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    Kwanza – norte: Críticas na execução das obras de reabilitação

    A lentidão na execução de algumas obras de reabilitação de estradas na província do Kwanza-Norte tem merecido críticas porque estão a afectar as trocas comerciais e a dificultar o acesso a várias localidades da província.

    Muitas vias já estavam prontas para a colocação do asfalto e devido à chuva estão a ficar esburacadas novamente, colocando sérios à circulação rodoviária. O governador provincial do Kwanza-Norte, Henriques André Júnior, expressou a sua insatisfação com a demora que se verifica na reabilitação da Estrada Nacional que liga Lucala a Samba Caju, Camabatela e Negage, numa distância de 194 quilómetros.

    Henrique André Júnior referiu que está insatisfeito com a forma como decorre a reparação da estrada, cujas obras foram adjudicadas há seis anos. “Em Janeiro e Fevereiro do ano passado tivemos sinais de que o recomeço dos trabalhos era uma realidade. Recomeçaram mas algum tempo depois verificámos, outra vez, uma quase paralisação dos trabalhos, muito embora as máquinas continuem a trabalhar em alguns troços”, disse o governador do Kwanza-Norte.

    Os trabalhos de reabilitação foram adjudicados a uma empresa que por sua vez contratou outras duas que estão a executar os trabalhos entre o Negage, Samba Caju e Lucala. Até ao momento foi colocado o asfalto entre o Lucala e a aldeia do Coio, numa extensão de 30 quilómetros, o mesmo ponto em que se encontravam os trabalhos no mês de Outubro de 2011. As duas empresas asfaltaram apenas 60 quilómetros, nestes cerca de seis anos, restando 134 quilómetros.

    A nossa reportagem constatou que recomeçaram os trabalhos no troço Lucala/Samba Caju, depois de uma paragem quase total desde Novembro último. Neste momento, estão a ser realizadas actividades de compactação da via, trabalhos preparatórios para a colocação do asfalto.

    Município de Ambaca

    O administrador municipal de Ambaca, Francisco Rank Frank, também lamentou a demora na execução dos trabalhos e afirmou que a população recomeçou a sentir os efeitos da degradação da estrada.
    “Voltamos a fazer cinco a seis horas até Ndalatando que dista 181 quilómetros, por causa da estrada, que tinha sido já terraplanada mas que agora voltou a degradar-se”, disse.
    Francisco Rank Frank acrescentou que, devido à redução do movimento rodoviário nas estradas, baixaram também as trocas comerciais nas vilas e aldeias. Referiu que o movimento das máquinas entre Samba Caju e Pambos de Sonhi cessou completamente.

    “Estamos a tentar saber da empresa responsável as razões desta paralisação”, frisou o administrador municipal de Ambaca. Os trabalhos na estrada do Negage a Camabatela há avanços significativos, de acordo com o administrador.

    Risco de isolamento

    O administrador da Banga, Cristóvão João “Kiesa”, diz que a principal via de acesso ao município piorou consideravelmente. As chuvas, acrescentou, estão a acentuar a degradação da estrada. “Para se chegar à Banga é preciso preparar bem a viagem na vila de Samba Caju”, sublinhou.

    De acordo com o administrador, a Metroeuropa, uma das empresas que faz obras na via, há muito paralisou os trabalhos na estrada de Samba Caju à Banga. “Recebemos promessas de que recomeçavam este mês de Janeiro, mas nós não acreditamos que isso aconteça”, disse Cristóvão João “Kiesa”.

    Se as coisas continuarem assim, o administrador teme que a vila da Banga fique isolada do resto da província do Kwanza-Norte, por causa de uma ravina que está a progredir na Cerra da Banga. “Vamos ter que dar volta por Quiculungo para chegarmos à vila do Samba Caju e daí para Ndalatando”, explicou o administrador da Banga.

    O administrador informou que os trabalhos de reabilitação da outra via de acesso à Banga, através do Golungo Alto, estão também paralisadoss. “Por causa da paralisação e consequente degradação da estrada entre Samba Caju e a Banga, muitos outros empreiteiros já estão a usar este argumento para justificarem os atrasos das obras sociais em curso no município”, disse.

    Mário Lengo, 25 anos, fazia trabalho de táxi, na via Ndalatando/Camabatela. A reportagem do Jornal de Angola encontrou-o estacionado no parque donde partem as viaturas para os municípios do norte da província. Deixou de fazer viagens para Camabatela por causa das valas e buracos na via, sobretudo no troço Samba Cajú/Camabatela.

