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    Isabel Massocolo considera razoável ‘estado de saúde’ de Luanda

    “Razoável”. Foi desta forma que Isabel Massocolo, a médica que substituiu Vita Vemba à frente da Direcção Provincial da Saúde de Luanda, caracterizou a situação da saúde na capital do país, que alberga cerca de quatro milhões de habitantes.

    “Estamos a envidar esforços no sentido de conseguirmos a municipalização da saúde em Luanda. Quer dizer que se os nossos munícipes conseguirem resolver os problemas localmente, então nós vamos resolver 80 por cento das questões locais”, assegurou a responsável.

    A especialista em saúde pública acha que é necessário o envolvimento de todos, inclusivamente os munícipes directamente no processo de municipalização dos serviços de saúde.

    Segundo ela, a participação passa pela ida dos doentes inicialmente aos postos e centros de saúde das suas áreas de residência e só posteriormente aos hospitais municipais.

    Só assim, de acordo com Isabel Massocolo, é que será possível fazer uma regionalização do atendimento ao nível da província de Luanda.

    A directora provincial assegura que este desafio não está sendo fácil, mas não considera impossível.

    “Estamos a caminhar já há 11 meses nesta direcção e a fazer esforço para que melhoremos cada vez mais a assistência médica e medicamentosa na nossa província”, reconheceu, acrescentando que “os munícipes procuram sempre os hospitais municipais e nacionais por algum motivo, mas nós queremos que eles comecem pelos centros de saúde”.

    Na luta há 11 meses, desde que ascendeu ao actual posto, Massocolo pretende lutar ainda para restaurar a confiança nos serviços prestados pelos hospitais públicos. A directora desconhece a suposta falta de segurança dos populares em relação aos hospitais do Estado, mas vaticina a realização de um estudo ou um pequeno inquérito para os munícipes darem os seus pontos de vista sobre os cuidados sanitários prestados nas unidades sob sua responsabilidade.

    “Estamos a pensar lançar neste primeiro trimestre um número de reclamação para ver se melhoramos cada vez mais. Porque se nos denunciarem alguns casos, nós automaticamente vamos ter em conta e melhorar a nossa atenção”, explicou Isabel Massocolo, justificando que “por isso que não digo que é bom, é razoável. E vamos lutar todos para que consigamos ter um bom atendimento a nível dos centros de saúde e fazer com que os munícipes tenham confiança nos nossos serviços.

    E evitar com que saiam de tão longe para virem até aqui na Ingombota e Maianga, onde estão concentrados os hospitais nacionais”. Hospitais municipais Mais de um mês depois da entrada em funcionamento dos hospitais municipais, a directora da Saúde na capital do país salienta que ainda não é possível fazer-se um diagnóstico sobre o contributo destes novos estabelecimentos sanitários.

    A médica garante que os novos hospitais estão a atender dentro das possibilidades e ao mesmo tempo a gerirem os constrangimentos. Só depois da inauguração oficial, segundo Isabel Massocolo, é que as pessoas vão saber que os hospitais estão a funcionar, com capacidade suficiente da população.

    “Mas se fores fazer uma entrevista ao redor dos hospitais, embora nós não divulgamos, os munícipes estão satisfeitos porque já não andam longas distâncias para serem tratados”, revelou a directora.

    Ela assegura igualmente que já se conseguiu cobrir os municípios de Luanda tidos como mais endémicos em termos de problemas de saúde.

    A médica explica que abriram muito timidamente o Hospital Municipal do Cazenga, Viana e Cacuaco.

    O Hospital Municipal do Sambizanga, de acordo com a nossa interlocutora, está em fase de acabamento e apetrechamento, para ser aberto e depois da inauguração começar o atendimento generalizado. “Os municípios da Maianga e Ingombota são da cidade e os hospitais municipais foram construídos aí onde a epidemiologia é muito grave.

    Que são os municípios da periferia, como Viana e Cacuaco, que têm hospitais com bloco operatório”, disse Massocolo, revelando que “quando se conseguir colocar os anestesistas, que estão em formação, os instrumentistas e termos especialistas para lá, então em vez de os especialistas ficarem nos hospitais nacionais, alguns terão mesmo de ir à periferia”.

    Esse esforço será necessário porque a directora acredita que desta forma poder-se-á fazer uma contenção de casos e resolver-se algumas situações ainda na periferia. Com isso podia-se evitar a concentração de muitos doentes nos hospitais nacionais.

    “É necessário que nós os técnicos de saúde tenhamos a noção de que temos de trabalhar aí onde estão os problemas”, defende a nossa interlocutora.

    Doenças
    Em relação à saúde infantil, a malária é a primeira doença na cidade de Luanda, embora tenha diminuído a mortalidade em consequências deste mal. Apesar disso, ainda existem muitos casos, porque está relacionado de alguma forma com a falta de saneamento básico.

    Isabel Massocolo acredita que a saúde recebe as consequências de algumas situações que não se resolvem a nível dos municípios.

    Depois da malária segue-se as doenças diarreicas agudas também associadas a precária distribuição de água potável nos bairros periféricos da cidade. “Mesmo assim temos estado a sensibilizar no sentido de ter mais água potável para a população e aqueles que não têm devem tratar”, considera a especialista em saúde pública, exemplificando que com isso evita-se as doenças diarreicas agudas e a cólera.

    As doenças respiratórias aparecem em terceiro lugar. A origem está também ligada às viroses e poeiras. Em suma, segundo a médica, tudo passa pelo saneamento básico, que ela diz ser a aposta do actual elenco do Governo Provincial de Luanda, que quer melhorar o abastecimento de água e a electricidade a nível da cidade de Luanda. Assim vai-se melhorar a qualidade de vida dos luandenses.

    Fonte: JA

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