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    Manifestação: Julgamento sumário continua no tribunal provincial de Luanda

    O julgamento sumário dos 103 detidos na manifestação de Sábado, continua esta quarta-feira, no Tribunal Provincial de Luanda “Palácio D. Ana Joaquina”. Os jovens são acusados de ofensas corporais, danos materiais e arruaça. Nas imediações, quem protestava começou a dispersar pelas 20:30 de segunda-feira mas houve quem não quisesse arredar pé. Vão ser realizados interrogatórios individuais. O dia vai ser longo.

    Por volta das 20:30 de segunda-feira, pouco mais de uma centena de pessoas ainda se recusava a abandonar o local onde se encontravam também a Polícia de Intervenção Rápida (PIR) e as brigadas caninas.

    Nessa tarde, como o Novo Jornal constatou no local, os manifestantes proibiram a saída de funcionários e de juízes do Tribunal Provincial de Luanda e várias viaturas foram impedidas de circular por familiares, amigos e apoiantes dos detidos, que exigiam a sua libertação. Duas pessoas desmaiaram durante este protesto.

    Os manifestantes insurgiram-se também contra os profissionais da TPA e da TV ZIMBO, impedindo-os de trabalhar.

    Desde as primeiras horas que centenas de pessoas estiveram nas imediações do TPL, entre estes amigos e familiares dos detidos, com palavras de ordem que exigem a libertação imediata dos jovens que participaram na manifestação de Sábado, que foi reprimida de forma violenta pela Polícia Nacional, que deslocou para a cidade centenas de elementos da PIR, brigadas caninas e a cavalaria.

    Entre os detidos estão 90 homens e 13 mulheres.

    A assistir ao julgamento estiveram vários deputados e dirigentes da UNITA, partido que apoiou, tal como o Bloco Democrático, o protesto organizado pelos movimentos da Sociedade civil Revolucionário e pela Cidadania.

    Sobre os jornalistas detidos, ouvido o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas, os profissionais foram libertados ainda na tarde de segunda-feira e não serão julgados, mas foram antes ouvidos pelo SIC – Luanda.

    “Liberdade já!, Liberdade já!”, ouvia-se no início do julgamento sumário, na manhã de segunda-feira, à porta do Tribunal Provincial de Luanda.

    Entre as mais de 200 pessoas que estavam concentradas à porta do TPL, estavam familiares e amigos dos detidos, incluindo jornalistas e dirigentes da UNITA, partido que se juntou ao protesto organizado pelo Movimento Revolucionário e pelo Movimento pela Cidadania.

    Como o Novo Jornal constatou antes do início do julgamento, os detidos foram levados para o “Dona Joaquina” em grupos separados enquanto os familiares e amigos dos detidos gritavam palavras de ordem para exigir a libertação dos jovens, sublinhando que se tratam de detenções sem justificação.

    A UNITA divulgou um comunicado, entretanto, onde exige a “libertação incondicional” dos detidos todos.

    Na segunda-feira, o Presidente da República, João Lourenço, reuniu na Cidade Alta, com o ex-presidente da UNITA, Isaías Samakuva, tendo como mote para a reunião a manifestação de Sábado e as suas consequências, como se pode ler aqui.

    Segundo o secretário de Estado do Interior, Salvador Rodrigues, entre os detidos estão, para além dos elementos das organizações da sociedade civil que organizaram o protesto popular, Movimento Revolucionário e Movimento para a Cidadania, dirigentes da UNITA, que, a meio da semana, ao Novo Jornal, explicou que juntava o seu apoio ao protesto como forma de pressionar o Executivo para se empenhar no combate ao desemprego e aos problemas sociais que Angola atravessa.

    Para diluir a manifestação, a PN recorreu a centenas de elementos da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), da cavalaria e das brigadas caninas.

    A governadora provincial de Luanda (GPL) fez declarações violentas à imprensa contra a manifestação onde alertou para o risco de repetição de episódios violentos do passado no país e pediu a vigilância contra a manipulação dos jovens por “alguns” que têm objectivos inconfessos.

    Com estas palavras, a governadora de Luanda deixou claro que o Estado vai impor a sua força contra este tipo de protestos populares nesta fase em que o Pais atravessa uma crise sanitária no rasto da pandemia da Covid-19, que acumula com uma crise económica severa e quando Angola se aproxima de mais um período eleitoral que se adivinha quente.

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    FonteNJ

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