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    Omissões da Mídia “Mainstream” e Manipulação da Opinião Pública Internacional

    Francisco Pacavira (Foto: Francisco Pacavira)
    Francisco Pacavira (Foto: Francisco Pacavira)

    Na semana transacta dois caças F16 da Turkish Air Force (TAF) abateram um helicóptero Mi-17 da Síria, pelo mesmo ter alegadamente violado a fronteira entre os dois países na zona Yayladagi, província de Hatay. Na sequência do episódio, um grupo de rebeldes salafitas “terminou o trabalho decapitando” os pilotos e exibindo-os como “troféus” diante de telecâmaras, com com gritos de júbilo “Allah Akbar!”. (Video 1) (Video2)

    Por incrível que pareça, o facto foi eliminado da agenda noticiosa internacional. Alguém entre vocês leu ou ouviu algo sobre o assunto? Isto para que entendam, que mesmo no tempo das redes sociais, a propaganda, a desinformação, a “manipulação programada de massas” é sempre mais refinada.

    O facto de uma notícia do género, não obstante a gravidade e delicadeza dos factos, não tenha encontrado espaço para um equilibrado aprofundamento jornalístico, deveria obrigar-nos a reflectir sobre as razões profundas da crise síria, em particular e Médio Oriente em geral.

    Para a mídia em geral, as questões de guerras ou desastres de qualquer género, o silêncio não é de ouro. Subentende uma premeditada escolha de campo, uma perspectiva de interpretação e tentativa de orientar a opinião pública.

    Tendo em vista o incidente acima citado, eu questionaria: segundo o seu modesto parecer, por que razão a AFP, a Reuters, a CNN, a BBC e outras, não publicaram a notícia com os detalhes que o caso exige? Por que razão não deram a “justa” visibilidade deste evento, pese embora o abate do F15 turco em Junho de 2012 tenha aberto debates em todos os ângulos do planeta? Jicula messo, “cada um defende os próprios interesses”.

    Aproveito para lamentar, mais uma vez, o facto do Director da Rádio Nacional de Angola, o Dr. Eduardo Magalhães, e o PCA da TPA, o Dr. Hélder Manuel Bárber Dias dos Santos, por permitirem a contínua divulgação de notícias veículadas pela “Media Mainstream Internacional” sem a mínima análise. Urge que se criem gabinetes estratégicos de análises das notícias internacionais, a fim de “construir” as perspectivas culturais e ideológicas sobre a quais são construídas. Hoje por hoje, não nos podemos permitir ao triste processo do “Copy and Past” dos textos das agências como se alimento sacro se tratasse.

    Convenhamos, uma vez por todas, colocar a justa importância da formação “séria” de jornalistas “angolanos” capazes de analisar para divulgar as questões internacionais em perspectiva angolana, que tenham em conta os valores e interesses de Angola como nação, como país que pretende erguer-se como “Trincheira firme da revolução em África”. Todos os angolanos de bom senso devem trabalhar em prol do crescimento cultural de Angola, e o sistema de informação constitui uma pedra angular para o êxito deste processo.

    Por Francisco Pacavira

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