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    Mucusso aguarda por investimentos

    A comuna do Mucusso, município do Dirico, que faz fronteira com a Zâmbia e a Namíbia, é considerada uma das principais parcelas do Kuando-Kubango inserida no projecto turístico transfronteiriço de Okavango/Zambeze, devido à exuberância da sua fauna e flora.
    Com uma população de aproximadamente 4.451 habitantes, maioritariamente Bantu e uma minoria de famílias Khoisan, vulgo camussequeles, as suas potencialidades turísticas contrastam com a realidade actual da região. A sede da comuna foi fortemente atingida durante a guerra e os escombros e outros vestígios do conflito armado são bem visíveis em toda a extensão da vila.
    Um aglomerado de casas de adobe e pau-a-pique cobertas de capim constituem o cartão de visita para quem se desloca pela primeira vez àquela região. Os anteriores edifícios de construção definitiva foram transformados em escombros durante o conflito armado.
    A residência do administrador, uma escola de duas salas e um posto médico, construídos pelo governo do Kuando-Kubango, destacam-se no meio da vila. Na localidade estão também a ser erguidas outras infra-estruturas, como escolas, esquadras policiais e residências, mas as obras estão paralisadas por falta de verbas.
    Para viajar até à sede comunal do Mucusso, que fica a mais de mil quilómetros de Menongue, as pessoas têm de utilizar o território namibiano devido à destruição da ponte rodoviária sobre o rio Cuito.

    Inaugurado sistema de água potável

    Para minimizar o sofrimento da população, o governo inaugurou, no princípio deste mês, na sede comunal do Mucusso, um sistema de captação e distribuição de água potável, cinco lavandarias e igual número de chafarizes, que custou aos cofres do Estado 93 milhões de kwanzas. A estação de captação está equipada com duas electrobombas com uma potência para bombear 26 mil litros de água por hora.
    O sistema de tratamento está equipado com dois grandes filtros de areia e um tanque onde é doseado hipoclorito de sódio, enquanto o sistema de distribuição conta com dois reservatórios de 281 mil litros de água tratada e vai beneficiar, numa primeira fase, perto de dois mil consumidores. Até ao momento, já foram feitas 16 ligações domiciliares, com realce para o posto médico, escola, esquadra da polícia e casas particulares.
    Durante o acto inaugural, Bartolomeu Cayunde, um ancião de 100 anos, agradeceu o esforço do governo, tendo em conta que o empreendimento veio diminuir o sofrimento da população, que retirava água do rio, correndo o risco de serem atacados pelos jacarés.
    “Agora, vamos deixar de beber a mesma água com os elefantes, búfalos, hipopótamos, gado bovino, caprino, suíno que representavam um atentado à saúde humana. Pedimos ao governo que, através de furos, faça chegar água potável a nove outras aldeias, sob a sua jurisdição” disse.
    A jovem Juliana Tchocolembe, 22 anos, residente há três anos na comuna, diz estar feliz com a entrada em funcionamento do sistema de captação e tratamento de água potável, visto que vai evitar, de uma vez por todas, o contacto das pessoas com rio.

    Sinal de Rádio e Televisão

    A população do Mucusso, maioritariamente camponesa, pediu às autoridades da província para deslocarem para a localidade o sinal da Rádio Nacional de Angola (RNA) e que sejam repostos os equipamentos da Televisão Pública de Angola, que se encontram avariados há cerca de um ano.
    Nos municípios fronteiriços, o sinal da TPA só é visto nas sedes municipais do Cuangar e Calai, onde foram instalados emissores de 200 watts de potência que, em determinado momento, provocou mau estar com as autoridades namibianas do Rundu, uma vez que o sinal acabou por ofuscar a emissão da NBC, canal televisivo da Namíbia.
    Outra situação que está a criar desconforto aos habitantes da comuna é a ausência das operadoras de telemóvel, Unitel e Movicel. Para contactar com os seus familiares, são forçados a usar as comunicações da MTC e Cell One, da Namíbia, situação muito constrangedora, atendendo ao elevado preço das tarifas.

    Mucusso

    O Jornal de Angola apurou que a escassez dos vários serviços públicos, como registo de menores e de identificação de adultos, está a criar sérios transtornos às populações.
    O outro problema prende-se com a falta de serviços de saúde. A região conta apenas com um posto de médico, sem o mínimo de condições de trabalho. Para se ter uma ideia, uma enfermeira atende diversas patologias. O paludismo, as doenças respiratórias e diarreicas agudas, as infecções de transmissão sexual (ITS), são as doenças mais frequentes na localidade.
    Os casos mais graves são encaminhados para a vizinha Namíbia, independentemente do bolso de cada um.   No sector da Educação, o cenário não difere muito, coabitando na mesma escola, com três salas e sem carteiras, 1.694 alunos, da iniciação à oitava classe. O estabelecimento do ensino precisa urgentemente de obras de reabilitação e conta com 15 professores. Mais de 1.800 crianças estão fora do sistema normal de ensino.
    Relativamente à energia eléctrica, a sede comunal não tem razões de queixas, pois beneficia de corrente a partir da vizinha Namíbia, através de um convénio entre a “Nam Power” e a Empresa Nacional de Electricidade (ENE).
    Além de cultivarem feijão, batata-doce, massango, massambala, a população do Mucusso dedica-se igualmente à caça e à pesca artesanal.

    Melhores dias

    Com uma exuberante fauna e flora, a comissão de gestão do projecto turístico internacional de Okavango/Zambeze definiu a comuna do Mucusso como uma das partes mais importantes deste ambicioso programa, que está a ser implementado por Angola, Namíbia, Botswana, Zimbabwe e Zâmbia. Nota-se  a presença de leopardos e leões.

    Fonte: Jornal de Angola

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