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    Relação com Angola foi «refém da manipulação política»

    (Foto Global Imagens/Gustavo Bom)
    (Foto Global Imagens/Gustavo Bom)

    Jaime Nogueira Pinto entende que as relações luso-angolanas foram reféns de manipulação política nos dois países. E não está preocupado com a entrada de capital angolano em Portugal.

    Jaime Nogueira Pinto considera que houve manipulação política na polémica em torno da «parceria estratégica» de Portugal com Angola.

    O escritor, investigador e empresário é também um profundo conhecedor da realidade dos países africanos de língua oficial portuguesa, entende que as relações entre os dois países «têm sido reféns da manipulação política quer em Angola quer em Portugal. Ás vezes os angolanos, para hostilizarem o governo angolano utilizam como refletor a sociedade portuguesa, as instituições portuguesas, os media portugueses e vice-versa».

    A polémica, sustenta o escritor em entrevista à TSF e Dinheiro Vivo, foi «muito infeliz», até porque «as relações de Portugal com Angola, que são muito importantes para os dois países, mas neste momento até mais para Portugal»

    Num momento em que a entrada de capital angolano em empresas portuguesas – incluindo em grupos de comunicação social, como a Controlinveste, dona da TSF – está na ordem do dia, Nogueira Pinto diz que não há motivo para preocupação: «um jornal que seja manipulado não serve para nada para os manipuladores porque perde a credibilidade com uma rapidez extraordinária. E as pessoas dão por isso, e ainda mais num meio deste tamanho mínimo como é o português».

    Guiné-Bissau é um «Estado marginal»

    O escritor e ensaísta entende que o episódio da vinda ilegal de dezenas de sírios para Portugal via Guiné-Bissau, com o governo guineense a pressionar a tripulação do avião da TAP que fez a ligação Bissau-Lisboa, mostra que aquele país africano é hoje um «Estado completamente marginal».

    Revela ainda que o Governo português teve «uma atuação certa» no ano passado quando «a última pessoa que tentou endireitar aquele país, o Carlos Gomes Júnior, foi derrubado por um golpe militar. Nessa altura o Governo português teve uma atuação certa, porque conseguiu que ele não fosse morto, que penso que era o que estava a ser preparado»

    A Guiné Bissau, acrescenta, é liderada por «um Governo de uns militares que tomaram o poder pela força das armas, uma criminalidade enorme… é uma espécie de Estado tolerado. A CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental] estava preocupadíssima com tirar de lá os angolanos. Os angolanos saíram e aquilo está numa grande desordem»

    Moçambique: instabilidade tem «altíssimas repercussões nos investidores»

    Também Moçambique tem passado por uma situação de grande instabilidade, com conflitos entre a RENAMO e o exército – que fez vários mortos – e um aumento do número de raptos. É uma situação com a qual, diz Nogueira Pinto, «não se pode viver».

    Mas o empresário – que tem interesses em Moçambique, onde administra uma empresa de segurança privada – está otimista: «julgo que a classe dirigente moçambicana está consciente destes problemas e está consciente que eles não se podem eternizar porque isso terá altíssimas repercussões nos investidores» (tsf.pt)

    Hugo Neutel

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