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    Onde elas se metem o mundo estremece

    Arnaldo Santos (DR)
    Arnaldo Santos (DR)

    Dá que pensar o que acontece quando elas juram as suas escolhas e se lhes dedicam de corpo inteiro. Vale a pena debruçarmo-nos primeiramente sobre essa capacidade de entrega, antes de avaliar as suas proezas e realçar as performances das nossas meninas que de Maputo nos trouxeram um quibuto de valor inapreciável com a Taça de Bicampeãs Africanas de Basquete.

    Assim, e mesmo antes de lhes reverenciar na praxe ou de lhes distribuir candandos, pensemos de maneira séria, não apenas nas recompensas que elas merecem como campeãs africanas, mas também nas muitas outras meninas, que vencem na vida sem deixar rastos tão ostensivos.
    Aqui na banda, onde elas se metem, se o mundo não treme, pelo menos estremece. Não precisamos de remontar a Rainha Njinga ou a Lueji para actualmente termos fartos motivos de acreditar na Mulher Angolana.
    Não se veja nesta minha opinião apenas uma intenção patriótica, que por vezes se esquece ou mancha intencionalmente (já basta a clique soarista, mas esses são coerentes no seu ódio contra Angola soberana e Independente). Mas sabiam que mesmo aqui dentro, há seitas religiosas que impedem que os seus fiéis cantem o Hino Nacional? Somente nos eventos desportivos internacionais ele se lhe sente como elo unificador. Tem assuntos básicos sobre os quais convém manter um olhar atento.
    É o caso da aplicação da Política para a Igualdade e Equidade de Género, cuja lei foi recentemente aprovada em Conselho de Ministros. Trata-se de um instrumento que pode vir a ser muito valioso no que refere ao papel que a mulher angolana pode desempenhar na nossa sociedade.
    Não nos faltam boas leis, simplesmente elas nem sempre chegam a ter uma real utilidade na vida das famílias angolanas, onde o papel do Género é reconhecido como preponderante. No espectro do Género, a questão coloca-se essencialmente entre o sexo masculino e o feminino, o que, para mim, significa que fora do confronto ou da relação entre o Homem e a Mulher nada mais interessa. Será?
    No hoje é hoje das famílias angolanas, o elemento principal é de facto a Mãe. Neste meu entendimento todos as questões cruciais e importantes para a Nação deviam ter essa premissa como sagrada, seja qual for o significado que se venha a atribuir a essa expressão. A lei ora aprovada sobre a equidade nos casos do Género deveria ter esse ponto de vista como dominante.  A Maternidade não é algo que seja comparável com qualquer fenómeno no mundo dos homens. Não vamos equiparar o que não é equiparável? Qual é o homem que aguentaria um mona na barriga durante nove meses, sem abortar?
    É claro que esta peroração não é arbitrária, pretende quiçá, pelo absurdo, deslocar o assunto para as consequências nacionais que advêm de um facto fundamental – a maioria das Mães angolanas nunca serão Mamãs.
    Essas meninas acabarão sempre reduzidas ao papel de mães-solteiras, condição menos respeitada, sem grande amparo social e dos progenitores dos seus filhos. Acresce que  o “salário mínimo nacional só chega para pagar metade da cesta básica” e ainda menos para enfrentar o aleitamento materno. Essas mães dificilmente chegarão a ser Mamanganas, talvez, apenas, mães-de-umbanda. Mas de que terreiros privados? (jornaldeangola.com)

    Por Arnaldo Santos

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