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    Primeira presença de Angola “foi uma luta contra o tempo”

    Luanda – O antigo secretário de Estado para a Educação Física e Desportos, Rui Mingas, precursor do olimpismo angolano, afirmou que a participação do país pela primeira vez em jogos olímpicos “foi uma luta contra o tempo” dadas as circunstâncias de nação recém-nascida.

    “Foi uma experiência única. Comovente, porque era a primeira vez que nação nascente tinha a sua bandeira hasteada num evento mundial”, recordou Rui Mingas, em entrevista à Angop, em Luanda, para abordar o percurso do país no maior evento desportivo mundial, que sexta-feira inicia mais uma edição em Londres.

    Rui Mingas, que na sua condição Secretário de Estado foi responsável pela criação do Comité Olímpico Angolano, sublinhou as etapas que permitiram, em tempo recorde, ter uma delegação na capital da então União Soviética com apenas 17 meses de idade do COA e cinco anos de independência nacional.

    Conta que tudo começou em 1978, pouco depois da sua nomeação para o cargo de Secretário de Estado, quando o então presidente de Angola, Agostinho Neto, questionou as hipóteses de Angola estar nos jogos de Moscovo’80.

    “O presidente Agostinho Neto não viu os jogos (faleceu em 1979), mas nunca me esqueço, pouco depois da minha nomeação, chamou-me, e naquela sua fala calma, perguntou-me se não tínhamos possibilidades de estar nos jogos olímpicos”.

    Lançado o desafio, este antigo praticante de atletismo liderou então uma corrida contra o tempo, para a criação do COA, condição única para estar nos Jogos. Assim, iniciou-se pela constituição das federações nacionais, o seu reconhecimento nas respectivas federações internacionais, pois são estas que dão corpo ao órgão olímpico, que foi criado a 17 de Fevereiro de 1979.

    As federações fundadoras do órgão gestor do olimpismo no país foram o andebol, basquetebol, atletismo, futebol, ginástica, hóquei em patins, judo, natação, voleibol e xadrez.

    “Foi uma luta contra o tempo, criar as federações, depois enviar os seus representantes pelo mundo para torná-las membros das respectivas federações internacionais”, disse, tendo explicado que para tal teve de recorrer pessoas com histórico desportivo.

    “Fiz recurso a figuras que conhecia pela sua tradição no desporto, que melhor respondiam a nossa ansiedade. Pessoas que na sua vida passada eram figuras de referência no desporto”.

    Entre essas figuras para as federações estavam nomes como Eduardo dos santos, José Guimarães “Piriquito”, Filomeno de Sá “Dibala”, Rogério Silva, entre outros.

    Angola participou em Moscovo’80 com 11 elementos, nas modalidades de atletismo, natação e boxe, sendo uma do género feminino.

    “Era a nação nascente, a nossa pátria que estava ali presente. Mas foi bonito. Os membros da delegação angolana estavam eufóricos. Primeiro ir aos jogos olímpicos, depois ir aos jogos olímpicos num pais que era um parceiro principal. Tudo aquilo foi uma experiência única”, recordou o antigo secretário de Estado, que também apontou, com emoção, outra realização daquela época: os Jogos da África Central, o primeiro evento pluridisciplinar que Angola albergou (1981).

    O professor Rui Alberto Vieira Dias Mingas, actual coordenador do comité executivo da Comissão Multidisciplinar para Revitalização da Educação Física e Desporto Escolar, dirigiu a Secretaria de Estado  para Educação Física e Desportos, que funcionou durante uma década, tendo sido substituída em 1989 pelo Ministério da Juventude e Desportos.

    Este antigo praticante de salto em altura e corridas de velocidade é também reitor e docente e universitário e tem uma carreira musical, na qual se regista a participação na criação do hino da República de Angola.

    Fonte: ANGOP

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