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    Mundo se despede de 2022 e entra em um 2023 de esperanças e desafios

    O mundo, agora com 8 bilhões de habitantes, se prepara neste sábado (31) para entrar em 2023 e deixar para trás doze meses marcados pela guerra na Ucrânia, inflação e uma Copa do Mundo que consagrou a Argentina de Lionel Messi.

    2023 começa com o grande desafio da volta da pandemia de covid-19 na China e com a esperança de que a volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder permita conter o desmatamento da Amazônia, após os anos de governo Bolsonaro, que promoveu a mineração na maior selva tropical do planeta.

    Para boa parte da Humanidade, estes dias serão de luto e preparativos fúnebres, depois da morte, na quinta-feira (29), do astro do futebol Pelé e do papa emérito Bento XVI, este sábado no Vaticano.

    Mas muitos esperam compensar os anos amargados pela pandemia e comemorar o Réveillon em grande estilo, apesar do alto custo de vida e do fato de que o vírus, relativamente esquecido nos últimos meses, voltou a preocupar pelo número vertiginoso de casos na China.

    Sydney, na Austrália, foi uma das primeiras grandes cidades a receber 2023, recuperando sua coroa de “capital mundial do Ano Novo”. O país reabriu suas fronteiras e uma multidão aproveitou um espetáculo com mais de 100.000 fogos de artifício na Baía de Sydney.

    “Foi um ano muito bom para nós, deixar a covid para trás é ótimo”, disse David Hugh-Paterson à AFP, perto da Ópera.

    As comemorações acontecerão em todos os cantos do planeta. Em Madri, por exemplo, os espanhóis se despedirão de 2022 com as doze badaladas da praça Porta do Sol pouco antes da meia-noite, que serão acompanhadas por todo o país pela televisão e com os espanhóis comendo uma uva ao som de cada uma delas.

    – O sonho de “um céu pacífico” –

    Para alguns, 2022 ficará marcado como o ano do jogo de palavras online Wordle, do tapa de Will Smith em Chris Rock no Oscar, da Copa do Mundo vencida por Messi ou do último show de Joan Manuel Serrat.

    Também significou o adeus de Pelé e Bento XVI, assim como a partida da rainha Elizabeth II, do cantor cubano Pablo Milanés, do escritor espanhol Javier Marías e do último líder soviético, Mikhail Gorbachev.

    Mas, provavelmente, 2022 será lembrado, antes de mais nada, pelo retorno da guerra na Europa.

    Mais de 300 dias após o início da invasão russa na Ucrânia, cerca de 7.000 civis morreram e mais de 10.000 ficaram feridos, segundo o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. Além disso, cerca de 16 milhões de ucranianos foram forçados a deixar suas casas.

    Quem ficou no país deve respeitar o toque de recolher de 23h até 5h, entre apagões periódicos causados pelos bombardeios russos contra infraestruturas de energia, em pleno inverno.

    Muitos ucranianos vão passar a virada do ano rezando à luz de velas, mas outros querem festejar a noite toda.

    Na Rússia de Vladimir Putin parece não haver clima para grandes comemorações.

    Moscou cancelou seus tradicionais fogos de artifício após o prefeito Sergei Sobyanin consultar os moradores.

    Irina Shapovalova, uma funcionária de uma casa de repouso, admite que seu principal desejo para 2023 é “um céu pacífico sobre nossas cabeças”.

    – Volta da covid-19? –

    Após dois finais de anos atípicos devido à pandemia de covid-19, as vacinas permitiram o retorno a uma certa normalidade na maior parte do mundo.

    No entanto, a China, onde o vírus foi detectado pela primeira vez, enfrenta uma nova onda, após o levantamento abrupto no início do mês das restrições sanitárias em vigor desde 2020.

    O vírus se propaga rapidamente entre uma população que até agora quase não teve contato com a doença e sobrecarrega hospitais e crematórios.

    Esta situação levou muitos países a exigir testes de covid-19 aos viajantes que chegam da China, por medo do surgimento de novas variantes.

    Na América Latina, a posse de Lula culminará, no domingo (1º), a abertura de um novo ciclo de governos de esquerda, com ‘novatos’ como Gustavo Petro, na Colômbia, e Gabriel Boric, no Chile, aprendendo a lidar com as complexidades do poder.

    Após um final de ano marcado pela destituição do presidente Pedro Castillo, os protestos no Peru – que pedem a renúncia do atual governo de Dina Boluarte e já deixaram 22 mortos e mais de 600 feridos – podem ser retomados em janeiro.

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