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    Por que Elon Musk saiu em defesa de cartunista acusado de racismo

    Elon Musk foi alvo de críticas pela imprensa americana no domingo (26/2), após ele defender comentários racistas feitos por Scott Adams, criador do desenho Dilbert, em um vídeo no YouTube na semana passada.

    O CEO do Twitter afirmou que a imprensa, que costumava ser racista contra não-brancos, agora é “racista contra brancos e asiáticos”.

    No vídeo, Adams, que é branco, disse que os americanos negros faziam parte de um “grupo de ódio” e que os brancos deveriam viver longe deles.

    Em resposta, vários meios de comunicação dos Estados Unidos anunciaram que deixarão de publicar seus quadrinhos.

    No mesmo tweet, Musk ainda alegou que “faculdades e escolas de ensino médio de elite na América” também são racistas.

    Discurso de ódio
    Dilbert tem sido um dos pilares das páginas de humor dos jornais americanos desde 1989.

    Ele é apresentado como um trabalhador de escritório com um cachorro falante, que juntos miram nos modismos da cultura corporativa.

    O distribuidor de Dilbert também está cortando relações com Adams, anunciou a empresa no Twitter. Embora a Andrews McMeel Universal valorize a liberdade de expressão, a empresa disse que “nunca apoiará nenhum comentário baseado em discriminação ou ódio”.

    Um novo livro de Dilbert que deveria ser publicado em setembro também foi descartado, informou o The Wall Street Journal.

    A Portfolio, uma das marcas da Penguin Random House, diz que não publicará o próximo livro de Adams, Reframe Your Brain (Reformule seu cérebro, em tradução livre).

    Adams diz que sua carreira está destruída e que a maior parte de sua renda desaparecerá na próxima semana, depois que o Washington Post, o Los Angeles Times e outras publicações abandonaram o popular quadrinho.

    Entre os meios de comunicação que abandonaram a história em quadrinhos de Dilbert também está a rede USA Today, que opera dezenas de jornais nos Estados Unidos.

    Adams escreve e ilustra os quadrinhos. Seus comentários, vistos como encorajadores da segregação, foram feitos em resposta a uma pesquisa realizada pela empresa Rasmussen Reports.

    Nela, os entrevistados foram convidados a concordar ou discordar com a frase: “Tudo bem ser branco”.

    Acredita-se que a frase tenha surgido em 2017 como uma campanha de trollagem e desde então tem sido usada por supremacistas brancos.

    De acordo com a pesquisa, 53% dos entrevistados negros concordaram com a afirmação, mas 26% discordaram e outros não tinham certeza.

    Adams chamou aqueles que discordam da frase de parte de um “grupo de ódio”.

    “Eu diria que, com base no modo como as coisas estão indo, o melhor conselho que daria aos brancos é ficar longe dos negros”, disse Adams, “porque não há como consertar isso”.

    Darrin Bell, um cartunista negro ganhador do Prêmio Pulitzer, descreveu Adams como uma desgraça, mas disse que ele não é o único. “Seu racismo não é único entre os cartunistas”, disse ele no The New York Times.

    Houve um aumento no volume de discursos de ódio no Twitter desde que Musk assumiu a rede social em outubro de 2022, segundo as entidades americanas Centro de Combate ao Ódio Digital e Liga Anti-Difamação.

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    FonteBBC

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