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    Líderes da UE vão apelar a uma “mudança de paradigma” para inverter o declínio europeu

    O Conselho Europeu está reunido numa cimeira de dois dias, que começou ontem, para discutir questões relacionadas com a competitividade e o mercado único no seio da União Europeia.

    Os líderes da UE estão a discutir a forma de melhorar a base económica, industrial e tecnológica da Europa. O objetivo é de estabelecer um quadro de reformas para construir uma economia robusta e preparada para o futuro e que garanta a prosperidade. O presidente do Instituto Jacques Delors, Enrico Letta, apresentará aos líderes um relatório de alto nível sobre o futuro do mercado único da UE.

    A diminuição da influência da União Europeia face aos principais rivais geopolíticos e geoeconómicos está a soar o alarme nas capitais europeias, obrigando os líderes a discutir uma transformação radical para aumentar a competitividade do bloco num mundo hostil.

    Isso levou algumas capitais a pressionar por receitas políticas aceleradas que estão em gestação há muito tempo – como aproximar os mercados europeus – bem como encontrar uma forma de emitir mais obrigações conjuntas para impulsionar a indústria e a defesa.

    “À luz das tensões geopolíticas e das medidas políticas mais assertivas tomadas pelos parceiros e concorrentes internacionais”, afirma o projeto de conclusões da cimeira da UE visto pela Bloomberg, “a Europa precisa de uma mudança urgente de paradigma”.

    Os países europeus intensificaram o seu trabalho em matéria de segurança e indústria à medida que os líderes ficam cada vez mais preocupados com o facto de estarem a desperdiçar a sua vantagem competitiva em favor de empresas americanas e chinesas.

    As guerras próximas e distantes, a possibilidade iminente de outra presidência de Trump e a sua dependência de outros para obter energia e materiais críticos são todas perturbadoras do posicionamento da Europa no mundo.

    Há acordo sobre o facto dos membros da UE enfrentarem “desafios enormes e muito difíceis”, disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel , que preside à cimeira. Mas alguns líderes compareceram à reunião de Bruxelas expressando uma impaciência palpável face ao abismo entre o consenso e qualquer ação proporcional a essas ameaças.

    O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, apelou na semana passada a uma “revolução de atitude”.

    “A Europa tem de se tornar a entidade política mais forte do mundo, pois tem todas as possibilidades para o fazer”, disse Tusk, que pouco antes do seu regresso à política interna ocupava o papel de Presidente do Conselho Europeu.

    Os chefes de estado e de governo da UE, durante a reunião de dois dias, discutirão propostas políticas que podem incluir a remoção de barreiras à mobilização de investimentos privados para tecnologia limpa e defesa, bem como a possibilidade de emissão de dívida conjunta da UE para despesas militares.

    Ao angariar 800 mil milhões de euros para um fundo comum de recuperação pós-pandemia, os líderes da UE derrotaram a oposição de longa data de membros mais conservadores do ponto de vista fiscal. Alguns apelam a uma nova ronda de empréstimos conjuntos para enfrentar os desafios actuais, desde a transição climática até ao apoio à Ucrânia contra a agressão da Rússia.

    Países como a Alemanha e os Países Baixos insistem que a resposta da Covid continua a ser pontual. Mas a ameaça existencial representada pela guerra da Rússia na Ucrânia – que não está a favorecer Kiev – poderá levar até mesmo Berlim a pôr de lado as suas preocupações em torno da dívida da UE, de acordo com um alto funcionário que participou nas reuniões do Fundo Monetário Internacional em Washington esta semana.

    Mas isso exigiria uma mudança dramática por parte dos chamados países frugais. No mês passado, durante uma cimeira separada, Scholz rejeitou a possibilidade de incluir uma menção ao empréstimo conjunto nas conclusões sobre como financiar a defesa, informou a Bloomberg.

    Outras propostas políticas num relatório a ser discutido na reunião desta semana incluem a consolidação para operadores de telecomunicações, a partilha de investimentos em elementos-chave da rede ou compras conjuntas de minerais críticos.

    A cimeira desta semana ocorre num momento em que altos funcionários da UE consideram as suas prioridades para o novo mandato que esperam obter após as eleições europeias em Junho.

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