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    População atravessa crise alimentar devido à seca

    Em Catete, um dos novos distritos da província de Luanda localizado a 60 quilómetros da capital, cerca de 70 mil habitantes aguardam mais apoio do governo provincial. Com a agricultura como base de sobrevivência, a população atravessa uma situação particularmente difícil devido à falta de chuva, que tem sido a principal fonte de irrigação das plantações. Em consequência disso, estão a surgir graves problemas sociais, principalmente devido à falta de alimentos, que uma boa colheita podia ter facultado.
    A situação está a afectar principalmente os mais velhos que, pela idade que possuem, já não têm forças suficientes para trabalhar a terra, nem para procurar alimento nos rios que, devido ao aquecimento global, estão a perder as poucas lagoas existentes na zona.
    Neste momento, existe uma e­nor­me falta de alimentos do campo, o que deixa os camponeses numa difícil situação, ao tornar essa actividade insustentável.
    A administradora-adjunta de Catete, Margarida Pedro, disse que, devido à falta de chuva, se perdeu toda a sementeira lançada à terra e que acabou por se estragar. “Tivemos pouca chuva este ano. Nem sequer possibilitou o amadurecimento dos produtos e a sua consequente recolha por parte dos camponeses, que muito esperavam daquele cultivo”, sublinhou.
    Margarida Pedro prometeu aos camponeses que a Administração vai fazer todos os possíveis para os ajudar a saírem da situação em que se encontram e apontou como solução possível um pedido de apoio ao governo de Luanda.
    O soba Domingos Francisco explicou que, além da situação da falta de chuvas, a pesca, que servia para o sustento de muitas famílias, também deixou de fornecer uma quantidade suficiente de peixe para consumo. A caça, outro meio de sobrevivência, deixou de ser praticada devido à idade avançada dos caçadores e por falta de interesse dos jovens em se dedicar a essa actividade. “Os jovens estão mais preocupados em trabalhar nas empresas e os mais velhos há muito que deixaram de caçar devido à idade”, referiu o soba.
    A autoridade tradicional lamentou o facto de algumas empresas de construção civil terem ocupado, supostamente de forma ilegal, algumas áreas destinadas à agricultura, para a exploração de burgau. “A situação é extremamente grave, por isso pedimos a intervenção do governo provincial para acabar com o sofrimento destas populações”, alertou.

    Governo de Luanda

    Para acudir no imediato à situação, o governo provincial entregou alimentos e material agrícola às autoridades tradicionais do distrito de Catete, município de Icolo e Bengo. Os bens, entregue pela vice-governadora para a Área Social, Juvelina Imperial, eram composto de farinha de milho, arroz, açúcar, feijão, caixas de óleo vegetal, de sardinhas, atum e maizena, panelas de cozinha, canecas, baldes, chapas de zinco, enxadas e picaretas.
    Durante o encontro com a vice-governadora de Luanda, os sobas apresentaram-lhe várias preocupações, entre as quais a falta de transportes públicos e a necessidade de reabilitar as vias de comunicação. Outro problema que aflige a população é a falta de abastecimento de água potável canalizada, o que obriga a que seja abastecida através de camiões cisterna.

    Diversas melhorias e alguns problemas

    Com a reabilitação de várias infra-estruturas, o município está a ganhar mais vida e já se regista um maior movimento de pessoas e automóveis, principalmente aos sábados e domingos.
    Filho de Catete, onde nasceu e vive há 36 anos, Bartolomeu José referiu ao Jornal de Angola que, de um modo geral, o distrito está em crescimento, com a reabilitação de estradas, centros de saúde e escolas.
    “Hoje, já temos um Centro Cultural, várias dependências bancárias, postos médicos, energia eléctrica, escolas”, salientou. Na sua opinião, se Catete continuar a reabilitar e construir infra-estruturas, nos próximos dez anos vai ter um importante conjunto de equipamentos, necessários para o seu crescimento.
    Adelaide Lobato, de 32 anos, considerou que a melhoria das condições de vida das populações tem estado a mudar, graças aos investimentos que o Executivo está a fazer, com a reabilitação e construção de infra-estruturas sociais. Apesar disso, o distrito continua a viver múltiplos problemas. Cerca de 90 por cento dos professores, funcionários administrativos e enfermeiros, vive em Luanda, por falta de infra-estruturas de alojamento, situação que preocupa as autoridades locais. As apreensões recaem principalmente sobre a falta de mais unidades sanitárias, escolares e infra-estruturas de apoio aos serviços administrativos, a par da carência de médicos, enfermeiros, professores e pessoal administrativo.
    Adelaide Lobato lamentou, ainda, a falta de ensino superior. “Hoje, já há jovens que reconhecem a importância de estudar, por isso é triste e lamentável ver muitos deles com vontade de prosseguir a sua formação, mas sem o poderem fazer por falta de uma Faculdade”, salientou.
    Além disso, há falta de armazéns de bens alimentares, vestuário, calçado e de materiais de construção. “Sem esses estabelecimentos comerciais, as pessoas são obrigadas a ir a Viana e ao Sambizanga para fazerem compras”, explicou, acrescentando que é necessário construir mais centros de formação profissional para os jovens. “Uma vez formados, eles têm a possibilidade de mais facilmente conseguirem um emprego na área em que se formaram”, concluiu.

    Fonte: JA

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