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    ” Kota” Dina Santos pede mais respeito

    Artista defendeu o papel dos kotas na passagem de testemunho à nova geração

    A cantora Dina Santos disse ontem em Luanda que o Ministério da Cultura deve ter mais atenção com os artistas da velha geração, pelo seu contributo no engrandecimento da tradição nacional e por serem um repositório de conhecimentos para os jovens.
    A artista adiantou que o apoio a ser dado não deve limitar-se à questão financeira, mas também na gravação de discos, por ser uma forma de passarem o seu testemunho aos jovens. “Nós já fizemos muito pelo país. Lutamos, com a música, para a independência de Angola e também para a recuperação de valores. Hoje é preciso que voltemos a cantar, mas para orientar os jovens intérpretes sobre as suas canções”, disse.
    Para Dina Santos, os duetos musicais entre os jovens e os kotas são um exemplo do tipo de passagem de testemunho que os músicos da nova geração devem começar a seguir. “Geralmente nestes duetos os kotas usam as suas experiências e ensinam aos jovens um pouco mais sobre a composição musical”, aclarou.
    A participação em espectáculos e a diferença de valores pagos nos espectáculos é outro aspecto que, para a cantora, precisa de uma melhor regulamentação do Ministério da Cultura, visto que os valores são muito desproporcionais.
    “É respeitar mais os músicos, principalmente aquelas pessoas, como nós kotas, que temos a música como fonte de sustento. Apesar da carteira profissional do artista ser uma realidade já visível é preciso que as pessoas encarem a música e os seus fazedores com mais seriedade, porque há quem viva dela”, realçou.
    Dina Santos disse que esta desvalorização só é acentuada porque no país existem ainda poucas casas de espectáculos e centros recreativos. “Os produtores aproveitam-se deste facto para explorar os músicos que, se não aproveitarem alguns espectáculos para actuar, correm o risco de ficar meses sem aparecer”, destacou.
    Para a artista, as fusões de ritmos e o actual crescimento do mercado discográfico nacional são dois aspectos de grande realce para a música angolana, que precisam de ser bem explorados pelos empresários angolanos.

    Actualmente a trabalhar com algumas crianças do quilómetro nove em Viana, dos 15 aos 18 anos, num projecto de canto, Dina Santos disse que pretende lançar, ainda este ano, o seu primeiro disco de originais.
    “Pelos anos de carreira as pessoas perguntam por que não tenho um disco no mercado. A resposta é: não é fácil colocar um disco no mercado, devido à questão do patrocínio”, rematou.

    Os primeiros passos

    Dina Santos começou a sua carreira musical aos 16 anos no concurso “Chá das 6”, por iniciativa de um amigo. Na altura, conta, estava muito indecisa, mas acabou por aceitar ir participar, porque sempre gostou de cantar.
    Após a sua aceitação, Dina Santos realizou três espectáculos no centro recreativo e cultural Minute Coval, com a participação dos músicos Mário Gama e Melita.
    Depois participou no projecto músico-cultural “Kotonoka”, criado para a descoberta de novos valores, onde actuou com acompanhamento do conjunto “Os Kiezos”, que a convidou a integrar o seu elenco artístico.
    Pelo seu empenho e interesse pela música já trabalhou com os grupos Semba Tropical, onde foi vocalista, 1º de Maio, gerido por Massano Júnior, e Semba África.
    Apesar de ser uma intérprete do semba, a cantora Dina Santos disse que no início da sua carreira musical começou por cantar samba e fado, por serem os temas que as pessoas mais gostavam.
    A sua carreira internacional, disse, começou através de António Jacinto, secretário de Estado da Cultura, que a integrou no grupo Diamante Negro, gerido por Santocas.
    Por intermédio do grupo começou a dar espectáculos internacionais na antiga União Soviética, na ex-República Democrática da Alemanha, em São Tomé, Guiné, Bélgica, Itália e França.

     

    Kílssia Ferreira

    Fonte: Jornal de Angola

    Fotografia: Mota Ambrósio

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