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    Ocupações arbitrárias de terrenos no Quenguela Norte, em Luanda

    A Associação de Amigos de Quenguela Norte (ASSOKEN), com sede no bairro com o mesmo nome, no actual município de Belas, divulgou esta semana um comunicado de imprensa onde denuncia que indivíduos desconhecidos estão a ocupar os terrenos dos seus filiados.

    O ambiente de paz e sossego em que viviam os camponeses terminou há dois anos quando os desconhecidos apareceram com supostas “ordens superiores” e manifestaram o interesse de ficarem com as parcelas de terra.

    O litígio atingiu o seu ponto mas alto no final do dia 31 de Dezembro último, quando eles regressaram de surpresa com máquinas, tractores e fizeram o loteamento dos terrenos.

    O tesoureiro da associação, Vladimir de Sousa, disse que os supostos invasores trabalham no período em que os funcionários das quintas já estão a descansar, fazendo o talhonamento da terra e automaticamente a construção de casas de chapas.

    Perante a situação, os membros da associação preferiram não enfrentar directamente os invasores e solicitaram explicações à Administração Municipal de Belas e ao Ministério de Urbanismo, mas não conseguiram apurar quem são os proprietários das obras que estão a ser feitas.

    Segundo Vladimir de Sousa, a administradora Joana Quintas reuniuse com os membros da ASSOKEN há duas semanas e percorreu os locais invadidos para atender a preocupação dos munícipes.

    A administradora regressou ao local no dia seguinte em companhia de efectivos da Polícia Nacional e apelou a população a parar com as construções por se tratar de uma zona que é reserva do Estado.

    A presidente da associação, Ana Maria Pereira, desabafou que se a zona é efectivamente reserva do Estado, eles se instalaram lá muito antes de a área ter sido classificada como tal e estão devidamente legalizados.

    Já o advogado da associação, Inglês Pinto, assegurou que vão tomar todas as medidas possíveis tanto administrativas e jurídicas, em última instância, para impedir que haja desapropriação em benefício de outros e não do Estado.

    “Temos que agir deste modo porque há interesses de outras pessoas, se for interesse público que notificam e negociem, pois o Estado é transparente.

    Caso for um projecto nobre e justo para dar sequência ou não. Está difícil contornar a situação, mas vamos ter uma solução”, disse o defensor.

    O bairro Kenguela Norte está sob a responsabilidade do Soba Cipriano Olímpio e foi dividida em quatro cooperativas, nomeadamente, Kudissola, Tanque Serra, Kudiva e Kenguela Centro, com o consentimento do Estado, segundo a autoridade tradicional.

    O secretário da cooperativa Kudissola, Lucas Cafebele, explicou que a população trabalha directamente com os coordenadores e estes, por sua vez, com o Estado, fazendo chegar as necessidades da comunidade.

    “Existe um acordo feito entre as duas partes, segundo o qual as pessoas indicadas pelos coordenadores constroem as suas residências próximas das suas lavras e o lucro da venda dos produtos é repartido 50% para o Estado e outra parte é revertida para a população, e em gesto de compensação receberam uma parcela de terra no acto do loteamento das terras”, disse o secretário do coordenador.

    Lucas Cafebele disse que naquele território está prevista a construção de uma nova centralidade, por esta razão ficaram surpresos com o talhonamento e não acredita que estão diante de obras do Estado. Se assim fosse, segundo ele, teriam sido avisados previamente.

    Queixas sobre a Assoken

    Dentro das suas responsabilidades, a cooperativa Kudissola recebeu em 2003 um grupo de pessoas que solicitaram autorização para integrar a cooperativa e trabalhar numa parcela de terra. Cedido o espaço, a comunidade local queixa-se de que o referido grupo ainda não fez nada em prol dos moradores da zona. O secretário da cooperativa Kudissola, Lucas Cafebele, contou que o grupo em causa é a Assoken. Por outro lado, Cafebele disse ainda que os invasores estão a construir casas a partir da via-expressa Cabolombo-VianaCacuaco.

    Algumas parcelas da cooperativa Kudiva também foram ocupadas por este grupo de indivíduos.

    A falta de acesso em algumas partes, provocada pelo capim que até agora ainda cobre partes da via, que não lhes permite chegar com facilidade ao Benfica, não facilita um maior controlo sobre os ‘garimpeiros’ que invadem territórios alheios.

    Martinho Joaquim conseguiu uma parcela de terra de 20 metros ao quadrado pela coragem que teve dirigindo-se até às autoridades máximas da área, onde construiu a sua residência. “Nós aqui nos sentimos intimidados pelos invasores, a ameaçam-nos com catanas e ninguém pode aproximar-se até às suas casas ”, testemunhou.

    O bairro criado pelos invasores recebeu a denominação de bairro das Catanas, por ter sido com esses instrumentos que conseguiram desapropriar alguns nativos.

    A Associação de Amigos ASSOKEN está constituída por 58 membros, a mesma foi fundada em 2003 e cada membro tem a sua parcela de terra, devidamente autorizada pelas autoridades locais e pelo Ministério da Agricultura.

    Após a constituição da ASSOKEN, têm sido desenvolvidas actividades de produção agrícola e criação de animais, que é controlada por funcionários e familiares de alguns membros da associação. Estes também sentiam-se intimidados por entidades supostamente com alguma influência naquela zona.

    Fonte: O País

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    2 COMENTÁRIOS

    1. olá sou brasileiro e casado com uma (angolana de luanda) à 4 meses atrás nós perdemos o contato por telefone com a familia dela, a família é da capital e mora no (bairro kenguela) O bairro Kenguela Norte está sob a responsabilidade do Soba Cipriano Olímpio e foi dividida em quatro cooperativas, nomeadamente, Kudissola, Tanque Serra, Kudiva e Kenguela Centro. o pai dela e soba seu Cipriano Olímpio. se alguém tiver algum amigo que mora nessa região nos mandem o convite no face ou no email rogerinfacul@gmail.com face rogerio rodrigues ANDRINA -SP

    2. olá sou brasileiro e casado com uma (angolana de luanda) à 4 meses atrás nós perdemos o contato por telefone com a familia dela, a família é da capital e mora no (bairro kenguela) O bairro Kenguela Norte está sob a responsabilidade do Soba Cipriano Olímpio e foi dividida em quatro cooperativas, nomeadamente, Kudissola, Tanque Serra, Kudiva e Kenguela Centro. o pai dela e soba seu Cipriano Olímpio. se alguém tiver algum amigo que mora nessa região nos mandem o convite no face ou no email rogerinfacul@gmail.com

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