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    Operações de resgate prosseguem em Moçambique de luto

    Equipas de socorro continuam as operações de resgate das vítimas do ciclone Idai, que fez centenas de mortos. Mais de 100 mil pessoas precisam de ajuda imediata em Moçambique, que cumpre três dias de luto nacional.

    De acordo com a DW África, a subida de nível dos rios continua a ser uma ameaça às comunidades rurais das províncias de Manica e Sofala, devido às previsões de chuva forte até quinta-feira (21.03), aliadas às descargas de barragens que se encontram no limite da capacidade.

    O ciclone Idai matou mais de 200 pessoas e 350 mil “estão em situação de risco”, segundo o último balanço avançado na terça-feira (19.03) pelo Presidente da República, Filipe Nyusi O Governo decretou estado de emergência e três dias de luto nacional a partir desta quarta-feira (20.03). “Durante este período a bandeira nacional será içada a meia haste em todo o território nacional e nas missões diplomáticas e consulares de Moçambique”, anunciou o chefe de Estado.

    Estima-se que mais de 100 mil pessoas precisam de ajuda imediata e o Governo não tem mãos a medir. A prioridade neste momento são as operações de busca e salvamento, segundo o ministro da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, Celso Correia.

    “As equipas estão a desdobrar-se para levar as pessoas das zonas alagadas para zonas seguras. Este serviço de apoio está a levar alimentação e água, essencial para as famílias poderem aguentar até fazermos a evacuação definitiva para zonas de acolhimento”, explica.

    Comida só chega para dois meses

    Em conjunto com organizações humanitárias, o Executivo está a providenciar assistência de emergência às vítimas do ciclone. Segundo Celso Correia, há comida para mais de 400 mil famílias, embora só chegue para dois meses.

    Além disso, o ministro garante que existem medicamentos suficientes para dar resposta. “O grande desafio neste momento é abrir vias de acesso e neste momento estamos a trabalhar com barcos e meios aéreos, helicópteros. Assim que restabelecermos as comunicações o nosso trabalho estará mais facilitado.”

    Entretanto, continuam a chegar ao país ajudas da comunidade internacional, numa altura em que cresce o medo que o Zimbabué abra as suas barragens e piore assim ainda mais a situação no centro de Moçambique. Quarenta toneladas de alimentos estão a caminho do aeroporto da cidade da Beira para alimentar a população que continua isolada, disse a representante do Programa Alimentar Mundial.

    Também a petrolífera norte-americana ExxonMobil anunciou um donativo de 264 mil euros para organizações de ajuda humanitária no país. A Namíbia anunciou que enviará peixe para as populações de Moçambique, Zimbabué e Maláui, os três países afetados pelo ciclone Idai.

    Estradas bloqueadas

    Por causa do ciclone, as estradas ficaram bloqueadas, devido a buracos, postes ou árvores que caíram nas vias. A situação está a prejudicar o negócio dos transportadores rodoviários, sobretudo no corredor da Beira, que liga a cidade ao interior da África Austral. Transportadores em Maputo chegaram a parquear os seus autocarros por falta de clientes.

    O Parlamento moçambicano cancelou a sessão plenária prevista para esta semana devido ao ciclone Idai, para que os deputados do centro do país estejam com as famílias. O presidente da Comissão Permanente do Parlamento, Mateus Katupa, disse que uma delegação de alto nível vai visitar as zonas afetadas pelo ciclone, “para apreciar as condições em que a Assembleia da República poderá dar o seu contributo”.

    O analista moçambicano Tagir Suleimane desafia os políticos a começar já a pensar no futuro e, a partir de agora, construir infraestruturas compatíveis com os desastres naturais a que Moçambique está exposto. “Há algumas infraestruturas que foram feitas há 50 ou 60 anos. Curiosamente, até porque a tecnologia nessa altura era escassa, até hoje estão a resistir. Havia uma consciência clara de que era preciso investir bem. Fomos crescendo com maior acesso a tecnologias e as coisas não estão a correr como podem”, lamenta.

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