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    Onofre dos Santos enriquece literatura

    (Fotografia: JA)
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    Onofre dos Santos disse na segunda-feira à noite, em Luanda, ser importante a nova vaga de escritores darem mais atenção à ficção, por se encontrar pouco trabalhada no país.

    O escritor, que fez a sua estreia na ficção com o livro “O conto da Sereia”, apresentado na segunda-feira na Universidade Lusíada de Angola, defende que os jornais deviam firmar acordos de forma selectiva com os escritores angolanos, em especial os jovens, de maneira facilitar-lhes a publicação dos seus contos e, se possível, pagar-lhes, para os incentivar a continuarem a escrever e publicar os seus textos. “Há muita gente com histórias interessantes para contar, mas que precisa de um incentivo material para o fazer”, disse.
    Nesse sentido, aconselhou os responsáveis pelos vários títulos existentes no país a criarem concursos, para se dar uma maior abertura à escrita, mas sempre com o critério de selecção como factor determinante.
    Onofre dos Santos lembrou que muitos escritores famosos ganharam prémios importantes no mundo, porque tiverem a possibilidade de dar a conhecer os seus trabalhos através dos jornais. “Eles precisam de ter meios que os sustentem para continuarem a escrever as suas obras”.
    Sobre o “O conto da Sereia”, de 122 páginas, disse que ele dói escrito a pensar em várias gerações, em especial a que se identifica com ele, por ser uma espécie de memória. “A Sereia é uma figura mítica, uma mulher diferente, imaginária, de que ouvimos falar mas que nunca tocámos. É uma mulher inacessível e, portanto, um símbolo para as minhas histórias”. O livro, explicou, relata várias memórias sua da Luanda antiga. “É uma espécie de biografia sentimental. As sereias que imagino e retrato na minha obra tomam banho na Ilha de Luanda. Não me imagino a escrever uma história sem rebuscar a minha infância na Chicala”.
    O objectivo é transmitir nos contos as suas vivências e recordações, onde as personagens se movimentam sempre próximo do mar. “Mesmo quando estou distante de Angola, a minha perspectiva de escrita é sempre relembrar Luanda, por este espaço geográfico fazer parte da minha vida.” Onofre dos Santos acredita ter chegado à ficção no momento certo, pelas várias experiências vividas ao longo da vida. “A ficção é, para mim, a história da minha vida contada de forma a transformar os meus sentimentos em brincadeiras de miúdos na praia, num outro contexto e em época deferente”.
    O escritor anunciou para o final do ano o lançamento de um livro de contos de Natal, e continuar a escrita das suas histórias. “Tenho muitos dos meus contos publicados em vários jornais. Pretendo, agora, publicá-los em livro”. Esta obra surge dez anos depois de o autor se ter estreado no mundo das letras com a publicação do livro “Os meus dias de Independência”, um diário íntimo dos dias que viveu na altura da proclamação da Independência de Angola.
    O autor tem ainda no mercado o livro “Eleições em tempo de cólera”, crónicas escritas na Guiné-Bissau. Advogado em Luanda, cidade onde nasceu, Onofre dos Santos é actualmente Juiz Conselheiro do Tribunal Constitucional, tem publicado semanalmente, desde Maio de 2012, no seminário “O País”, pequenas histórias, algumas das quais aparecem reunidas nesta sua primeira colectânea. (jornaldeangola.com)

    Por Manuel Albano

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