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    Moradores deixam para trás tempos de grande sofrimento

    As pessoas que residiam junto à vala do Suroca, também conhecido por “Rio Mabuba”, foram realojadas no Zango III e reconhecem que ali o perigo estava à espreita. “O que queremos é mais infra-estruturas sociais, como postos médicos, escolas e esquadra policial”, afirmaram.
    Beto França é um dos que viu a sua casa na Vala do Suroca ser demolida. Em contrapartida, recebeu uma residência com melhores condições de habitabilidade no Zango III. “Estou satisfeito, apesar da distância que separa o Zango III ao centro da cidade. Mas aqui está-se melhor e conseguimos dormir à vontade”, disse ao Jornal de Angola.
    Quem também está contente por ter agora uma casa no Zango é Alfredo Mateus. Os elementos da Coordenação Técnica de realojamento, referiu, estão a compensar os donos de casas na Vala do Suroca. A título de exemplo, explicou que a sua anterior casa estava bem acabada e, por essa razão, recebeu três habitações de tipo T-3.
    Sandra da Silva estava sentada junto ao portão da sua nova casa a apreciar a rua. “Quando tomei contacto com as novas habitações, nem estava a acreditar que são minha propriedade. Estou sem palavras e só quero agradecer por nos terem tirado dali e nos meterem neste sítio seguro”, salientou, acrescentando que, devido ao tamanho da sua anterior casa, foi contemplada com duas habitações com água corrente e energia eléctrica.

    Melhores condições

    Todas as pessoas interpeladas pelo Jornal de Angola foram unânimes em afirmar que, no Zango III, embora faltem ainda algumas infra-estruturas sociais, como posto médico e escolas, as condições de habitabilidade são boas porque há saneamento básico.
    “Aqui não há águas paradas, como na Vala do Suroca, que faziam surgir mosquitos. Algumas fossas, só num mês, enchiam duas ou três vezes. Aqui estamos melhor”, garantiram. “Alguns moradores estão a receber duas a três casas, de acordo com as dimensões das que tinham”, explicou Beto José, para acrescentar que as condições de que actualmente dispõe são boas “e não se comparam com aquelas a que estávamos submetidos na Vala do Suroca”.

    Um passado difícil

    Os novos inquilinos do Zango III reconheceram que corriam risco de vida, principalmente no período chuvoso, em que água corria pela Vala e chegava, muitas vezes, a transbordar para as casas.
    Para eles, os tempos de angústia ficaram para trás. “Quando vivia na Vala do Suroca e começava a chover tinha de correr para casa, por causa dos miúdos, por um lado, e para arranjar um lugar mais seguro para proteger a mobília”, realçou Levi Guimarães.
    Com alguma tristeza, recordou que, durante a época das chuvas de há dois anos, houve uma criança que, por descuido, caiu na Vala e a água da chuva arrastou-a.
    Lá, viu muitas mobílias a serem arrastadas pela correnteza da água e muitas casas a desabarem. “Tenho a certeza que aqui estamos bem. A chuva já não volta a ser uma preocupação para nós. Só quero pedir à equipa técnica para desalojar os nossos irmãos que ainda estão a morar em zonas de perigo, como são aquelas que ficam junto às valas”, acrescenta Levi Guimarães.
    Os novos moradores elogiaram a qualidade do fornecimento da água potável e de energia eléctrica no Zango III, que é abastecido 24 sobre 24 horas, como garantiram ao Jornal de Angola.
    “Aqui no Zango III damo-nos ao luxo de tomar banho de chuveiro, coisa que não acontecia na Vala do Suroca, nem mesmo nalguns bairros suburbanos de Luanda.”

    População disposta a sair

    Domingos Gonçalves é coordenador do quarteirão três do bairro Óscar Ribas, no Cazenga. Alguns moradores que têm as suas casas junto à Vala do Suroca e que ainda não foram realojados, mostram-se dispostos a abandonar a zona. “É verdade que aqui as condições não são boas e há muitos que estão dispostos a sair desta zona para o Zango”, afirmou Domingos Gonçalves, que aconselhou os moradores a aproveitarem esta oportunidade que a Coordenação Técnica para o realojamento está a dar.

    Polícia louva os moradores

    A Polícia Nacional tem desempenhado um papel relevante na sensibilização, mobilização e a­companhamento dos moradores a serem realojados.
    O Comando da 13ª Esquadra da Polícia Nacional, afecto à terceira Divisão, Cazenga, louva o comportamento cívico dos moradores da Vala do Suroca durante as demolições e a transferência para o Zango.
    O intendente João António Pascoal, comandante da 13ª Esquadra, explicou que durante as demolições e transferência, a população se comportou de forma cívica e não se registaram quaisquer casos de vandalismo. Os moradores são notificados a abandonarem as casas e de seguida são transportados para o Zango”, referiu.
    O comandante espera que este tipo de comportamento seja seguido pelos demais moradores que, no futuro, também vão ser realojados no Zango.

    Fonte: JA

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