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    Os bens culturais são recuperáveis

    A fenda da Tundavala e toda a área turística e histórica da cidade do Lubango está a ser requalificada pelo governo da Huíla, com vista a ser classificada como Património Nacional e da Humanidade.
    “A inscrição da Tundavala como património histórico nacional e da humanidade é uma solicitação muito antiga e para a sua concretização o governo local, em parceria com o Ministério da Cultura, está a trabalhar na requalificação da zona”, afirmou a directora provincial da Cultura da Huíla, Marcelina Gomes.
    A responsável disse ao Jornal de Angola, a propósito do 18 Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que considera importante a classificação desta riqueza cultural e histórica do país.
    Dentro em breve, chegam à Huíla peritos do Ministério da Cultura para efectuarem um estudo profundo, observarem in loco e fazerem a medição da localidade e da profundidade da fenda, para criar um roteiro de toda zona e, ao mesmo tempo, inscrevê-la como património da humanidade.
    O governo local criou um projecto de recuperação dos monumentos e sítios e a zona natural da Tundavala é a primeira contemplada, atendendo à sua importância a nível nacional e mundial.
    A requalificação teve início no ano passado, com a asfaltagem de 20 quilómetros de estrada que ligam o centra da cidade do Lubango à barragem da Tundavala e daí para a fenda, numa extensão de aproximadamente cinco quilómetros. “A zona adjacente da fenda foi toda calcetada com blocos de granito e ornamentada com diversas árvores, de forma a melhorar a imagem do local”, disse Marcelina Gomes.
    Além da estrada principal, também estão a ser reabilitados os acessos a outras cascatas, cachoeiras, fendas e demais pontos turísticas que a zona natural da Tundavala comporta, de modo a promover o turismo da província.

    “A Tundavala vai ser uma zona à qual o turismo pode afluir sem grandes problemas e ganhar um maior valor em termos culturais, históricos e económicos”, frisou.

    Outros locais históricos

    Depois da zona natural da Fenda da Tundavala, o monumento e sítio do Cristo Rei, da cidade do Lubango, é o próximo espaço a beneficiar de obras de requalificação urgente do governo da Huíla, tendo em conta  a sua raridade a nível mundial.
    Marcelina Gomes especificou que a estátua tem alguns problemas na face e o espaço adjacente necessita de melhorias, que vão ser feitas no decorrer do ano, atendendo ao anúncio feito pela ministra da Cultura, durante uma das suas visitas ao Lubango. “Temos muitos monumentos ligados à escultura e à religiosidade em todos os municípios da província. Existem igrejas antigas e cemitérios, onde repousam os restos mortais dos ancestrais fundadores de algumas vilas e que estão por qualificar”, declarou.
    Além disso, também vai ser avaliado o património edificado das comunidades, sendo importante sensibilizar os proprietários, para participarem neste projecto de restauro dos monumentos e zelarem pela sua conservação e preservação. A direcção provincial da Cultura da Huíla, realçou, pretende recorrer à lei do Património Cultural para recuperar o património histórico que ainda restou do conflito armado, e tentar classifica-lo a nível provincial e nacional.
    Através do levantamento realizado, foi possível apurar que existem no Lubango 59 edifícios históricos, 17 de arquitectura religiosa, 21 de estrutura militar, 28 sítios arqueológicos, oito zonas históricas e 22 reservas naturais.
    Marcelina Gomes explicou que todos os monumentos locais estão em vias de serem classificados.
    “Os documentos para este propósito estão todos prontos e já foram entregues ao Ministério da Cultura. Mas, infelizmente, até ao momento, só oito estão classificados”, rematou.

    Conjugação de esforços

    O chefe de secção dos monumentos e sítios históricos da Direcção Provincial da Cultura no Huambo, Zeferino Sevendo, defendeu na quarta-feira a importância de haver uma maior conjugação de esforços por parte da sociedade civil quanto à protecção e preservação dos monumentos e sítios.
    O responsável adiantou à Angop, no âmbito das celebrações do Dia Mundial dos Monumentos e Sítios, que essa conjugação se destina a valorizar estes locais históricos e a perpetuá-los.
    Zeferino Sevendo chamou igualmente a atenção dos cidadãos no sentido de se envolverem de forma mais activa na segurança dos monumentos e sítios históricos, evitando que os mesmos desapareçam por acção irresponsável de indivíduos que insistem em perverter o objecto social dos mesmos.
    “É necessário que os esforços que estão a ser empreendidos pelo governo local, tendentes à conservação deste legado, sejam conjugados com todos os membros da sociedade civil”, afirmou.
    A Direcção da Cultura tem à sua responsabilidade 123 monumentos e sítios, dos quais apenas um – o forte da Quissala – é considerado Património Nacional.
    O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi criado a 18 de Abril de 1982 pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS) e aprovado pelo Organismo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A data destina-se a sensibilizar o público para a diversidade do património cultural e para os esforços que a sua protecção e conservação exigem.

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