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    Jovens protestam contra “má governação” na cidade do Dondo

    Grupo de jovens sai à rua em protesto contra a suposta “má governação” de Adão António, administrador do município de Kambambe, cujo executivo é acusado de “roubar apoios destinados à população”. O protesto foi pacífico.

    Dezenas de jovens da cidade do Dondo, no município de Kambambe, na província angolana do Kwanza Norte, protestaram este sábado (12.06) contra a alegada “má governação” e a forma como o administrador de município, Adão António Malungo, tem gerido os apoios recebidos do Governo central.

    Segundos o grupo de jovens, esses apoios seriam destinados às populações vítimas das chuvas torrenciais que deixaram estragos em maio passado.

    “Estou a protestar em solidariedade aos sinistrados das cheias do rio Kapakala, que sofreram humilhação por parte da administração municipal de Kambambe, no Dondo, na pessoa do governador e do administrador municipal, Adão António Malungo”, disse à DW o ativista cívico de Kambambe, Wilson Manuel António.

    Manuel António acusa ainda as autoridades de nepotismo e corrupção e diz que a impunidade generalizada reina no governo local. “O administrador é corrupto, temos provas contundentes que o incrimina. Por isso o povo já não quer a sua continuidade”, acrescentou.

    José Domingos André, mais conhecido por “Zukumuna”, um dos manifestantes que vive na cidade do Dondo, disse que foi à marcha para manifestar o seu descontentamento com a governação local.

    Protestos contra o governador da cidade do Dondo
    (DR)

    Jovens exigem justiça
    “Estou descontente, o Governo central mandou comida para a população vítima das cheias provocadas pelas chuvas do mês de maio, mas o povo não viu os bens que doaram para ajudar os sinistrados”, afirmou Zukumuna para quem as autoridades “apenas deram a cada família um quilo de arroz, e passaram na televisão que deram cesta básica”.

    O jovem manifestante exige que se faça justiça “para aqueles que roubaram toda comida”. “Os peixes grandes”, roubaram a comida “e estamos com a fome”.

    Zucumuna pede, por isso, mudança na governação local. “Precisamos de uma reforma nesta administração municipal de Kambambe, principalmente o administrador, que não gosta de ouvir os munícipes, é alérgico a ideias e críticas, queremos justiça”, clama o activista.

    O porta-voz dos organizadores da manifestação, Gutemberg Pereira Matias, em declarações à DW África, promete novos protestos caso o ministério público não apresentar o resultado das investigações sobre as denúncias feitas.

    Os manifestantes pedem a demissão das autoridades locais
    (DR)

    Protesto sem incidentes
    O ato de protesto decorreu sem sobressaltos, com o olhar atento das autoridades de defesa e segurança pública que tiveram efetivos vestidos à paisana em todas as ruas que constaram do trajeto da manifestação.

    O administrador municipal adjunto para área técnica de Kambambe, Gerson Miguel disse que as autoridades competentes já estão a investigar as alegações dos manifestantes.

    “O SIC (serviço de investigação criminal) recolheu alguns produtos supostamente desviados e abriu-se um processo de investigação que ainda continua a decorrer sob segredo de justiça”.

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