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    Províncias captam investimentos

    (Foto: DR)
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    Os governadores provinciais do Uíge, Zaire, Kuando-Kubango e o vice-governador do Bengo para o sector económico apresentaram ontem, na sede do Movimento das Empresas de França (MEDEF), em Paris, projectos de desenvolvimento das suas províncias para o fomento do turismo, agricultura, indústria transformadora, engenharia e obras públicas.

    Durante o encontro, o vice-presidente do MEDEF para a África Austral, Gerard Wolf, afirmou aos presentes que as empresas francesas têm uma grande experiência nesse domínio e que é desejo oferecer essa competência ao serviço de Angola, um país que está em reconstrução e desenvolvimento.

    No encontro, o MEDEF mobilizou empresas que já se encontram em Angola, mas a maioria encontra-se em fase de prospecção e procura oportunidades de negócio no mercado angolano. Por essa razão, focalizaram a sua abordagem em questões sobre os diferentes projectos estruturantes de cada uma das provínciasrepresentadas, fiscalidade, ambiente de negócios, segurança dos investimentos, Lei de terras e outros diplomas facilitadores dos investimentos.

    Para o embaixador de Angola em França, Miguel da Costa, a forma bastante concorrida como os empresários franceses acorreram ao encontro e colocaram as suas questões confirma o interesse pelo mercado angolano. Por isso, Miguel da Costa está confiante que o número de empresas francesas em Angola venha a aumentar nos próximos tempos e que estas venham a diversificar as suas áreas de interesse.

    “Estas empresas devem acompanhar os esforços de diversificação da economia apostando noutros sectores que não apenas o petrolífero”, sugeriu o chefe da missão diplomática angolana em França.

    “Isso só vai acontecer se houver efectivamente essa aproximação entre o empresariado francês e angolano e estabelecerem-se parcerias, acordos de investimento que possibilitem a montagem de fábricas nestas províncias para facilitar a transformação da produção local e isso certamente vai ajudar-nos a criar mais empregos para a nossa população”, afirmou.

    Encontros importantes

    Depois do encontro com os empresários, o governador do Uíge, Paulo Pombolo, considerou os encontros importantes porque permitiu explorar as ideias. “Todos tivemos a oportunidade de apresentar as potencialidades das nossas províncias nos vários domínios e recebemos resposta das empresas francesas sobre aquilo que elas fazem e que podem empreender nas nossas províncias”, declarou.

    Projectos agrícolas

    A delegação dos governos provinciais teve com a parte francesa uma mesa redonda para a discussão das oportunidades específicas do sector da agro-indústria, sector onde a França tem uma grande experiência. Durante o encontro, em que participaram representantes de vários organismos franceses, como a ADEPTA, Essence, CIRAD, Invio e OTEC, organismos com larga experiência em electrificação rural, investigação e técnicas agronómicas, produção animal e de rações, o responsável da ADEPTA deixou claro o profundo interesse das empresas francesas deste ramo em apoiar o relançamento da agricultura em Angola.

    O governador do Uíge disse que as empresas francesas despertaram para a concorrência e estão bastante interessadas em participar no relançamento da agricultura em Angola, especialmente na produção do café. “Eles manifestaram um vivo interesse e ficou acordado que eles se deslocam ao Uíge para acertarmos os pormenores dessa parceria que pode apoiar-nos a atingir as metas de produção que se equiparem ao que era feito anteriormente”, disse.

    O governador do Kuando-Kubango, Higino Carneiro, fez uma larga apresentação da sua aposta na produção de cerais como o arroz do Longa, que está pronto para a comercialização. O projecto é uma iniciativa da Gesterra e do Governo da província com o apoio técnico da China. “Há uma componente social muito forte, há a transferência de tecnologia para os pequenos agricultores da região, assim como a componente da formação que os camponeses recebem”, disse, acrescentando que o plano faz parte da estratégia do governo provincial para a auto-suficiência alimentar.

    O Zaire e o Bengo apresentaram igualmente as suas potencialidades nesse domínio e os franceses mostraram-se surpreendidos com os níveis de produção de banana no Bengo, que, segundo o vice-governador para o sector económico, beneficia largamente do perímetro irrigado de Caxito.

     Gás angolano

    Na sexta-feira, os governadores deslocaram-se à região de Nord Pas de Callais, cuja capital é a cidade de Lille, a quarta maior região económica de França. A delegação visitou as obras da nova unidade Dunkerque LNG, investimento do grupo EDF (Energia de França) que persegue o objectivo de reduzir a dependência da Rússia em matéria de gás, beneficiando da sua localização para abastecer mercados importantes como Inglaterra, Bélgica e Noruega.

    Ao contrário da experiência angolana, que beneficia do facto de ser explorador de petróleo e produtor de gás, o Dunkerque LNG é especializado na transformação do gás recebido em grandes navios, armazenado e distribuído por gasodutos para os destinos citados, além de alimentar as necessidades internas.

    As obras arrancaram em Outubro de 2007 e devem encerrar em Março de 2015. A produção começa em Dezembro do mesmo ano. O responsável da EDF, uma das maiores empresas de França, associada ao MEDEF, valorizou o projecto Angola LNG, na província do Zaire. Disse que tem sido um estudo de caso em múltiplos eventos, ao mesmo tempo que admitiu junto do governador Joanes André a possibilidade de compra de gás angolano, desde que haja alguma abordagem entre as partes.

    A unidade Dunkerque LNG situa-se na zona industrial de Mardyck, onde existe uma central de energia eólica, uma refinaria-escola da empresa Total, uma cimenteira, porto – que é o segundo maior de França a seguir ao de Marselha – e uma central de energia nuclear, cuja água de refrescamento, uma vez aquecida, é utilizada para a descompressão do gás. No final da sessão houve uma visita aos principais pontos do centro de Lille com interesse arquitectónico e turístico, como praças, edifício da Câmara Municipal, teatros, óperas e outros.

     Escola de futebol

    O jogador francês, de origem angolana, Blaise Matuide, manifestou interesse em abrir uma escola de futebol em Angola, particularmente na província do Uíge, terra natal dos seus pais. “Apesar de hoje ser francês, reconheço as minhas origens e gostava de dar o meu contributo para o aparecimento de outros talentos do futebol em Angola, principalmente na terra dos meus pais”, afirmou o jogador que teve anteriormente um encontro com o embaixador Miguel da Costa que recebeu, durante o jantar, uma camisola autografada pelo atleta franco-angolano.

    O jogador do PSG e da selecção francesa participou no jantar oferecido pela Embaixada de Angola em França às delegações dos Governos Provinciais presentes em Paris. O jantar contou igualmente com a presença de membros do Consulado Geral de Angola em Paris e representação permanente junto da UNESCO. (jornaldeangola.com)

     

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