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    Primeira mulher secretária-geral de um partido em Moçambique é aposta do MDM

    Leonor de Sousa é a primeira secretária-geral de um partido moçambicano, depois de ter sido eleita recentememte, na segunda sessão ordinária do Conselho Naciona do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceira força parlamentar.

    Sousa é um rosto com pouca expressão no xadrez político moçambicano e, apesar do cepticismo sobre resultados imediatos, analistas consideram a sua eleição estratégica para nova dinâmica do partido.

    Leonor de Sousa sucede assim José Domingos, que ocupava o cargo desde 2018.

    “Podemos esperar um MDM atuante, dinâmico e mais participativo”, frisou Leonor de Sousa, na sua primeira comunicação à imprensa em Chimoio, a capital da província de Manica, que acolheu o evento.

    “Como Secretária-geral eu não tenho limites, a meta do MDM é trabalhar para ganhar eleições”, vincou Sousa ao assumir a posição, fazendo notar que “não existe divisionismo no seio do MDM”, que possa atrapalhar a próxima corrida eleitoral.

    A militante de 58 anos, natural e residente em Nampula, integrou o MDM em 2012, três após a sua fundação (2009) e dirigiu em 2013 e em 2015 o Gabinete Eleitoral de Nampula, o maior círculo eleitoral de Moçambique.

    Antes da sua indicação ao cargo, Leonor de Sousa ocupava desde 2018 a pasta de chefe de Departamento de Formação e Projetos da Liga Nacional da Mulher, e é considerada um dos “rostos pensantes no seio do partido”.

    Analistas políticos moçambicanos classificam como estratégica a escolha de uma mulher do maior círculo eleitoral para o cargo, o que vai trazer uma nova dinâmica na reestruturação do partido, mas mantém dúvida se o “xadrez” montado por Lutero Simango vai trazer resultados a curto prazo.

    O politólogo Martinho Marcos observa, em conversa com a VOA, que além de trazer um ar fresco ao partido, a eleição de Leonor de Sousa é estratégica por estar baseada no maior círculo eleitoral do país e onde o MDM “já mostrou alguma pujança” e “aceitação política significativa”.

    “As maquinas partidárias funcionam assim: com rostos conhecidos, daqueles que dão rosto a certas causas, mas também com rostos desconhecidos, que turbinam o desenvolvimento do próprio partido, e todos eles são válidos para a dinâmica do partido”, sustenta Martinho Marcos.

    Já o analista político Wilker Dias entende que “a quebra do cunho partidário machista”, vai ajudar na popularidade do MDM mas “não pode esperar resultados a curto prazo”, como nas próximas eleições.

    “Sendo um rosto desconhecido, ela se enquadra dentro da reestruturação do partido, mas esta reestruturação do xadrez político do MDM não terá efeitos imediatos, não terá efeitos nas próximas eleições, mas a longo prazo, se este xadrez for muito bem trabalhado”, considera Wilker Dias.

    O MDM reuniu 150 delegados de todas as províncias do país para debater o relatório do Secretariado e traçar estratégias para a consolidação da democracia interna.

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