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    Mundo terá juros altos por mais tempo se tensão geopolítica interromper processo desinflacionário, diz Campos Neto

    O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira que as tensões geopolíticas que estão atrapalhando o transporte marítimo na região do Mar Vermelho levantam o risco de interrupção da desinflação global, o que significaria juros altos por mais tempo.

    “Tem um fator de risco daqui para frente, porque (a tensão no Mar Vermelho) pode fazer com que esse processo de desinflação que a gente tem visto se interrompa”, disse Campos Neto em palestra promovida à Frente da Economia Verde. “Se de fato o processo de desinflação for interrompido, a gente vai ter que viver com juros mais altos.”

    As interrupções de frotas marítimas têm sido provocadas por militantes houthis aliados ao Irã, que vêm atacando navios internacionais no Mar Vermelho em apoio ao grupo militante palestino Hamas, alvo de Israel na guerra que assola Gaza.

    BRASIL

    Sobre o cenário doméstico, Campos Neto voltou a dizer nesta quarta-feira que o Brasil possui uma inflação de serviços ainda em um patamar “um pouco acima” do ideal, avaliando que a autoridade monetária não tem os componentes necessários para concluir como será o ritmo da “última milha” do indicador no caminho da convergência.

    Seus comentários vieram depois que dados de janeiro do IPCA surpreenderam para cima, embora tenham desacelerado frente a dezembro, com preocupação do mercado financeiro com o nível elevado da inflação de serviços excluindo as passagens aéreas, item mais volátil.

    O presidente do BC chamou a atenção também para as expectativas de inflação ainda um pouco acima da meta para os próximos anos, repetindo comentários anteriores. “Para fazer uma queda de juros com credibilidade, a gente precisa ter esse movimento com expectativas de inflação decrescentes, para que tenha uma propagação ao longo da curva”, disse Campos Neto.

    O mais recente boletim Focus mostra projeção de inflação de 3,51% em 2025 e 3,50% para os dois anos seguintes. O centro da meta oficial para a inflação em 2024, 2025 e 2026 é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

    Apesar dos riscos, Campos Neto frisou que o processo de desinflação no Brasil ainda está em andamento e, num geral, em linha com as expectativas da autoridade monetária.

    Sobre o fiscal, o presidente do BC disse que o país está num processo de trajetória de dívida que tende a se estabilizar ou a subir numa velocidade menor após a instituição do arcabouço fiscal, mas cobrou soluções mais profundas para a questão num longo prazo.

    “A questão é: em algum momento a gente vai precisar falar de como fazer a convergência da dívida. Eu acho que esse é um tema que tem dominado o debate, e está muito associado a um nível de juros de equilíbrio com que você consiga trabalhar, não só no Brasil como em outros países”, afirmou Campos Neto.

    Ele disse ainda que “o Brasil tem uma dificuldade grande histórica em ajustar a parte de gastos” de seu Orçamento. O plano de controle das contas públicas do Ministério da Fazenda, liderado pelo ministro Fernando Haddad, tem foco no aumento da arrecadação em detrimento de cortes de despesas.

    Por Luana Maria Benedito

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    FonteREUTERS

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