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    Portugal pressiona para declaração forte sobre a Guiné na ONU

    Os militares dizem que vão considerar qualquer força estrangeira como “invasora” (AFP)
    Portugal vai fazer circular entre os países-membros do Conselho de Segurança uma nova versão da declaração sobre a Guiné-Bissau, emendada após as negociações dos dois últimos dias, disse à Lusa fonte diplomática.

    Na quinta-feira, a reunião do CS tinha terminado com fortes apelos ao envio de uma “força de interposição” multinacional.

    Os militares guineenses pareciam, no entanto, pouco impressionados com esta possibilidade de envio de uma força de manutenção de paz para Bissau, e o seu porta-voz declarou na sexta-feira que “qualquer força estrangeira seria considerada invasora”.

    A situação política no país estava entretanto longe de ser clara: Serifo Nhamadjo, dado como Presidente designado pelos autores do golpe de 12 de Abril, negou entretanto ter sido convidado. Durão Barroso veio entretanto confirmar que a UE não vai confirmar o regime saído do golpe, em declarações feitas durante uma visita a Luanda.

    Na reunião de quinta-feira do Conselho de Segurança em que os países lusófonos pediram o envio de uma missão para a Guiné foi abordado o potencial de conflito da situação guineense. Nessa fase, segundo o embaixador norte-americano Jeffrey DeLaurentis, que presidiu à sessão, o representante do secretário-geral em Bissau, Joseph Mutaboba, “alertou que, se facções civis se envolverem em confrontos, as baixas podem ser significativas”.

    “Necessidade de um texto forte”
    Hoje, uma fonte da missão de Portugal comentava à Lusa que “há urgência em ter um texto forte, que demonstre a vontade do Conselho de Segurança para enviar uma mensagem para o terreno de que encara a situação como prioritária, e o ponto em que estamos”.

    A declaração da ONU não deverá, no entanto, ser hoje aprovada por causa da reunião convocada sobre a Síria, que tem sido o principal foco de atenção dos diplomatas do Conselho de Segurança nos últimos dias, tal como o Sudão e a Coreia do Norte. Apesar disso a fonte da missão de Portugal disse “esperar que estejamos muito perto do acordo”.

    O acordo deverá incluir elementos da anterior declaração do Conselho de Segurança, como a exigência de regresso à ordem constitucional e libertação dos líderes políticos detidos (o primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, e o Presidente interino, Raimundo Pereira, continuam detidos, no meio de um processo eleitoral em que tudo apontava para que o chefe do Governo deposto fosse eleito Presidente). Mas também deverá mencionar o possível envio de uma força multinacional para o terreno, com mandato da ONU, segundo fonte diplomática.

    O ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Antônio Patriota, afirmou ainda ser cedo para definir a composição da força de paz que deverá ser enviada para a Guiné-Bissau, mas não descartou a possibilidade de uma participação brasileira.

    O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, defendeu ainda sanções internacionais para os autores militares e colaboradores políticos do golpe, incluindo interdição de viagens e congelamento de bens.

    FONTE: Lusa

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