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    Mercado energético na Europa sob ameaça de apagão

    (Foto de PATRIK STOLLARZ/AFP/Arquivos)
    (Foto de PATRIK STOLLARZ/AFP/Arquivos)

    A crise económica na Europa colocou em evidência as falhas do sistema energético europeu, com o consequente risco de um apagão, apesar do excedente de capacidade de produção.

    Os preços irracionais, a volta do carvão como fonte energética e políticas pouco ajustadas à realidade são alguns dos problemas que o sector sofre e que as autoridades europeias pretendem corrigir.

    Para isso, analisam potencializar o “mercado de carbono” (ETS, na sigla em inglês), que consiste em estabelecer quotas e em trocas de emissões de toneladas de CO2.

    Contudo, os preços actuais (em torno de 5 euros a tonelada) reduzem os incentivos, voltando as atenções para energias menos poluentes.

    Para o responsável da influente Direcção Geral da Energia e do Clima (DGEC) francesa, Pierre-Marie Abadie, a prioridade é restabelecer um parâmetro de carbono.

    O preço tão baixo do CO2 faz que os produtores europeus de electricidade preferem utilizar carvão, cujos preços caíram após a exploração do gás de xisto nos Estados Unidos.

    Em Novembro, Bruxelas chegou a um acordo para retirar 900 milhões das quotas nos próximos três anos, apesar de indústrias como a química serem contra, pondo fim a meses de negociações.

    “Provavelmente, não será suficiente”, disse Benoît Leguet, director de Pesquisa do sector “verde” da Caisse des dépôts (instituição pública francesa), CDC Climat.

    A Comissão Europeia que, na semana passada, apresentou um pacote de medidas “energia clima” para 2030, propõe que seja reduzida em 2,2% a queda anual do número de quotas concedidas.

    Outra possibilidade é estabelecer um preço máximo, ou uma “taxa de carbono” fixa, mas ainda não há consenso a esse respeito.

    Para tornar as centrais de gás mais atractivas do que as de carvão, a tonelada de CO2 teria de valer entre 30 e 40 euros, segundo os especialistas.

    Rever ajudas para energias renováveis

    Uma das reivindicações das grandes companhias energéticas europeias (como Iberdrola, Enel, EDF, GDF Suez, RWE, EON, Iberdrola, Enel, Vattenfall…) é que sejam revisadas as ajudas às energias renováveis, o que preocupa os partidários das energias limpas.

    No alvo, estão as “tarifas de compra” subsidiadas da energia eólica e fotovoltaica em vários países, que passam em prioridade na rede.

    Esses privilégios contribuem para a queda dos preços do mercado, que já se ressentem da crise económica. No final, essa queda se reflecte no preço pago pelos consumidores domésticos e pelas empresas, e que não para de subir.

    Esse argumento parece ganhar cada vez mais adeptos apesar de a Comissão acabar de fixar como objectivo que para 2030, 27% da produção energética seja de origem renovável.

    Na Alemanha, onde os preços da electricidade duplicaram em 10 anos, o governo de Angela Merkel anunciou na semana passada cortes importantes no apoio às energias renováveis. Em 2017, os produtores de energia verde terão de vender a preço de mercado.

    Com problemas para enquadrar o orçamento, a Espanha deu, em meados de 2013, uma guinada na política de apoio às energias renováveis.

    Na França, que poderia abandonar gradualmente as “tarifas de compra”, um relatório publicado na terça-feira pede que se renuncie a isso no caso de tecnologias “maduras” como a eólica terrestre e a fotovoltaica.

    Também começam a surgir dúvidas sobre se é preciso pagar uma central eléctrica apenas quando tiver produção, ou mesmo quando a unidade estiver paralisada. A ideia do “mecanismo de capacidade” vai se impondo pouco a pouco. A Alemanha foi o último país a se somar ao movimento.

    Em uma rede eléctrica, a oferta de corrente deve se adaptar constantemente à demanda, o que implica mobilizar rapidamente a produção (hidroeléctrica centrais térmicas, principalmente) para satisfazer as altas súbitas de demanda, ou compensar a queda da produção aleatória das eólicas e os painéis solares.

    Devido à crise do sistema eléctrico europeu, “não há uma só central de gás que ganhe dinheiro em todo o continente”, disse, na semana passada, o director da alemã E.ON, Leonhard Birnbaum.

    O desaparecimento do mercado dessa capacidade de se adaptar às circunstâncias, que para 2015 se elevará a 38 gigawatts, segundo os industriais, apenas aumenta o risco de escassez e de um apagão catastrófico.

    Tratar-se-ia, portanto, de remunerar algumas capacidades disponíveis, como já fazem alguns países europeus como Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal, Suécia, ou Finlândia. Espera-se que Grã-Bretanha, França, Itália e Alemanha façam isso nos próximos anos. (afp.com)

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