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    Ravinas podem desalojar 1.050 famílias em Cacuaco

    Os problemas começaram nos
    anos 80, durante a fundação do
    bairro que possui quatro quilómetros
    de superfície e uma população
    estimada de 60 mil habitantes, distribuídos
    em 12 sectores e 48 mil
    famílias para 12 mil casas. A zona
    em perigo faz fronteira com os bairros
    Dala Mulemba, Ngangula, Boa
    Esperança Central e, a oeste, com
    o oceano atlântico, onde começa o
    calvário de quem quer ver a sua vida
    melhorada.
    Segundo fontes da comissão de
    moradores, desde a existência da
    zona as ravinas já desalojaram mais
    de 500 famílias, tendo aumentado
    significativamente durante as enxurradas
    de Janeiro de 2007, que
    deixaran famílias ao relento até os
    dias de hoje.
    “Viver aqui tem sido um verdadeiro
    caos, principalmente nos últimos
    dias. Observamos pessoas a abandonar
    as suas residências, mesmo
    em épocas não chuvosas, partindo
    para um arrendamento forçado”,
    desabafou um funcionário da comissão
    de moradores, garantindo
    que há falta de vontade política dos
    responsáveis do poder local para solucionar
    este fenómeno.
    O espaço serve igualmente como depósito
    de resíduos sólidos produzidos
    pelos próprios moradores, o que
    periga a saúde da comunidade.
    Como se não bastasse, as crianças
    desfrutam das ravinas para algumas
    brincadeiras, o que não é de
    agrado dos encarregados de educação
    que temem pela segurança dos
    pequenos. “Costumo brincar de escorregar
    com papelão, mas a minha
    mãe nunca gostou porque diz que
    é perigoso descair nas baixas, pois
    um dos meus amigos esta semana
    acabou por deslocar o braço direito
    devido ao empurrão propositado de
    um outro amigo”, declarou o pequeno
    Pai-zinho, de 10 anos.
    “Há um ano uma criança, de cinco
    anos, que brincava à beira das ravinas,
    escorregou e caiu, tendo-se
    deparado com um fogo, que a queimou
    até à morte”, narrou a jovem
    Esperança Anita, que tem a casa
    prestes a derribar.
    Mil casas foram abaixo
    Domingos Menezes, estudante e
    morador desta área há mais de 12
    anos, disse ao Novo Jornal que os
    moradores estão preocupados com
    a situação que já atingiu cerca de 2
    quilómetros de comprimento e que
    tem causado enormes estragos às
    comunidades, uma vez que provocou
    o desabamento de mais de mil
    moradias.
    “O fenómeno que vivemos é lastimável
    e torna-se mais complicado
    em épocas chuvosas, pois a minha
    casa estava a 80 metros do risco,
    mas agora encontra-se a 10 metros”,
    elucidou, acrescentando que as promessas
    das autoridades do município
    começaram há sete anos, com
    garantia de disponibilizarem casas
    ou terrenos na área da via expresso
    Cacuaco-Viana.
    O perigo abrange moradores do bairro
    Novo ao Balumuca, mas o espaço
    que se encontra próximo à empresa
    Nova Cimangola (bairro Novo) tem
    maior tratamento por ser propriedade
    desta indústria e sempre que o
    risco se aproxima tiram, mais cedo,
    as famílias para a zona dos Munlevos
    com casas próprias.
    A indústria aproveita o terreno para
    escavar matéria-prima que ajuda na
    produção do cimento. “O caso dos
    que vivem no bairro Novo é diferente
    e especial porque a empresa de
    cimento disponibiliza casas rápidas
    ao passo que o que é do governo
    demora muito”, finalizou Menezes,
    que reside no Balumuca, pertença
    da administração de Cacuaco.
    Para o morador Francisco Salvador,
    que respira já os últimos ares do
    despejo, na altura em que o antigo
    coordenador do bairro, o senhor Venâncio,
    vendia estes terrenos deveriam
    ter sido acautelados os riscos
    que os moradores são obrigados
    agora a enfrentar.
    O que deixa os moradores admirados
    é o facto de possuirem vários
    projectos habitacionais na capital,
    mas nenhum abrangir a população
    em zonas de riscos como tal.
    Para o cadastramento da população
    foi cobrado um valor de 2500 kwanzas,
    sendo 500 kz para o controlo populacional
    e 2 mil para a declaração
    de registo de residência. “Todos contribuímos,
    mas poucos beneficiam
    dos terrenos inicialmente prometidos.
    Onde devemos reclamar mais,
    se nem água vai nem água vem. Tudo
    está no segredo dos deuses”, questionou
    o morador, assegurando que
    os carros de recolha de resíduos sólidos
    não circulam no local e, por isso,
    há enormes quantidade de lixo nas
    ravinas, onde muitas crianças brincam,
    o que representa claramente
    um atentado à saúde pública.

    Fonte: Novo Jornal

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