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    Ministério da Cultura alerta para preservação do património

    O Ministério da Cultura reiterou em Luanda que é preciso preservar o património cultural do país, uma tarefa que considera difícil. Esta chamada de atenção consta de uma nota de imprensa sobre o 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que ontem se comemorou.
    “Como se sabe, a sua conservação e preservação, na prática, são tarefas difíceis e, principalmente, bastante onerosas. Obriga a uma grande conjugação de esforços. Queremos com isto dizer que não pode ser tarefa exclusiva do organismo de tutela, ou seja, o pelouro da Cultura, a sua conservação e recuperação”, afirma a nota.
    A defesa e a conservação dinâmica da herança patrimonial, sublinha o Ministério da Cultura, é um acto comum que não deve ser apenas concebido pela política pública para a sua protecção, mas também pelo interesse e empenho por via da integração de iniciativas públicas e particulares, diante de um progressivo movimento eminentemente didáctico e de conscientização junto das comunidades.
    O documento refere que fica ainda muito por fazer, para que o património seja reconhecido, estudado, documentado e salvaguardado, pelo que é urgente pôr em prática algumas importantes medidas de conservação, com repercussões positivas para a sua valorização.
    “Os esforços do Ministério da Cultura serão redobrados, com o fim de alcançar a responsabilização, a estima, o respeito ao património, a participação e o acesso do público e a implicação da sociedade na problemática da sua preservação, porque consideramos que nenhum povo pode existir e coexistir com outros povos sem memória de s”, afirma a nota.  Para o presente ano, o Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS) propõe o tema “O 40º aniversário da Convenção do Património Mundial: Reconhecer os Desafios do Futuro”, no quadro da qual foi estabelecida a conhecida “Lista do Património Mundial”, um dos principais instrumentos internacionais para a protecção e da valorização do património.

    Monumentos do Zaire

    O chefe de secção do Património Cultural, da Direcção Provincial do Zaire da Cultura, Nicolau Cabeia, considerou os monumentos e sítios da região como sendo o legado dos ancestrais às actuais e futuras gerações. Em declarações à Angop, por ocasião do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, assinalado ontem, frisou que os monumentos e sítios retratam a vida, os hábitos e costumes dos nossos antepassados, pelo que devem ser bem conservados e protegidos.
    A província do Zaire é rica em monumentos e sítios históricos, alguns dos quais já classificados pelo Ministério da Cultura, através do seu Instituto de Património Cultural.
    Dos monumentos existentes na região, Nicolau Cabeia destacou o Museu dos Reis do Congo, a Sé Catedral (Kulumbimbi), estes dois já classificados, as capelas das igrejas Católica e Baptista, a antiga Cadeia Provincial e a igreja das Irmãs Franciscanas. Quanto aos sítios históricos, enumerou o “Sunguilo”, onde se lavavam os corpos dos reis defuntos, Mpinda a Tadi, local onde se embalsamavam os corpos, o túmulo de dona Mpolo, e Tadi dia Bukikua, todos localizados na cidade de Mbanza Congo.
    Ainda em matéria de sítios históricos, mencionou a “Ponta do Padrão”, local onde desembarcou o explorador português Diogo Cão, em 1482, o Porto de Mpinda, que servia para o embarque de escravos para  América, estes localizados no município do Soyo e classificados.
    Assegurou que, estes e outros monumentos e sítios da província estão em perfeitas condições de conservação, embora existam vestígios de deterioração nas paredes da Sé Catedral (Kulumbimbi) provocadas pelas chuvas intensas que caem anualmente sobre a região.

    Cabinda faz inventário

    A secretaria provincial da Cultura de Cabinda tem em carteira um projecto de inventariação de todos os sítios históricos que se identificam com a luta de libertação nacional.
    Falando à Angop, Simão Capita, responsável pelo património cultural em Cabinda, disse que dos sítios a serem inventariados constam as antigas bases do MPLA e outros locais em que se travaram combates entre as tropas coloniais portuguesas e os combatentes da liberdade.
    Constam também do projecto a requalificação do marco histórico do Tratado de Simulambuco, o Cemitério dos Nobres de Cabinda, o local do Lussongo no Tchele, o Umcundo Mabaka no Sassa Zau, a requalificação em curso do túmulo do Mangoio, na aldeia de Ngoio, e o do rei dos Bingas, no Buço Zau.
    A secretaria provincial de Cabinda da Cultura tem 37 monumentos inventariados, dos quais um reconhecido e classificado: a Igreja S. Tiago, de Lândana, classificado a 18 de Março de 1959.
    Tem ainda 24 sítios, sendo dois reconhecidos, os locais de concentração dos escravos de Chifunca e de embarcação de escravos do Malembo, ambos classificados em despacho ministerial de 7 de Novembro de 1996.
    Simão Capita destacou ainda monumentos como o templo da missão Evangélica de Mboca, na comuna de Luali, município de Belize, o Palácio do Governo Provincial e o edifício da antiga cadeia.

    Fonte: JA

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