos esse contacto no mais alto nível, não significa que a paz apenas reside neste nível. A paz é para com todos. O relacionamento entre as pessoas tem que ser entre todos nós. Então, significa que o que nós estamos a tentar galvanizar, contactando o nível mais alto, é mostrar que s nossos líderes lideram o processo.

    Esses caminhos, desde a Presidência da República, até Satungira, que experiência nos lhe trazem, particularmente?
    Particularmente, mostram-me que precisamos de trabalhar muito no processo da reconciliação e da aproximação entre as pessoas. Mas também me traz uma experiência agradável de que há grande abertura em ambas as partes em encontrar uma saída para uma reconciliação e uma paz efectiva e duradoura no país. É importante que as pessoas percebam que nós pertencemos ao mesmo país, somos todos moçambicanos, podemos ter ideias diferentes, podemos pensar de forma diferente, mas somos todos moçambicanos, e precisamos dessa diversidade de ideias para o nosso próprio desenvolvimento.

    O Reverendo esteve em Santugira com o líder da Renamo, a tentar fazer acontecer o encontro entre este e o Presidente Guebuza. O que entendeu de Afonso Dhlakama?
    O que percebi é que há uma abertura para o encontro e ele enalteceu que está aberto para o encontro com o Presidente da República e o Presidente Guebuza, por sua vez, várias vezes enfantizou que está aberto para o encontro com o líder da Renamo.
    Mas, é importante que o encontro seja preparado, para que não seja apenas mais um encontro, nós enfatizamos ainda que o encontro entre as duas figuras, realmente, está carregado de muito significado e simbolismo, que pode galvanizar a aproximação das partes, em termos de negociações, as equipas podem trabalhar um pouco mais abertas, vendo que há também uma aproximação por parte das lideranças.
    Houve uma indicação clara de que estão abertos para o encontro, o que se está a olhar agora é que é importante que haja garantias, um pacote de garantias para que ele (Dhlakama) se sinta a vontade. Mas continuamos a dar indicação de que é importante o encontro. Se é preciso alinhar um pacote de garantias, então que se alinhe esse pacote de garantias, mas tem que haver essa reunião entre os dois. (rm.co.mz)

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