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    Portugal reforça expansão da extrema-direita na paisagem da UE

    Em apenas cinco anos, a extrema-direita em Portugal passou de um único deputado para se tornar a terceira força política no Parlamento, nas legislativas de domingo. Essa expansão deverá repetir-se nas eleições europeias, elegendo, pela primeira vez, eurodeputados dessa ideologia.

    O partido de extrema-direita Chega obteve 18% dos votos nas eleições legislativas em Portugal e os analistas dizem que é um sinal de descontentamento com os partidos tradicionais mas, também, uma tendência que se insere na onda populista internacional.

    “Portugal já não foge à tendência em alguns países europeus onde há um crescimento da direita populista, radical e de extrema direita. Eu não sei se todas as pessoas que votaram no Chega – um milhão e 100 mil – se reconhecem nos valores dessa família política da extrema-direita, tal como reconheceu o líder socialista”, explicou Ricardo Borges de Castro, analista do Centro de Política Europeia, em entrevista à Euronews.

    “Mas é, seguramente, um voto de protesto, porque há uma grande instaisfação no país”, acrescentou.

    A minha expetativa é que o Chega eleja eurodeputados, que agora não tem, e passe a ser uma força representada no Parlamento Europeu.
    Ricardo Borges de Castro
    Analista, Centro de Política Europeia

    Se esta tendência se mantiver, Portugal abrirá também um novo capítulo político nas eleições europeias de junho. O país tem direito a 21 assentos, atualmente sem a presença desta ideologia, e poderá reforçar a expansão da extrema-direita no Parlamento Europeu.

    “A minha expetativa é que o Chega eleja eurodeputados, que agora não tem, e passe a ser uma força representada no Parlamento Europeu. É, também, a tendência a que temos assistido, nos últimos anos, no Parlamento Europeu, com o enfraquecimento dos partidos de centro-direita e de centro-esquerda e um crescimento gradual dos extremos”, acrescentou o analista.

    Menos líderes socialistas no Conselho Europeu

    A coligação Aliança Democrática (AD) derrotou o atual governo socialista com uma vitória marginal. Se formar governo, o primeiro-ministro deverá ser o líder do centro-direita, Luís Montenegro.

    Este facto terá um impacto no equilíbrio de poderes no Conselho Europeu, que reúne os líderes dos 27 países da União Europeia, como refere Borges de Castro: “A confirmar-se que a AD forma governo, passará a haver apenas quatro chefes de governo do Partido Socialista e tal tem, obviamente, consequências naquilo que será a política portuguesa na UE”.

    A composição final do governo em Lisboa está longe de ser clara, uma vez que o centro-direita prometeu não deixar a extrema-direita chegar ao poder. Contudo, também não consegue obter uma maioria numa eventual coligação com os outros partidos com assento parlamentar .

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