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    Procura de barrigas de aluguer em países pobres

    Mulheres ocidentais procuram mães de aluguer em países como a Índia, em alternativa aos altos custos e às leis rigorosas sobre os procedimentos de barriga de aluguer na Europa e nos Estados Unidos.
    A barriga de aluguer é completamente proibida em países europeus como Itália, França e Alemanha. No Reino Unido e na Irlanda, apenas a mãe que dá à luz a criança é reconhecida pela lei.
    Mas em países em desenvolvimento, como a Índia e a Ucrânia, e em alguns Estados americanos, o procedimento é reconhecido e pode ser remunerado. O programa Your World, do Serviço Mundial da BBC, acompanhou a história da irlandesa Carolina, que fez fertilização in vitro e contratou a indiana Sonal para ser sua barriga de aluguer, através de uma clínica especializada na Índia.

    Oportunidade

    Sonal, de 26 anos, deu à luz uma criança que ela nunca mais voltará a ver. “Eles levaram o bebé assim que ele nasceu”, disse à BBC. “Eu estava inconsciente quando ela nasceu, por isso não a vi. Quando acordei, perguntei à minha mãe o que tinha acontecido e ela me disse que era uma menina.”

    Sonal é da província de Gujarat, a Oeste da Índia, e passou os últimos meses na clínica Akshanka, na cidade de Anand, longe do seu marido e dos seus dois filhos.
    O marido de Sonal é vendedor de legumes e ganha cerca de 1.500 rúpias (34 dólares) por mês. O salário não é suficiente para pagar a educação que Sonal quer dar aos seus filhos. Esta é a sua segunda barriga de aluguer, pela qual ela vai ganhar 300 mil rúpias (cerca de 6.500 dólares). “Em breve serei feliz. Terei uma casa e vou viver confortavelmente com os meus filhos e educá-los”, disse.
    Os pais biológicos do novo bebé vivem a sete mil quilómetros, na Irlanda. Carolina, de 21 anos, teve um cancro do colo do útero que obrigou à remoção dessa parte do sistema reprodutor. Os médicos garantiram-lhe que podia engravidar, mas ela não conseguiu concluir nenhuma gestação. “Mesmo antes de ter o cancro, já queria ter um bebé. Quando se tem uma doença e essa possibilidade é retirada, passam-se os primeiros anos a pensar ‘o que é que vou fazer?’. E antes de nos darmos conta, passaram cinco, dez anos e perdeu-se a oportunidade.”

    Estigma social

    Segundo especialistas, o mercado de barrigas de aluguer, que foi legalizado na Índia em 2012, deve gerar cerca de 22 mil milhões de dólares até 2012. No entanto, o procedimento ainda causa controvérsia no país. Sonal diz que, inicialmente, o seu marido não queria que ela participasse num programa de barriga de aluguer. “Ele disse que estas coisas não são aceitáveis na nossa sociedade, mas eu convenci-o.”
    “Quando tive o meu primeiro bebé de barriga de aluguer, alimentei-o durante três dias, parecia que era meu filho. Desta vez, quando der o meu bebé à Carolina será como se estivesse a dar um filho meu a outra pessoa, mas depois vou-me convencer de que era o filho dela e estou simplesmente a devolve-lo. Quando ela tiver ido embora terei que esquecê-la”, disse Sonal. Apesar do apoio da mãe de Sonal, o casal evitou dizer aos sogros, por saberem que eles não iam aprovar – para os indianos, carregar o filho de outra pessoa é como cometer adultério. A especialista em fertilização in vitro Nayna Patel, que administra a clínica Akshanka, está ciente das críticas feitas a esta prática, mas recusa a ideia de que as mães de aluguer são exploradas. “Quando se vê um bebé nas mãos de um casal que é infértil, já se tentaram diversos tratamentos e vemos a mãe de aluguer, que vestia trapos e agora tem uma casa e pode pagar a educação dos seus filhos, não nos incomodamos com qualquer crítica”, disse Patel.

    Desentendimentos

    Carolina e Sonal mantiveram um bom relacionamento durante a gravidez, mas quando o bebé nasceu, tiveram desentendimentos.
    Por causa de complicações, o recém-nascido foi levado imediatamente para um hospital perto da clínica, e Sonal não teve autorização para a ver. “Estou triste porque sinto que os esforços que fiz nos últimos nove meses foram um desperdício. Carolina diz que eu não posso ajudá-la a cuidar do bebé, que ela vai ter uma ama”, disse a indiana.
    Quando Carolina pediu a Sonal que enviasse leite materno para o bebé, a mãe de aluguer recusou-se. “Eu disse: ‘Se conseguiu uma pessoa para cuidar da criança, então também pode encontrar alguém para a alimentar. Porque é que não posso viver com o meu bebé?”
    Mas Carolina diz que a decisão foi justificada. “Serei eternamente grata a Sonal pelo que ela fez, mas achei que era preciso ter uma quebra de laços”, disse a mãe irlandesa.

    Fonte: Jornal de Angola

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