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    Israel vai hoje a votos, com Netanyahu como potencial vencedor

    O Jornal Económico / António Freitas de Sousa

    Ao cabo de 13 anos no poder, o primeiro-ministro israelita poderá voltar a ganhar as eleições, apesar das suspeitas de corrupção. O país vive por estes dias uma deriva expansionista: Netanyahu promete anexar a Cisjordânia.

    Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, espera esta terça-feira ser eleito para um quinto mandato, na sequência das eleições que decorrem hoje e servirão para eleger o 21º Knesset (Parlamento) do país. Na disputa estão os candidatos parlamentares, entre os quais aquele que ocupará a cadeira de primeiro-ministro.

    Além de Netanyahu, concorrem ao cargo mais 12 candidatos, sendo que dois, para além de Netanyahu, são considerados os mais capazes de fazer frente ao actual primeiro-ministro: Benny Gantz, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, e Yair Lapid – jornalista, actor e escritor, filho do político Tommy Lapid e da escritora Shulamit Lapid. Lapid é o fundador e líder do partido político Yesh Atid, que apareceu pela primeira vez nas eleições de 2013, tendo ficado em segundo lugar atrás apenas do Likud, o partido do primeiro-ministro.

    Netanyahu está no poder há quase 13 anos e enfrenta resistências internas devido a diversas investigações de que é alvo, e que têm aproximado o primeiro-ministro da barra dos tribunais. Suspeitas de favorecimento de amigos e correligionários políticos estão no centro das atenções – mas o certo é que são acusações antigas e, para já, não foram suficientes para o povo israelita perder a confiança num homem que sabem ser da linha dura da direita parlamentar.

    Netannyahu enfrenta também a suspeita de que a sua política de colagem aos Estados Unidos tem sido a causa de um afastamento crescente da comunidade internacional – principalmente da União Europeia – face às posições do país em termos de políticas internacionais. A decisão tomada por Donald Trump, o presidente norte-americano, de aceitar Jerusalém como a capital política de Israel foi o momento-chave da dessa aproximação entre os Estados Unidos e Israel – que o anterior presidente Barack Obama, nunca quis aceitar.

    À decisão de Trump seguiu-se um coro de reservas – vindas de todo o lado, nomeadamente da ONU e do Vaticano – mas o certo é que nada disse foi suficiente para Netanyahu ver a sua imagem ‘desfocada’ no interior do país. Aliás, aparentemente, esta distanciação entre Israel e a comunidade internacional parece conferir alguma força ao regime – que há pouco decidiu também evidenciar que Israel é cada vez mais um país judeu, com a exclusão (potencial) de todos os outros povos.

    Mais recente ainda é a promessa de Benjamin Netanyahu de anexar os colonatos na Cisjordânia, estabelecidos à margem dos tratados internacionais em vigor. O governo anunciou há dias planos para construir 3.600 casas em território ocupado, expropriando terras privadas palestinianas para a sua construção – numa decisão que a comunidade internacional mais uma vez se empenhou em reprovar, coisa que, como sempre, não demoverá Netanyahu.

    A promessa é um evidente ‘estender da mão’ do primeiro-ministro aos sectores mais ultraconservadores da sociedade, para quem a presença dos palestinianos é uma afronta que não pode continuar a existir.

    Quando questionado numa entrevista ao Channel 12 News sobre porque não tinha ainda estendido a soberania israelita aos colonatos, como fez com Jerusalém Oriental e os Montes Golã, Netanyahu respondeu: “Quem diz que não o faremos? Vamos nesse sentido e estamos a discuti-lo. Se está a perguntar se vamos seguir para a próxima fase – a resposta é sim, vamos. Vou estender a soberania e não distingo entre blocos de colonatos e colonatos isolados”. Mais 400 mil israelitas vivem hoje na Cisjordânia, entre 2,9 milhões de palestinianos, muitos dos quais viram as suas habitações destruídas para dar lugar a colonatos.

    O Knesset tem 120 assentos, dos quais a maioria é ocupada pelo Likud. Desde que Israel foi fundada em 1948, nenhum partido formou alguma vez uma maioria absoluta.

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