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    Medvedev anuncia reforma política e ameaça reprimir manifestantes

    Com um novo protesto da oposição marcado para a véspera do Natal, o presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou hoje que o governo “não aceitará ingerência externa e provocações de extremistas”. Ele propôs uma reforma política no país para aumentar a participação dos russos na vida pública, mas ameaçou os manifestantes com represálias durante seu discurso anual aos parlamentares.

    Medvedev fez algumas concessões à oposição ao anunciar uma reforma do sistema político, medidas de luta contra a corrupção e a criação de um canal de televisão público independente. O presidente russo abusou da retórica para prevenir os opositores contra novas agressões da polícia no protesto de sábado.

    “As pessoas têm o direito de expressar suas opiniões pelos meios legais, mas as tentativas de manipulação dos cidadãos russos, de induzi-los ao erro, de atiçar os conflitos sociais são inaceitáveis”, disse Medvedev. “Não deixaremos provocadores e extremistas arrastarem a sociedade em suas aventuras”, acrescentou o líder.

    Desde que os russos saíram nas ruas para protestar contra supostas fraudes nas eleições legislativas vencidas pelo partido Rússia Unida, o primeiro-ministro Vladimir Putin tem acusado os Estados Unidos de estar por trás do movimento. Medvedev reafirmou que não vai permitir “ingerência externa nos assuntos internos” da Rússia.

    A poucas semanas de trocar o posto de presidente pelo de primeiro-ministro, na troca de cadeiras acertada com Putin, Medvedev detalhou a reforma política em estudo no Kremlim. Como Putin já havia evocado na semana passada, Medvedev propôs a introdução do voto direto para governador de região e uma flexibilização das regras eleitorais.

    O chefe do Kremlim também anunciou que os funcionários do aparelho de Estado terão de apresentar notas de suas despesas, numa tentativa de frear a corrupção na burocrática administração russa. “Acho que é normal controlar as despesas dos funcionários se elas não correspondem ao salário recebido”, disse Medvedev.

     

     

    Fonte: RFI

    Foto: REUTERS/Alexander Zemlianichenko

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