    “Agora é muito arriscado fazer negócios naquele município. O mau estado da estrada provoca danos nas viaturas e demoramos muito tempo até chegar a Camabatela e voltar para Ndalatando”, disse.
    João Lopes Kianda, taxista, já teve pneus rebentados devido ao mau estado da estrada. Vai esperar pela reabilitação total da estrada, cujos trabalhos disse estarem paralisados no troço mais crítico, que é entre Samba Caju e Camabatela.

    Uma via estruturante

    O Executivo gastou mais de 80 milhões de dólares, em Junho de 2006, para a reabilitação da via Lucala/Samba Caju/Camabatela/Negage. As previsões apontavam para que as obras tivessem uma duração de 24 meses, prazo que não foi cumprido pela empresa TEIA, à qual as obras foram adjudicadas.

    A intervenção da empreiteira era estabelecida em três troços. O primeiro entre o Lucala e Samba Caju, o segundo entre Samba Caju e Camabatela e o terceiro entre Camabatela e o Negage.

    A iniciativa visava pôr fim ao estado acentuado de degradação da estrada, que afectava sobretudo a população dos municípios da Banga, Bolongngo, Quiculungo e Ambaca, que dependem muito desta via.

    A via entre o Lucala e o Negage faz parte da Estrada Nacional número 120, que começa em Noqui, província do Zaire, atravessa as províncias do Uíge e Kwanza-Norte, em direcção ao Cunene. Passa pelo Huambo, Cuvango, Cuvelai e Onjiva, terminando na fronteira sul, em Santa Clara. A sua extensão é de 1.500 quilómetros.

    O governador da província do Kwanza-Norte, Henrique André Júnior, tinha garantido, na altura da consignação da obra, que o governo estava a criar as condições necessárias para estimular o investimento privado na região.
    Para Henrique Júnior, uma das condições para atrair investimentos era o restabelecimento das vias de transporte rodoviário e ferroviário, para facilitar o escoamento dos produtos do campo e matérias-primas.
    Há cinco anos, os empresários que pretendiam investir na província, sobretudo na hotelaria, restauração, agricultura e pecuária, diziam que a reabilitação das vias era essencial para que os seus projectos tivessem sucesso.

    Em 2006, a Metroeuropa foi encarregada de asfaltar a via Sam­ba/Cajú/Banga/Quiculun­go/­Bo­longongo/­kikiemba. Mas em cinco anos apenas foram asfaltados dez quilómetros dum total de 130 quilómetros.

    Vias secundárias

    Henrique Júnior revelou que as obras na estrada entre o Golungo Alto, Kilombo Kia Puto e Kilombo dos Dembos e a ligação entre Cambondo e Kilombo dos Dembos também têm tirado o sono ao governo da província. Henrique André Júnior considera que em termos de acessibilidades a província está melhor que nos anos anteriores.

    As empresas construtoras destas vias fizeram algum trabalho que, segundo o governador, tem diminuído os obstáculos que existiam antes. “O que nós queremos é realmente a asfaltagem, que terminem de uma vez por todas os constrangimentos que as estradas representam para os seus utentes”, disse.

    “Nós podemos ir às diversas localidades, mas para Ngonguembo, sobretudo no tempo da chuva, é difícil. Temos trabalhado com os empreiteiros e com o Ministério do Urbanismo e Construção para se ultrapassar esta situação, pelo que tem havido melhorias, mas não estamos de forma alguma satisfeitos”, explicou.

    Melhorias significativas

    Henrique Júnior assinalou haver melhorias do trânsito nas vias Ndalatando/Lucala e Ndalatando/Golungo Alto. “Em termos da malha rodoviária, estamos muito melhor. Mas as nossas ambições levam-nos a dizer que não estamos satisfeitos. A nossa ambição não nos deixa descansar”.

    A estrada fundamental Luanda­/­Ndalatando, com passagem pelo Dondo, que continua a ser reabilitada, sobretudo no troço Dondo/ Morro do Binda, apresenta hoje melhorias.
    “Podemos orgulhar-nos pelo facto de ter sido construída a via da Trombeta, que diminui em uma hora, o tempo de percurso de Luanda a Ndalatando. É uma via que veio aproximar Ndalatando da capital do país e com isto a província vai ter muitos benefícios”.

    O governador do Kwanza-Norte lembrou que no período de 2004/­2005 entre Ndalatando e Luanda o percurso era feito em oito horas, “hoje temos uma porta aberta para que as pessoas possam ir a Luanda tratar dos seus assuntos e voltar no mesmo dia”.
    Esta via da Trombeta está em excelentes condições, assegurou Henrique André Júnior, tendo insistido que o mesmo se não pode dizer das outras vias que ligam Ndalatando a algumas sedes municipais.

    Fonte: Jornal de Angola

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